Exclusiva: Massacration – Bruno Sutter

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Alfredo, Alfredo de la Mancha, Delfos, Mascote, Alfredão, Delfianos

Introdução por Guilherme Viana. Perguntas por Bruno Sanchez.

Agora, com vocês, a segunda parte da entrevista (confira a primeira parte aqui). Desta vez quem responde é o Bruno Sutter, o sujeito por trás do gogó do Detonator. Para quem não sabe, ele também participa do Death Tribute, banda cover do Death.

Bruno, deixando um pouco as brincadeiras de lado, como surgiu a idéia do Programa Hermes & Renato?
Tínhamos como hobby fazer gravações na casa de Fausto Fanti, de onde acabamos mandando este material, despretensiosamente, para a MTV em 1999. O pessoal da emissora gostou e fomos convidados a participar da grade de programação.

O humor de vocês sempre foi levado para o lado mais extremo da coisa. Quais as principais inspirações da trupe?
Amigos Malucos, TV Pirata, Trapalhões, Monty Python e as obras de Roberto Gomes Bolaños (Chespirito, Chaves, Chapolin, etc)

Como surgiu a possibilidade de levar o programa à MTV?
Já respondi lá em cima, burro.

Pelo estilo de humor que vocês fazem, já sofreram alguma censura ou veto de algum quadro?
Somente de um filme do Tela Class que contava a história de um padre pedófilo e um coroinha. O filme não passou e está guardado a sete chaves.

Existe alguma brincadeira que fizeram e se arrependeram depois?
Não que eu me lembre.

O que você acha da atual situação do humor na televisão brasileira?
Sinto que o humor no Brasil está tentando se renovar e encontrar caras novas para sair daquele formato antigo e viciado (o próprio Hermes e Renato é um exemplo disso), mas isso leva tempo.

Como surgiu a idéia do Massacration?
Um dia o Fausto estava com um violão e começou a tocar um riff. Comecei a dar uns agudos e de cara nasceu a Aruê Aruô (Metal Massacre Attack). Ficávamos tocando aquela música toda vez que tinha uma rodinha de amigos de brincadeira. Um dia quando estávamos gravando a temporada de 2002, que satirizava vários estilos musicais, lembramos daquela música e assim nasceu o Massacration.

Lembro quando o Massacration começou no Programa Hermes & Renato com a Metal Massacre Attack. Quando vocês realmente chegaram à conclusão que dava para levar a idéia adiante?
O João Gordo botou muita pilha na época para fazermos mais músicas. E um dia por convite do Iggor Cavalera começamos a fazer turnês com o Sepultura. Aí o resto é história.

A banda tem muitos fãs, mas também existem aqueles que torcem o nariz e dizem que vocês tiram o espaço de bandas “verdadeiras”. Como vocês encaram estes questionamentos?
Com naturalidade. Isso é normal. A polêmica é bem vinda, pois se o Massacration não fizesse sucesso, não haveria esses questionamentos. Não tiramos espaço de ninguém, pois não somos uma banda de Heavy Metal, somos um grupo de humor que tem um personagem fictício que por coincidência toca metal. Não é porque temos um programa de televisão que vamos morrer na televisão. Podemos fazer teatro, cinema, novela e shows musicais.

Lembro que o primeiro grande show do Massacration foi no Sepulfest de 2004. Como rolou o convite para a apresentação?
Já está respondido lá em cima, burro.

Como foi trabalhar com o João Gordo no primeiro álbum?
Foi muito tranqüilo. Tinha que ser ele a produzir nosso disco, pois ele foi o primeiro “padrinho” do Massacration ao incentivar a banda a continuar compondo músicas.

Vocês esperavam que, comercialmente, o álbum desse bons resultados?
Não sei. Na época tudo era favorável. Tínhamos o programa Total Massacration, fazíamos shows com o Sepultura. Na verdade, da maneira que foi… Sim, foi inesperado, pois fomos a banda de Heavy Metal que mais vendeu naquele ano no Brasil.

Tirando você, que realmente canta ao vivo, como vocês se organizam para os shows?
Toda a banda toca ao vivo

Quais dos “personagens” também tocam ao vivo?
Fausto e Marco (Blondie Hammett e Metal Avenger)

Quais são as inspirações para as letras?
Metal, suas peculiaridades e comida.

No caso específico do Massacration, vocês consideram o tipo de humor que fazem comparável a bandas como os Mamonas Assassinas?
Não, pois o Massacration é uma piada muito específica. Não atrai quem não gosta de Metal para os shows. È uma brincadeira somente com o Heavy Metal.

Dadas as devidas proporções, como você encara discursos de bandas como Manowar declarando amor eterno ao Metal e aos fãs, mas nem sempre reproduzindo isso na vida real?
Natural e engraçado. Eles não se levam tão a sério como os fãs acreditam

Você acha que o Manowar é uma espécie de Massacration que se leva a sério?
Sem dúvida.

Algum músico de alguma banda de Metal já se sentiu ofendido com o trabalho de vocês e veio tirar satisfações?
Não, muito pelo contrário. Eles entendem e têm a inteligência suficiente de curtir a brincadeira.

Na parte instrumental da coisa, sabemos que nem todos os humoristas do Hermes & Renato tocam instrumentos musicais. Quem é o principal compositor da banda e toca ali de verdade?
O núcleo musical do Massacration em termos de composição e execução é Fausto, Marco e eu. Mas dentro do universo de sátiras musicais em geral todo o grupo participa com pesquisa e criação das letras.

Como rolou a oportunidade de trabalhar com o Roy Z?
Através do nosso empresário e amigo Renato Tribuzy.

E como foi a idéia de gravar com o Sérgio Mallandro?
Ele já havia participado de alguns quadros do programa, e isso foi mais ou menos na mesma época que estávamos compondo as músicas para o primeiro disco. Ficamos empolgados em conhecê-lo e fizemos uma música pra ele. Ele topou e gravou conosco. Foi muito honroso para nós ter um ídolo de infância em nosso disco

Vocês pensaram em colocar ele para cantar alguma coisa além de “yeah, yeah”?
Além do “yeah, yeah” tem um improviso no final da música, burro.

Já rolaram convites para levar o Massacration ao cenário internacional?
Não. Creio que a piada é muito difícil de ser entendida fora do Brasil. Apesar de quê, sabemos que temos fãs na América do Sul por intermédio do nosso Myspace

Você é um grande fã de Metal e cabeça do excelente projeto Death Tribute, que tem consentimento inclusive da mãe de Chuck Schuldiner. Como está o projeto?
Por enquanto está parado devido à grande carga de trabalho que tenho junto ao H&R, mas sinto saudades e assim que tiver umas férias voltaremos a tocar.

É possível conciliar o trabalho em uma banda séria com uma banda escrachada?
Sim, totalmente. Os fãs do Death, por exemplo, nunca me questionaram quanto a isso.

Você convive e conhece músicos de diversas bandas. Quais são as principais dificuldades que as bandas nacionais encontram?
A falta de apoio das gravadoras e a pirataria que está minando todas as possibilidades de uma banda ter uma sobrevida dentro da música.

Tocando em um ponto bastante polêmico. O que você acha de donos de revistas empresariarem bandas e organizarem shows?
Natural. Cada um trabalha com as armas que tem.

Todos dizem que os CDs estão morrendo, ao mesmo tempo em que o download de MP3 cresce exponencialmente. Como você vê o futuro do comércio musical?
Os CDs já morreram. Só esqueceram de fazer o funeral. Digamos que os CDs são zumbis. Vejo que a música vai cada vez mais se tornar menos física e mais virtual. É o preço que se paga pela modernidade. A internet é o principal ponto de divulgação de um artista. Imagino que o mercado de celulares possa tomar essa fatia de mercado, e estes serão os novos mecenas da música no futuro.

Deixe uma mensagem para o DELFOS.
Não levem a vida muito a sério porque ela é uma palhaçada. Aqueles que a levam a sério é que são os verdadeiros palhaços.