Nightwish em Porto Alegre (9/12/2012)

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Antes de falar sobre o show, uma história deve ser contada para que você, amigo delfonauta, compreenda as minhas conclusões sobre este show e, consequentemente, o estado atual da banda.

A TIS E O NIGHTWISH

Eu sei, todo mundo está de saco cheio das polêmicas que envolvem essa banda e seus integrantes, mas vou ser rápida e ir direto ao ponto, prometo.

Sou fã incondicional do Nightwish com a Tarja no vocal, não nego. Detestei a escolha da Anette Olzon e tudo piorou com o lançamento do Dark Passion Play, um álbum que, em minha opinião, foi todo escrito para a Tarja e teve que ser gravado com a pobre Anette se esforçando para aparecer naquele instrumental cheio de pompa. Eu juro que tentei dar uma chance a este trabalho, o ouvi duas vezes seguidas na íntegra e não fui convencida.

Por fim passaram-se anos desde a última vez que eu acompanhei algo sobre a banda, e então chegou até mim a informação de que um álbum novo e conceitual seria lançado. Você deve imaginar o quanto eu estava cética a respeito de tal lançamento. Aos poucos, fui acompanhando as informações sobre o álbum, assisti a alguns vídeos das gravações de corais e acabei criando interesse pelo novo trabalho.

Imaginaerum foi lançado e eu fui correndo conferir assim que tive a oportunidade. Pasme, delfonauta, a “tarjete” aqui gostou do resultado. Um álbum que voltou a experimentar coisas novas e bem moldado à voz da mulher à frente do microfone. Faixas empolgantes e baladinhas lindas como The Crow, the Owl and the Dove. Mas deixemos isso de lado, afinal isto é uma resenha do show, não do CD.

Em resumo, isto tudo me levou a ficar com muita vontade de assistir ao show de Porto Alegre, que estava marcado para o dia nove de dezembro de 2012. Mas algo ainda me impedia de investir meu sagrado e suado bacon no valor do ingresso: a vocalista.

Poxa, Tis, você não tinha superado isso?

Até tinha, delfonauta, mas quanto às músicas novas, especificamente do novo álbum. É claro que a banda não tocaria apenas as novas, então o que eu temia eram as músicas da “era” Tarja.

Então, algo mágico aconteceu. Todo mundo deu piti na banda, Anette acabou sendo chutada, e em seu lugar é anunciada Floor Jansen. Meus olhos brilharam! Para esta que vos fala, Floor sempre foi a escolha óbvia desde a saída da Tarja. Uma voz potente, treinada tanto em canto popular quanto lírico, com um histórico musical belíssimo no After Forever. Enfim, a escolha perfeita. Bastou ver alguns vídeos de apresentações da moçoila nos vocais do Nightwish para eu decidir que queria muito ir.

O SHOW

Um fato visível foi a venda de ingressos ter aumentado consideravelmente com o anúncio da Floor no vocal. Não preciso de números e grandes pesquisas para saber disso, pois boa parte das pessoas com que falei antes do show, na fila e durante o evento, me disse que só comprou o ingresso por este motivo. Isso resultou em uma fila bem grandinha em torno do local quando chegamos lá, 30 minutos antes do horário previsto para abertura das portas.

Estrelinha dourada para a produtora Urânio, que foi lindamente pontual neste momento, abrindo os portões na hora certa e já colocando a banda de abertura para trabalhar, já que a fila estava lenta por causa do pessoal que adquiria ingressos na hora.

Por falar na abertura, a função ficou nas mãos da banda Save Our Souls, formada por Melissa Ironn (vocais e teclado), Marlon Lago (guitarra), Jackson Harvelle (baixo) e Andrêss Fontanella (bateria). A banda se autodefine como gothic prog metal e eles são bastante honestos quando dizem isso. A apresentação agradou muito o público que respondeu aos esforços da banda aplaudindo bastante. Destaque à música The Judgement Day, pela qual eu tirei o chapéu.

Realmente, uma guria no teclado e no vocal ao mesmo tempo não é algo que se vê todo dia em bandas de metal.

ATRAÇÃO PRINCIPAL

Com um certo atraso nada prejudicial, o Nightwish subiu ao palco aos poucos, iniciando pelo baterista Jukka Nevalainen. Neste momento, minha garganta apertou, delfonauta. Nada se compara à sensação de ver a banda da sua vida pela primeira vez ao vivo. Naquele momento não importava tudo o que eu penso a respeito das confusões ocorridas dentro da banda, ou a minha opinião sobre o Tuomas como pessoa. Quando eu vi todos eles ali na minha frente, tudo isso pareceu quase invisível perto da grandiosidade musical que estava prestes a acontecer.

E aconteceu. Floor Jansen entrou e fez o Opinião tremer com a vibração do público. Deu para sentir que ela agradou a todos: gregos, troianos e encimadomurianos.

O setlist do show fez uma boa miscelânea entre a divulgação do novo álbum e as músicas antigas. Faixas dos álbuns Once, Century Child, Wishmaster e Over The Hills And Far Away foram selecionadas cautelosamente e todas funcionaram muito bem.

As músicas do álbum Imaginaerum, trabalho divulgado pela turnê, foram executadas com maestria. Todas elas ficaram ainda melhores ao vivo, com destaque para Song of Myself que foi apresentada ao público com toda a força que a canção merece.

Você deve estar se perguntando por que diabos eu dei quatro Alfredos ao show, se tudo até aqui parece um mar de rosas, não é? Pois bem, é hora de contar o que afastou este dragãozinho fofo da nota.

Muitos de nós estão carecas de conhecer a qualidade vocal de Floor Jansen e saber o que ela é capaz de fazer com aquele vozeirão todo. Pois bem. Algumas das canções antigas (aquelas da Tarja) estavam descaradamente abaixo do tom original, mesmo sabendo que a Floor tem toda a capacidade necessária para executá-las do jeitinho que elas são. Isso causou muita estranheza, e foi uma tremenda decepção, pois a impressão imediata foi a de que o Nightwish não estava sabendo tocar as próprias canções.

A explicação lógica para isso é a turnê ter iniciado com a Anette e obviamente as faixas em questão terem sido rearranjadas para a voz da moça. Provavelmente a banda não teve tempo de ensaiar os arranjos originais (ou até rearranjar, nunca se sabe) para a nova formação, o que nos leva a um Alfredinho a menos na nota e uma dorzinha no meu coração.

Os outros destaques do espetáculo ficam com Amaranth, do Dark Passion Play, que teve participação massiva da plateia (isso mostra que muita gente discorda do que eu penso sobre este álbum), The Crow, the Owl and the Dove e Ghost Love Score que foram lindas do início ao fim.

O que posso concluir de tudo isto, delfonauta, é que o Nightwish anda mais vivo do que nunca entre os fãs de todas as suas “eras”. Floor Jansen está agindo como uma ponte entre os dois mundos, que até então adoram perder tempo trocando farpas em redes sociais. Nos resta torcer para que Tuomas Holopainen, o Terror dos Funcionários tenha percebido isso.

SETLIST:

1. Storytime
2. Dark Chest of Wonders
3. Wish I Had an Angel
4. Amaranth
5. Scaretale
6. I Want My Tears Back
7. The Crow, the Owl and the Dove
8. Nemo
9. Last of the Wilds
10. Wishmaster
11. Ever Dream
12. Over the Hills and Far Away
13. Ghost Love Score
14. Song of Myself
15. Last Ride of the Day

CURIOSIDADE

– Como você pôde ver no setlist aí em cima, o show não teve pausa para o famoso bis. Isso causou uma confusão engraçada na plateia, que não tinha muita certeza se ficava ou ia embora, já que ninguém subia ao palco para ao menos iniciar a desmontagem dos equipamentos.

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