Krokus – Hellraiser

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O Krokus sempre foi conhecido como um clone do AC/DC. Um clone bem feito, é verdade, mas um clone assim mesmo. Entretanto, no decorrer da carreira dos caras (mais de quinze anos e vários discos), a “influência” dos australianos mais famosos que o Crocodilo Dundee foi diminuindo aos poucos e, segundo eles mesmos, já não era mais tão clara. Bem, eu ouvi este Hellraiser e realmente isso não é conversa fiada. Tem AC/DC sim, mas também tem mais do que isso, embora o “resto” também traga outras lembranças.

Tirando o negócio da originalidade de lado, o que temos aqui não é nada mau. Principalmente quando lembramos que o AC/DC demora uma cara para lançar novos discos e um bom Rock ‘n’ Roll faz bastante falta. O Krokus só está fazendo sua parte para um mundo melhor. Quem somos nós para criticar?

O meu principal problema com esse disco, antes de escutá-lo, foi aquele que alguém que conheça minhas resenhas já deve saber – excesso de músicas. Boas músicas de Hard Rock costumam ser curtas, mas 14 é muita música para um disco só. Certo, se você deixa o disco rodando e vai lavar louça é uma coisa, mas se você gosta de prestar atenção nas faixas individualmente, a coisa começa a ficar cansativa. Normalmente, pelo menos. Agora vamos ao recheio dele.

Hellraiser, a faixa de abertura, é bem empolgante e segue o estilo AC/DC. É seguida pela igualmente bacana Too Wired To Sleep. Na próxima, Hangman (que não parece nem um pouco AC/DC), aconteceu uma coisa engraçada: comecei a me lembrar de Led Zeppelin na hora em que ouvi o Marc Storace cantando o refrão Hangman! Hangman!. Levantei uma sobrancelha, balancei a cabeça pensando “Não, é impressão” e deixei o disco continuar. E, por falar em continuação, Angel Of My Dreams parece alguma baladinha que o Survivor teria feito, e é bem legal.

Agora voltamos para o AC/DC, com o riff inicial de Fight On. So Long também me lembra alguma balada oitentista. Na hora penso em como às vezes é chato conhecer tanta música, pois parece que tudo de inédito já foi feito e tudo o que eu ouço é alguma “inspiração” ou coisa que o valha. Só para comprovar o que eu estava pensando, a próxima faixa, Spirit Of The Night, soou parecida com Kill The King do Rainbow. Midnite Fantasy volta pro AC/DC, e continua nele com No Risk No Gain e Turnin’ Inside Out. Ótimas três músicas, diga-se de passagem.

Aí vem Take My Love, e eu novamente sinto alguma coisa parecida com o Robert Plant cantando. Será que é o jeito que ele canta no final das palavras? Segue mais uma parecida com AC/DC chamada Justice e eu tiro o Led Zeppelin da cabeça outra vez.

E peraí, pára tudo! Cover de Kashmir? Não, uma tal de Love Will Survive. Música estranha, mas muito legal. O refrão puxa para um Hard Rock no estilão do AC/DC e depois volta para aquele riff inconfundível de Kashmir… E o desgraçado do vocalista ainda me lembra um Robert Plant. A saideira é com Rocks Off, música mais diferente do disco e com a maior cara de Aerosmith dos anos 90. Só não precisava fechar com um arroto, né? Ou foi para homenagear Eat The Rich, da banda do Steven Tyler?

Talvez eu esteja ficando maluco… Ou não? Alguém mais ouviu o CD e lembrou do monte de coisas que eu lembrei? Nas resenhas que li dele, até por curiosidade, ninguém falou nada. Nem do riff claramente “emprestado” de Kashmir!

Ah, e no final tenho que engolir minhas palavras com a quantidade de músicas: o disco prendeu minha atenção até o final, e eu me diverti pacas com ele, mesmo pensando em coisas como “Onde é que já ouvi isso?”. E diversão é exatamente o que um bom Hard Rock tem que proporcionar!