O Bom Gigante Amigo

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Que os filmes mais recentes de Steven Spielberg não possuem a mesma relevância ou impacto que sua obra das décadas de 1980 e 90, não é segredo para ninguém. Contudo, O Bom Gigante Amigo gerou algum burburinho antes de seu lançamento por prometer ser a volta do diretor à fantasia voltada para o público infanto-juvenil. Afinal, estamos falando do cara que nos presenteou com E.T. – O Extraterrestre.

O longa chega agora aos nossos cinemas e, embora seja bonitinho, nos lembra mais uma vez que o Spielberg atual não é o mesmo de vinte ou trinta anos atrás. Este aqui é mais um que fica na média de seus filmes mais recentes. É bacaninha, mas está bem anos-luz do melhor que ele já fez.

Baseado num livro de Roald Dahl (o mesmo que também escreveu A Fantástica Fábrica de Chocolate e O Fantástico Sr. Raposo), conhecemos a menina órfã e insone Sofia. Uma madrugada, ao perambular pelo orfanato, ela vê um gigante lá fora. A criatura, ao ser avistada, resolve levar a garota para sua casa para que ela não conte ao mundo sobre sua existência.

Lá ela descobrirá que o Bom Gigante Amigo, ou simplesmente BGA, é o único de sua espécie vegetariano e responsável pela fabricação de sonhos. Os outros gigantes, contudo, praticam bullying com ele e, se encontrarem Sofia, irão devorá-la. Eles resolvem então bolar um esquema para se livrar dos gigantes malvados e dar um pouco de paz para o BGA.

A história é bem infantil e por isso mira apenas nas crianças menores. Há poucos atrativos para a garotada mais crescida ou para os adultos. Ainda assim, acredito que ele funciona suficientemente bem para agradar seu público-alvo. Possui um visual bastante colorido e caprichado e um bom ritmo para segurar a atenção da garotada.

Spielberg mostra que ainda tem lenha para queimar como diretor e cria alguns planos, como por exemplo aqueles em primeira pessoa do ponto de vista do BGA, bem bacanas e engenhosos. E ainda consegue dirigir crianças como poucos. A menina Ruby Barnhill está muito bem como Sofia, principalmente considerando que seria bem fácil esse papel descambar para uma personagem bem chata.

Contudo, uma coisa que me incomodou muito são os efeitos especiais. Eu já professei diversas vezes meu ódio eterno pelo uso sem parcimônia de CGI e este obviamente é o caso aqui. O visual de todos os gigantes parece muito emborrachado e, embora até dê para se acostumar com isso à medida que você vai entrando na história, há diversas cenas onde o CGI é simplesmente mal feito, com personagens se movimentando sem sensação de peso ou de maneira pouco crível. Para um filme deste porte, é algo indesculpável.

Estava considerando dar três Alfredos para o longa, mas quando começa o terceiro ato, a história dá uma bem-vinda virada, incluindo um elemento inesperado que acaba respondendo pelos melhores e mais engraçados momentos do filme. Isso acabou valendo mais meio Alfredo para a nota final.

O Bom Gigante Amigo é simpático e inofensivo, exatamente como o personagem que lhe dá nome. Não é por este filme que as gerações mais novas, que talvez não saibam o que foi Spielberg no auge, entenderão seu tamanho (sem trocadilhos). No entanto, como diversão passageira, especialmente para uma turminha mais nova, de seis a oito anos, funciona direitinho. Se você tem um pimpolho nesta faixa etária, vale a ida ao cinema.

CURIOSIDADE:

– Viu o nome original do filme? Quem vai ser o primeiro a dizer nos comentários o que mais é conhecido como BFG na cultura nerd?

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Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.