Cinderela

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Todo mundo que vive no planeta Terra conhece a história de Cinderela, um conto de fadas tão podólatra que não me surpreenderia nem um pouco se anunciassem que essa nova versão seria dirigida pelo Quentin Tarantino estrelando os pés da Uma Thurman.

Mas ao invés disso temos o diretor do primeiro Thor e uma loirinha que eu nunca vi na vida no papel principal. Mas antes de entrar de cabeça na resenha do prato principal, é preciso dizer que aqui também tivemos a exibição de um curta de animação como entrada.

A AVENTURA CANTANTE CONTINUA

O delfonauta vai me desculpar, mas esqueci o nome do curta. Acho que era algo como Festa Congelada ou algo desse naipe (segundo pesquisa posterior no IMDb, o nome certo é Frozen: Febre Congelante). Acontece que eu estou com uma baita gripe e entupido de remédios, o que provoca em meu cérebro algumas reações adversas, como lapsos de memória, por exemplo.

Só para você ter uma ideia, na noite anterior à cabine, sonhei que Slash e Axl Rose tinham feito as pazes e voltado a tocar juntos, apresentando uma versão matadora de Sweet Child O’ Mine do alto de um prédio. Eu acordei quando Axl escorregou e caiu lá de cima berrando “sha-na-na-na-na-knees!”. Isso é estranho por dois fatores. Primeiro, essa parte é de outra música, como você bem sabe. E segundo, eu nem sou tão fã assim de Guns N’ Roses para que eles povoem meu subconsciente. Isso prova que eu não estou no meu melhor estado mental esses dias.

Mas eu divergi do assunto. Voltando ao curta, ele é estrelado pela galerinha de Frozen. Elsa e o resto da turma estão planejando uma festa de aniversário para Anna, mas Elsa, ironia das ironias, fica gripada, ganhando toda minha solidariedade. E mesmo assim isso não a impede de cantar. Como eu achei Frozen bem mé, o curta é farinha do mesmo saco, principalmente porque ele é basicamente um número musical. Mas quem gostou do desenho deve se divertir justamente revendo todos os principais personagens envolvidos em mais um pouco de cantoria. Escolha a opção que lhe agrada mais.

EU NÃO SEI CONDUZIR, SOU UM GANSO

Agora sim, passemos à Cinderela. Trata-se da história clássica, conduzida à risca e em live action, nada mais, nada menos. Simples assim. Todos os elementos conhecidos estão presentes. A madrasta má, a fada madrinha, os sapatinhos de cristal, está tudo dentro dos conformes.

Se para quem conhece o conto de fadas, o desenrolar da trama não é nenhuma surpresa, ao menos ele tem duas vantagens. Seu visual é grandioso, de encher os olhos. Colorido, superproduzido e imponente em seus cenários e figurinos, lembra bastante produções das antigas, de suntuosidade visual e produção caprichada.

A outra vantagem é que aqui não há cantoria, ainda bem. Até porque a personagem já foi parte importante de Caminhos da Floresta, que estava em nossos cinemas até outro dia, então pelo menos não cai na repetição de ter dois produtos similares lançados com poucos meses de diferença.

O filme é bem respeitoso com a história em sua forma mais conhecida, logo, ele é mais inocente, desprovido de malícia, o que é bom e cada vez mais raro em histórias infanto-juvenis. Não é muito atraente para os adultos, mas é bom para crianças pequenas.

E o longa até explica a origem do nome da personagem, algo que eu nunca tinha pensado que tivesse uma explicação e até então achava que era só um reles nome. Mas faz todo sentido com o fato de que no Brasil essa história também é conhecida como A Gata Borralheira. Nunca tinha parado para pensar nisso. Viu só, até aprendi alguma coisa nessa cabine, e nem foi uma lição de moral!

Destacam-se as atuações de Cate Blanchett, totalmente canastra (no bom sentido) como a madrasta malvada e Helena Bonham Carter como a fada madrinha um tanto excêntrica. Pena que ela só aparece em uma cena, pois é a partir dela que o longa fica bem mais divertido.

Se o objetivo era criar uma versão com gente de carne e osso de encher os olhos da história que gerações anteriores conheciam apenas como animação, pode-se dizer que o objetivo foi cumprido. Assim, Cinderela não tem muitos atrativos para os adultos além dos impressionantes aspectos técnicos. Mas para levar os pequenos, que ainda estão dando seus primeiros passos no mundo dos contos de fada, e apresentá-los a esta clássica história, é um bom programa.

REVER GERAL
Nota
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Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.