Annihilator – Metal

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Alfredo, Alfredo de la Mancha, Delfos, Mascote, Alfred%23U00e3o, Delfianos

O Annihilator não tem grande notoriedade fora do meio metálico, apesar de ser um dos medalhões do estilo, mais especificamente do Thrash/Speed. Jeff Waters nunca foi dos chefes mais agradáveis, gerando constantes mudanças de formação na banda. Desta vez, parece que ele sossegou o facho e se concentrou no principal, a música. Gravando guitarra, baixo e cantando em Operation Annihilation, Jeff continua quase com a mesma formação dos últimos álbuns: Mike Mangini (o baterista mais rápido do mundo) e Dave Padden (vocal e algumas partes de guitarra).

Antes do lançamento foram anunciadas várias participações especias de integrantes de bandas como Nevermore, Arch Enemy, Children of Bodom, In Flames, Trivium, Lamb of God, entre outras, todas amigas, fãs e influenciadas pelo Annihilator. Não pense que estas participações alteraram a sonoridade da banda, pois os caras mantêm o mesmo direcionamento de Schizo Deluxe.

Clown Parade abre o álbum com uma ótima performance da banda e duelos da guitarra de Jeff Waters e de Jeff Loomis (Nevermore). O resultado é um Thrash violento e com fortes melodias, como o Annihilator sempre fez e ainda conta com um refrão grudento e viciante.

Couple Suicide segue o bom ritmo do álbum, apesar de soar mainstream na primeira audição. Traz uma curiosa “inversão de papéis” com Danko Jones (da banda canadense de Rock Danko Jones) e seus vocais quase limpos contrastando com os guturais da totosa Angela Gossow (Arch Enemy). Uma música mediana mas com este atraente diferencial.

Army of One vem para, como disse o Iced Earth, prestar “tributo aos deuses”, começando com a participação de Steve ‘Lips’ Kudlow (Anvil, veterana banda canadense), nos vocais. Essa foi uma tentativa bem sucedida de criar um hino instantâneo, pois é uma música fácil de decorar além de berrar nomes de bandas como Anthrax, Motörhead, Slayer, Judas Priest, Metallica, Megadeth, Iron Maiden e Black Sabbath, entre outros termos muito usados como: old school e underground. Mais uma música para o rol das músicas mais Manowar, que o Manowar não compôs, junto com Heavy Metal Universe do Gamma Ray.

Downright Dominate começa com um riff que lembra muito o ínicio de carreira dos caras e segue até o pequeno duelo de Dave e Alexi Laiho (Children of Bodom) nos vocais. Nenhuma novidade nesta faixa, mas é uma boa porrada. Destaque para o monstro Mike Mangini.

Smothered é uma faixa razoável, apesar de trazer Anders Bjöler (ex-At the Gates, The Haunted), pois não traz um peso extra ao Annihilator, contando somente com curtos (e medianos) solos.

Operation Annihilation, com um título que lembra os saudosos filmes do Steven Seagal, conta com Jeff no vocal e o exímio Michael Amott (Carcass e Arch Enemy), nas guitarras. É uma música cadenciada para os padrões do Annihilator e a história só muda com os solos de Amott e a quebradeira de Mangini.

Haunted, a faixa mais longa do álbum, na primeira metade é um Thrashão de primeira, contando com quebras de ritmo e ótimos vocais de Dave, além de mais uma participação: o guitarrista Jesper Strömblad (do In Flames e ex-batera do Hammerfall), faz solos bem rápidos e legais. Começando uma parte cadenciada, levada por um riff envolvente de Jeff Waters e vocais limpos de Dave e voltando gradativamente, com um belo solo, para a quebradeira costumeira.

Kicked é uma pérola. Começa suave, levada por um baixo despretensioso, para tornar-se um “treme-terra”. quem está acostumado com Annihlator só vai estranhar um pouco os solos de guitarra, pois estes têm a marca (não tão) registrada assim de Corey Beaulieu (Trivium). Música bem agressiva e não tão melódica como é de costume na banda, exagera em algumas partes que remetem ao Slayer. Bom trabalho de produção e do baixo que é audível durante toda a música.

Detonation é a próxima. Mike Mangini é rápido? Não duvide, mas isso não faz dele o melhor. Um riff simples conduz ao refrão clichê ao extremo. Afinal, que banda não tem alguma música com “ation” no final? Ainda mais as de Thrash. Boas performances vocais do convidado Jacob Lynam (da banda americana de AOR: Lynam), que contribui com vozes limpas, e de Dave, com guturais cada vez melhores. Tem no solo influências do AC/DC (banda favorita de Jeff Waters).

Chasing the High é um destaque absoluto do álbum. Porrada maravilhosa, comparável a grandes clássicos como Brain Dance, Stonewall e Alison Hell. A participação de William Adler (Lamb of God) deu ainda mais peso à canção. Solos inspiradíssimos desfilam durante toda a música, não somente velozes, mas melodiosos também. Os solos são “inspirados” por antigos solos de grandes clássicos como os citados acima. Perseguindo o topo e chegando muito perto.
A parte gráfica traz imagens simples, porém bem feitas, todas envolvendo metal, literalmente. Com armas e correntes, lembra um pouco o Doomsday Machine, do Arch Enemy, nesse quesito.

Jeff e seu Annihilator continuam no topo do Thrash Metal, mesmo sem grande divulgação, até mesmo pela mídia especializada. Mais um grande lançamento de 2007, que conta com ótimos álbuns de Rush, Megadeth, Destruction e Therion, entre outros. É aguardar e ver se o Annihilator passa pelo Brasil. Para finalizar, um comentário mais saudosista: a nota só não foi maior porque esse álbum não grudou tanto na minha cabeça como os primeiros lançamentos da banda.