Algumas vezes temos o enorme prazer de conhecer um estilo de jogo novo. Se não totalmente novo, afinal, na natureza tudo se copia, algo que faz uma mistura de gêneros inédita. E, no caso de Laika Aged Through Blood, o game é capaz de aumentar suas inspirações e se tornar algo realmente único e especial. Bora para nosso review Laika Aged Through Blood?

ANÁLISE LAIKA AGED THROUGH BLOOD

Laika Aged Through Blood é, na tradicional definição dos gêneros, um metroidvania. E um excelente metroidvania. Porém, ele tem uma jogabilidade única, remanescente de outro jogo único. Veja a imagem e tente adivinhar a qual me refiro.

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Lembrou de Trials, certo? Pois então, como ponto de partida, o controle da motinho é bem semelhante ao game da Ubisoft. Você precisa alinhar as rodas com os chãos para não cair, por exemplo. Agora imagine se Trials não fosse apenas uma sequência de cursos de desafio, mas um metroidvania completo, com exploração e combate.

AGORA VOCÊ TEM UMA IDEIA DE COMO É LAIKA AGED THROUGH BLOOD

A ideia é boa. E se Trials, mas metroidvania? Daí a turma esperta da Brainwash Gang começou a trabalhar em cima disso. E os controles foram desenvolvidos em cima deste forte conceito. Você tem armas de fogo, a parte de baixo da sua moto é imune a balas (mas não a foguetes ou ataques mais poderosos). E também é possível defletir ataques, apertando levemente o botão que, quando segurado, faz a moto mudar de direção. Os pontos “cool“, então, vêm em como você recarrega as armas e defletidas: com loopings.

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Todo o level design é criado em cima disso. Afinal, você nunca pode dar muitos tiros sem dar loopings para recarregar, então o caminho é cheio de saltos. Em geral, cada “encontro de combate” é um pequeno quebra-cabeça. Você precisa descobrir quando atirar, quando defletir e quando dar loopings. Quando você desembesta e avança um pedação sem parar, deixando tripas espalhadas pelo caminho é a coisa mais born to be wild que já vivi em um videogame. Porém…

PORÉM…

Como um pai nada amoroso, Laika Aged Through Blood te ensina suas mecânicas jogando no fundo da piscina. Logo de cara você tem que encarar quebra-cabeças bem avançados, que parecem impossíveis a princípio. Até que você descobre a ordem exata para as ações, conforme planejado pela desenvolvedora. Laika Aged Through Blood é o oposto de um immersive sim. Aqui você só consegue avançar se fizer EXATAMENTE o que ele espera de você. E mesmo assim tiver reflexos absolutos, pois ele não perdoa.

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Depois que você aumenta o tamanho do pente e consegue outras armas, a coisa fica um pouco menos draconiana, mas ainda difícil demais. Toda vez que eu encontrava um chefe, eu ficava empolgado com a criatividade do que estava vendo, mas sempre achava que teria que desistir. Até que, finalmente, isso aconteceu.

CHEFES

Os primeiros chefes têm um timing bacana, de que eles só aparecem e atacam quando você pula. Então a jogada é pular, atacar, não ser atingido e terminar o looping antes de cair no chão para poder atacar de novo. O segundo chefe, em que fiquei travado por muito tempo, só podia ser vencido se, logo após o pulo, eu ficasse de ponta cabeça para que a moto levasse as balas, atacasse e depois que ele saísse da tela terminasse o pulo. É a forma que o jogo te ensina a defender ao mesmo tempo que ataca, mas ele faz isso de um jeito que muita gente vai desistir sem aprender.

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O chefe em que desisti, este aí de cima, é diferente. Só dá para pular na rampinha no meio da tela e tem abismos nas pontas. Ele te ataca com ovos e, atirar em um ovo o divide em dois, e expõe o ponto fraco. Ou seja, para poder atacar, você precisa dividir um ovo no que se tornam seis bolinhas, e então precisa prender a corda no chefe e terminar de destruir os ovos antes de ele botar o próximo. Minha arma só tinha três tiros, então a cada ovo eu precisava ficar fazendo loopings no meio da tela e correr para destruir tudo antes de vir mais. Eu não tenho a habilidade necessária para isso. E como já falei muitas vezes aqui, esta tendência de inacessibilidade da indústria, de “você tem que ser X bom para jogar meu jogo”, é o que eventualmente vai me fazer parar de jogar videogames.

ACESSIBILIDADE

Eu comprei um PC para jogar games metidos a difícil como este, mas nem sempre a gente sabe disso antes de pegar, e eu prefiro jogar no console. Além disso, eu não gostaria de jogar Laika Aged Through Blood de forma invulnerável. Acho que o jogo perderia muito, sim, simplesmente ficando invencível, já que suas mecânicas e controles são muito bons.

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Ideal seria ter alguns assists do próprio jogo. Talvez a possibilidade de ter mais munição antes de precisar recarregar, ou de ser menos frágil (a Laika morre com um único ataque), já fariam horrores para esta ser uma resenha de nota máxima. Porém, como vivemos em um mundo em que os jogos não dão opção, acaba sendo o caso de jogar no PC com invulnerabilidade ou simplesmente não jogar. E as duas opções me parecem estúpidas, mas é o que tem pra hoje com Laika.

LAIKA AGED THROUGH BLOOD É MUITO BOM, MAS EXIGE DEMAIS

Quando estava jogando e avançando, em especial nas fases, estava me divertindo muito. Minhas críticas eram mais focadas na duração extremamente longa (joguei por 14 horas e não terminei, cheguei ao penúltimo chefe) e no personagem pequeno demais. Isso deixa difícil de enxergar se você vai cair com as rodas da moto para baixo, ou de cabeça, e não é legal morrer por causa disso.

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Eu realmente acho que se acomodasse jogadores com habilidades, visão e reflexos mais fracos, Laika Aged Through Blood poderia ter recebido nota máxima. O que temos aqui é muito criativo e um excelente ponto de partida para uma nova franquia que vejo com ótimos olhos. Como ele é extremamente excludente, no entanto, não consigo me convencer a dar mais do que quatro Alfredos para ele. Mas se você tem habilidades e visão acima do normal, sem dúvida vai querer jogar.