Eu cheguei atrasado para a festa de Lost Soul Aside. Meu código de review chegou tarde, a ponto de eu só começar o jogo depois de já ter visto reviews e até jogado o demo. Assim, já sabia que o jogo tinha sido mal recebido. E o demo, devo dizer, não me deu mais vontade de jogar. Eu simplesmente detestei a demonstração.
O demo te coloca a mais de seis horas de jogo e, em 30 minutos, você passa por dois chefes e apenas dois combates com inimigos mais fracos. Eu sinceramente achei que Lost Souls Aside era, portanto, um boss rush. Perdi totalmente o interesse. E daí o código de review chegou, e eu comecei a jogar de forma meio blazé, a trabalho mesmo. Quem diria que eu acabaria gostando MUITO da experiência?
REVIEW LOST SOUL ASIDE
Lost Soul Aside, como esperado, é um hack and slash mas, apesar do título, não é um soulslike, mas um Devil May Cry-like. É muito bom jogar um game de ação em 2025 sem precisar se preocupar com todas as coisas que todos têm medo de mudar em um soulslike. Acredita que dá até para pausar Lost Soul Aside? Pois é, eles não têm mais o que inventar!
Para não dizer que ele não puxa nada da cartilha da From Software, Lost Soul Aside não tem opções de dificuldade (pelo menos não claras), e as poções de cura se renovam automaticamente nas fogueiras. Particularmente, esta parte das poções eu definiria hoje como qualidade de vida popularizado por soulslikes, mais do que uma definição do gênero. Mas onde estávamos? Ah, sim, as fogueiras, onde você pode restaurar seus recursos e tudo mais, são vivas. Em outras palavras, uma personagem viva serve de checkpoint manual, embora o jogo também traga checkpoints automáticos.

A dificuldade não traz opções iniciais e tradicionais, mas conforme você vai morrendo, ganha um anel que pode equipar que aumenta consideravelmente seu dano e diminui o dano dos inimigos. Quanto mais morrer, melhor o anel fica. Sim, eu preferia isso num menu, como sempre foi, e ter os limitados espaços para equipamento livres para coisas mais divertidas, mas este é um assunto tão ridiculamente carregado hoje em dia que não sei se veremos jogos de ação com opções de dificuldade tradicionais novamente. Introdução feita, vamos a Lost Soul Aside, e o que o torna especial. A começar por desfazer a má impressão do demo.
LOST SOUL ASIDE NÃO É UM BOSS RUSH!
O que temos aqui é um hack and slash tradicional, focado em estilo e superpoderes coloridos. Tem chefes, claro. Um montão deles. Mas tem também longos trechos em que você luta apenas contra minions, ou até mesmo explora e faz desafios de plataforma. Depois do longo prólogo, o jogo vai para uma parte com quatro chefes seguidos, e o prognóstico parecia negativo, mas depois dessa parte – e com exceção da parte do demo – os chefes não são mais tão próximos uns do outro.
A outra exceção é o final. Após uma longa e difícil batalha com o vilão Aramon, estava muito pronto para ver o final. Quando a cutscene começou a fazer parecer que teria mais chefe, fiquei sinceramente torcendo para o jogo terminar ali, em cliffhanger, do que me fazer lutar contra outro chefe. Onde chegamos, não é mesmo? Preferir que uma história não termine a que ela tenha mais chefes. Acabou que não teve apenas mais um chefe, mas três seguidos, totalizando quatro. Não quatro fases, mas quatro chefes distintos. Demorei mais de uma hora para vencer todos, e foi tão chato que me vi obrigado a diminuir a nota deste review de 4,5 para quatro.
DUAS BARRAS DE VIDA
Apesar de o combate ser claramente inspirado por Devil May Cry (assim como os personagens e a estética em geral), Lost Soul Aside funciona de forma um tanto diferente. Tirando os inimigos mais fracos, todos têm duas barras de vida, uma em cima da outra. Você precisa esvaziar a de baixo para deixar o caboclo tonto, e daí sim enchê-lo de porrada para tirar a vida propriamente dita. Tem um golpe especial que pode ser usado para fazer miséria com os desgraçados tontos, mas que também encerra as tonturas. Então, especialmente nas batalhas maiores, o ideal é você encher o tonto de porrada até sua segunda barra estar quase cheia de novo, e apenas então ativar o especial.
Minha primeira impressão desta mecânica, ainda no demo, não foi especialmente positiva. Mas depois que peguei a manha – e ganhei os braceletes que diminuíam as enormes vidas inimigas – o jogo ficou MUITO mais divertido. Mas o combate tem outras características únicas e criativas.
CARACTERÍSTICAS ÚNICAS E CRIATIVAS

Talvez a mais única delas é que alguns golpes e combos específicos fazem seu personagem brilhar. Aperte R2 enquanto ele estiver brilhando e você ganha um ataque grátis e poderoso que atinge uma grande área. Digo que é grátis porque são ataques sem animação, que podem ser incorporados em sequências de golpes sem parar de atacar. Tem uma enorme quantidade de formas de fazer o herói brilhar, e mais ainda que você pode comprar nas skill trees individuais de cada uma das armas. Então é bem difícil de decorar tudo, e o efeito é bem sutil para ser percebido em meio a tanto brilho e fogo de artifício que o combate normalmente solta. Mas é muito legal quando você cria combos bacanas e estilosos que combinam naturalmente com “ataques de brilho”. Certamente veremos um monte de nerds desocupados fazendo combos enormes graças a estes ataques especiais.
Moral da história, embora Lost Soul Aside lembre um Devil May Cry de baixo orçamento, ele traz ideias e características suficientes que o tornam muito além de um cover. Não, sinceramente não achei o jogo melhor do que Soulstice (por que todos os poucos Devil May Cry-likes que saem hoje em dia usam a palavra “soul” no título?). Mas é sinceramente melhor do que Stellar Blade, embora seja tecnicamente mais cru e aparente tenha um orçamento mais limitado. Isso se deve a Lost Soul Aside seguir a linha que todo jogo de ação que se preza deveria seguir.
LINEARIDADE, BABY!
Pois é, temos aqui um jogo com fases independentes e caminhos únicos. O foco é sempre no que você está fazendo naquele momento. É hora de lutar? Beleza! Explorar? Ótimo, olha que cenário bonito! Resolver quebra-cabeças? Opa, tchubiruba! Você nunca precisa se preocupar com “o que mais poderia estar fazendo”, já que o jogo é totalmente dirigido. É verdade que ele nem sempre é maestricamente dirigido, já que tem pontos com muitos chefes seguidos, o que enche o saco, mas é simplesmente muito bom ter uma campanha dirigida saindo de um jogo second party em 2025.
Uma modernidade que de fato entra em Lost Soul Aside é sua duração. Jogos lineares tradicionalmente duravam de cinco a oito horas. Este é um caso consideravelmente mais longo, que passou das 26 horas para mim. Eu sou um defensor de jogos mais curtos, você sabe, mas é gostoso poder passar alguns dias curtindo um jogo linear depois de tanto tempo. Afinal, normalmente termino estes jogos em um ou dois dias. Os poucos que existem, claro.
GRÁFICOS E PERFORMANCE

Lost Soul Aside é um jogo artisticamente muito bonito, mas um tanto cru tecnicamente. Os cenários são belíssimos, mas os personagens deixam bastante a dever, especialmente nas cutscenes. Aliás, também tem um monte de cutscenes de baixo orçamento, com os personagens parados trocando ideia, não o que tradicionalmente chamamos de cinematics.
Há dois modos de visualização, os tradicionais gráficos e performance, mas o modo gráfico de 30 FPS tem algo muito errado. A movimentação da câmera é simplesmente desagradável. Inicialmente achei que era a falta de motion blur, mas acredito que vai além disso, o controle parece não funcionar da mesma forma. Felizmente, o modo performance de 60 fps resolve este problema e roda relativamente bem. Há pausas longas sempre que o jogo salva, e a taxa de quadros é um tanto intermitente. Em outras palavras, é o mínimo essencial, mas felizmente é o suficiente para jogar.
LOST SOUL ASIDE: QUANDO VOCÊ COLOCA A ALMA DO LADINHO
Vou ser totalmente sincero com você. Depois dos reviews que Lost Soul Aside recebeu, e da minha péssima experiência com o demo, eu sinceramente não teria gastado meu rico dinheirinho neste game. Os privilégios de trabalhar com isso, no entanto, permitiram que eu jogasse sem pagar e visse que o jogo foi extremamente injustiçado por uma imprensa com clara preferência por mundo aberto e uma desenvolvedora que parece ter escolhido o pior trecho da campanha possível para seu demo.
Então se você tem um gosto parecido com o meu, com o mesmo apreço por games em que você explora corredores bonitos e dá porradas em bichos feios, faça um favor a si mesmo, e não deixe Lost Soul Aside passar. É muito mais legal do que parece, sério mesmo.





































