Iron Maiden – The Number of the Beast

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Quando pensamos em fazer esse especial 666 para comemorar a vinda de Satã à nossa terra, neste dia 6 do 6 de 2006, (é óbvio que estou brincando, mas só para garantir, vou dizer com todas as letras: o DELFOS não é um site satanista), escrever sobre este álbum foi uma das primeiras coisas que me veio à mente, dada sua relação com o número em questão.

Um dos discos mais famosos do Iron Maiden, The Number of the Beast pode ser considerado por vários motivos um divisor de águas na história do (atual) sexteto inglês (que nada tem a ver com o Monty Python). É o primeiro lançamento com Bruce Dickinson nos vocais, é o último com o baterista Clive Burr, marca o início do estilo mais melódico do grupo e, provavelmente o item mais importante, é o álbum no qual o Maiden se baseou para criar toda a sua mitologia e suas estratégias de marketing.

Assim que foi lançado, as polêmicas já começaram, com pessoas acusando a banda de ser satanista. Embora todos os membros da banda já tenham declarado inúmeras vezes que não, não são adoradores do tinhoso, eles nunca pensaram duas vezes em aproveitar sua relação com o 666 para fazer o seu marketing. Basta ver o título de lançamentos posteriores como a coletânea Best of the Beast e o DVD de videoclipes Visions of the Beast, sem contar que até o espertinho ex-vocalista, Paul Di’Anno, que não teve nenhuma participação concreta no álbum, mas que nunca conseguiu ficar muito tempo sem lembrar todo mundo que ele já fez parte do Iron Maiden, não pára de lançar sub-produtos com títulos como The Beast in the East. Afinal, também quer pedaços desse bolo que, como o fígado de Prometeu, parece se regenerar eternamente.

Não satisfeitos com os lançamentos, vira e mexe alguém da banda ou relacionado a ela aparece na imprensa contando alguma historinha relacionada ao número do Damien. Agora de cabeça, me lembro de duas: um conserto do carro de alguém que custou exatamente 666 libras e o caso de quando o substituto de Dickinson, Blaze Bayley, caiu da moto, olhou a quilometragem e estava exatamente 666 milhas. Enfim, se essas histórias são verdadeiras ou não é irrelevante (embora para mim seja puro marketing – e não vejo nada de errado com isso), mas elas fazem parte da mitologia que o Maiden criou para si desde o lançamento deste álbum.

Curiosamente, apesar de toda essa importância, poucas pessoas consideram este o melhor disco dos caras. A formação considerada clássica teria seu início no disco seguinte, Piece of Mind, e lançaria então, os discos mais celebrados pelos fãs (para quem se interessar, o meu preferido varia entre o Somewhere in Time e o Seventh Son of a Seventh Son). O The Number of the Beast acabou entrando para a história como um disco famoso e um dos melhores da banda, mas dificilmente considerado O tremendão. De qualquer forma, ele realmente é muito bom e fãs de Rock devem tê-lo em sua coleção (então aproveite para comprá-lo aqui), pois traz músicas muito boas e letras melhores ainda. Se você já tem o disco, que me diz de ouvirmos juntos? Eu espero você colocar o disco aí. Pronto? Então me acompanhe em um tradicional faixa a faixa.

Os Vikings são muitos e muito fortes para nós / Precisamos de reforços, não podemos vencer esta batalha sozinhosInvaders

Essa é uma daquelas pérolas que quase ninguém conhece, mas os que conhecem costumam gostar. Aparentemente, nem a própria banda acreditava no potencial desta faixa e nunca a tocou ao vivo (o mesmo caso de outra preferida dos fãs, Alexander the Great). É uma pena, pois Invaders é rápida, empolgante e divertida, além de marcar bem o estilo que o Maiden seguiria desde então, com músicas que lembram bastante as trilhas sonoras de games dos anos 90 (bons tempos, né, Guilherme?). A letra fala de uma batalha entre os vikings e os saxões, na qual os primeiros massacram os segundos.

Ele está andando como um homem morto / Se ele vivesse, teria crucificado todos nósChildren of the Damned

Admito que nunca fui um grande fã das baladas do Iron. A única que realmente acho tremendona é Infinite Dreams. Por causa disso, sempre tive o hábito de pular essa música. Curiosamente, depois de alguns anos sem tocar este disco, fui ouvi-lo para escrever essa resenha e não é que eu até gostei dela? Está muito longe de ser o destaque do disco, mas está ainda mais longe de ser a porcaria que eu me lembrava que era (e aposto que nesse momento, uns manes vão xingar a família Corrales até a décima geração – se você é um deles, por favor leia este texto). Na verdade, é até uma música legalzinha, mas nada além disso.

Eu não sou um número, sou um homem livre / Eu vou viver minha vida como quiserThe Prisoner

Agora sim estamos falando do Maiden em sua melhor forma. The Prisoner traz, pela primeira vez, aqueles refrões absurdamente melódicos cantados em dueto de Bruce com o guitarrista Adrian Smith. Para quem nunca ouviu esse disco ou essa música, posso dizer que é o mesmo estilo do refrão de grandes clássicos como Flight of Icarus, Aces High e Wasted Years e o tipo de coisa que eles não fazem mais atualmente, sabe-se lá por quê. A letra fala de um seriado de TV onde os prisioneiros eram identificados por números, não pelos seus nomes. O diálogo do início é extraído dessa série. Uma curiosidade é que The Prisoner foi regravada pela banda Fozzy e os caras refizeram eles mesmos o diálogo do início. Ficou deveras engraçado.

Você acha que por causa do que você está ganhando a sua vida é boa / Você não percebe que está machucando aqueles que a amam?22 Acacia Avenue

Essa é, na minha nada modesta opinião, uma das melhores músicas do Iron Maiden. Sua letra fenomenal é a segunda parte da história da prostituta Charlotte (que tem nas músicas Charlotte the Harlot e From Here to Eternity mais duas partes). Aqui a história é contada por diversos pontos de vista. Temos desde um cliente indicando a guria para aqueles que procuram por diversão até alguém que gosta dela e com quem ela acaba fugindo para abandonar sua profissão. Claro que isso não adianta muito, já que ela vai eventualmente acabar casando com o grande homenageado deste especial (Satã, é claro), na já citada From Here to Eternity.

A parte musical também não deixa nada a dever. Em menos de sete minutos, ela muda várias vezes, mas mantém sua qualidade sempre a mais alta possível. É curioso que hoje em dia, 90% das músicas do Maiden são mais longas que esta, mas nenhuma delas tem tantas variações – basta lembrar da repetição do refrão da The Angel and the Gambler e das dezenas de músicas com mais de oito minutos cuja única variação é a mudança da parte lenta para a rápida. Acredito que se o Maiden compusesse 22 Acacia Avenue hoje, a desmembraria em várias músicas e faria um disco todo só com ela. Felizmente, nessa época, eles ainda não eram tão preguiçosos e temos aqui um ótimo exemplo da riqueza lírica e musical que é esse estilo que aprendemos a amar: o Heavy Metal.

666, o número da besta / O Inferno e o fogo foram criados para serem liberadosThe Number of the Beast

Chegamos à faixa título, uma das músicas mais famosas da banda, um dos grandes clássicos do Metal e blá blá blá, mas só para manter minha fama de ser do contra, nunca achei ela grande coisa. Considero esta música um Heavy Metal bem genérico e, embora saiba que uns animais sem capacidade de dialogar vão me xingar por falar isso (se você discorda e for capaz de se manifestar civilizadamente, não entra nessa descrição), acredito que ela só se tornou famosa por causa da polêmica do seu tema que, convenhamos, nem é grande novidade.

A idéia para a letra veio da mistura de um pesadelo de Steve Harris com o filme A Profecia. Apesar de tanta polêmica, trata-se de uma simples descrição do Apocalipse, mais ou menos como é feita na Bíblia, ou seja, se o Maiden é satanista por descrever o assunto, a Bíblia também é. Uma curiosidade é que a frase que abre a música é um trecho do livro do Apocalipse e foi utilizada também no filme do Damien. Ai de nós quando essa criança nascer (se é que não nasceu ainda).

Vendendo whiskey e pegando o ouro / Escravizando os jovens e destruindo os velhosRun to the Hills

Outro grande clássico do Metal e dessa vez um que eu gosto. Novamente temos o refrão melodioso que se tornaria a característica principal do Maiden nos anos 80 e que faria muitos fãs perderem a voz ao entoarem a plenos pulmões até hoje nos shows Run to the hills, run for your lives. Se você nunca teve essa experiência, ela é altamente recomendável.

A letra, uma das mais conhecidas da banda, retrata a invasão da América do Norte pelos europeus e a chacina dos índios indefesos perpetrada pelos cara-pálidas. Malditos homens brancos!

As sombras podem esconder você, mas também podem ser seu túmuloGangland

Essa é a grande mequetrefe do disco. Nunca conheci ninguém que falasse que Gangland é sua música preferida. A própria banda já declarou várias vezes que ela deveria ter sido substituída pela Total Eclipse, mas falamos mais sobre essa depois.

Escreva minhas palavras, por favor acredite, minha alma vive eternamenteHallowed be Thy Name

Talvez o maior clássico do disco e uma das unanimidades entre os fãs. Hallowed be Thy Name é daquele estilo “começa lenta e termina pesada” no qual a banda viria a fazer quase toda sua obra atual. A diferença é que nessa época isso era ainda novidade e até hoje a galera delira na hora do famoso “running low” (a parte que marca a mudança na velocidade). Não tem muito que falar sobre essa, é simplesmente uma música fenomenal.

A letra fala sobre um inocente condenado a morrer na forca e retrata bem todos os passos de sua morte. Começa triste, passa para o pavor e finalmente temos a aceitação e a mensagem final: a alma vive para sempre e a vida aqui embaixo é apenas uma ilusão, santificado seja Vosso nome (Hallowed be Thy Name). É curioso que um disco com tamanha fama de mau termine com uma mensagem tão positiva e justamente com uma frase que é uma das mais conhecidas dos rituais católicos. Mas eu não consigo pensar em uma forma melhor de terminar. Você consegue?

Como todo mundo deve saber, vira e mexe o Maiden relança toda a sua discografia. Desses relançamentos, dois são os mais interessantes. A que eu prefiro, e a que eu tenho, é uma versão com um CD de bônus lançada em 1995. O CD extra tem apenas duas músicas (que seria bem mais legal se tivessem sido incluídas no primeiro, pois tem espaço de sobra), uma delas é a balada do primeiro álbum Remember Tomorrow em uma versão ao vivo e a outra é talvez o lado B mais famoso da história: Total Eclipse. O outro relançamento, mais recente, tem a Total Eclipse no mesmo CD principal, um encarte mais bonitinho e uma faixa multimídia com clipes e coisas do tipo.

Total Eclipse é uma sobra de estúdio que, ao ser lançada como lado B de um single, fez um sucesso absurdo. Isso fez com que a banda se arrependesse de tê-la deixado de fora e inclusive já declararam várias vezes que a que deveriam ter descartado é a Gangland. Particularmente, não acho Total Eclipse grande coisa, mas claro, uma música a mais é sempre bem vinda.

Puxa, há muito tempo não escrevia uma resenha de CD tão grande. De qualquer forma, foi legal relembrar este disco que estava praticamente acumulando pó na minha imensa coleção de CDs. Espero que você tenha se divertido com essa resenha e, quem sabe, compartilhado comigo um sentimento de nostalgia ao relembrar este grande clássico do Metal e lembrar, ao mesmo tempo, como o Iron Maiden já foi legal um dia. Divirta-se com o restante do Especial 666. Só espero que o Anticristo não interrompa a programação.

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Nota
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Alfredo é um dragão nerd que sonha em mostrar para todos que dragões vermelhos também podem ser gente boa. Tentou entrar no [[DELFOS]] como colunista, mas quando tinha um de seus textos rejeitados, soltava fogo no escritório inteiro, causando grandes prejuízos. Resolveu, então, aproveitar sua aparência fofinha para se tornar o mascote oficial do site.