Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

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Para todos aqueles que estavam com saudades do pirata mais abilolado de todos os tempos (e essa é a primeira vez que eu escrevo a palavra “abilolado”), a espera acabou, pois chega agora aos nossos cinemas Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas, o quarto exemplar da franquia singelamente baseada em um brinquedo dos parques da Disney.

Neste filme, o Capitão Jack Sparrow vai atrás de nada menos do que a fonte da juventude. Por quê? Porque os roteiristas assim o quiseram e pronto, já que nunca fica claro por que diabos ele quer tanto encontrá-la. O que importa é que no caminho ele vai se deparar com antigos personagens conhecidos dos filmes anteriores, encontrar alguns novos, incluindo o famoso pirata Barba Negra (Ian McShane), algumas sereias com dentes de vampiro (não pergunte) e também a Penélope Cruz. Eu sei, essa última parte é realmente interessante.

A história (ou falta dela) é uma bobagem e só serve mesmo para dar um lugar para os personagens irem e gerar cenas de ação bacanudas. Mas ei, essa nunca foi uma série que se destacou por suas tramas complexas. Ainda assim, é preciso desligar o cérebro se quiser se divertir. Foi o que eu fiz e compensou.

O grande mérito deste filme é finalmente colocar o pirata de Johnny Depp como astro principal e abrir caminho para ele solar com seus trejeitos afetados e sua fala mansa. E o ator, dominando completamente o personagem após três filmes, mais uma vez leva a película nas costas.

Contudo, se o casal chatinho Orlando “faz tempo que vocês do DELFOS não me zoam” Bloom e Keira Knightley foi limado deste filme, ele ainda sofre com um certo excesso de personagens inúteis que tiram um tempo de tela considerável de Sparrow. Sério, para que serve aquele padre? O próprio Barbossa poderia ter sido limado facilmente e ninguém daria por sua falta.

Para aqueles que não viram os outros filmes ou não se lembram deles, não é necessário assisti-los para apreciar este. Embora haja citações e personagens dos exemplares passados, é possível ver numa boa sem boiar na trama. Até porque, como falei lá em cima, dizer que há uma trama é certa bondade de minha parte.

Também não há novidades, e isso pode ser levado tanto para o bem quanto para o mal. Ele repete tintim por tintim o esquema de seus predecessores. Se você gostou dos anteriores, na certa vai gostar deste também, pois já sabe exatamente o que esperar. Ou vai se aborrecer justamente por já saber o que esperar. Aí vai de cada um, mas eu acredito mais na primeira opção.

Contudo, é inegável que a fórmula já dá mostras de desgaste e, embora o filme entretenha bem, não tem o mesmo nível de diversão dos anteriores. Se esse for o primeiro de uma nova trilogia, vai ser preciso injetar alguma criatividade na franquia ou ela vai despencar ladeira abaixo.

Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas é diversão competente e passageira, nada mais. É bom que fique bem claro que provavelmente nem de longe será um dos blockbusters mais memoráveis do ano. Se você for ao cinema sem muitas expectativas e esperando mais do mesmo, vai acabar se divertindo. Se não é o caso, melhor abandonar o barco.

CURIOSIDADES:

– Keith Richards volta a interpretar o pai de Jack Sparrow em uma rápida cena.

– Há uma cena depois dos créditos finais mas, sinceramente, nem vale a pena ficar para conferir.