Depois de Wolfenstein: The New Order, tivemos uma continuação mais modesta chamada The Old Blood antes da gloriosa continuação completa. Agora temos novamente um lançamento secundário enquanto esperamos ansiosamente pelo ainda não anunciado Wolfenstein 3. Esta é nossa análise Wolfenstein Youngblood.

ANÁLISE WOLFENSTEIN YOUNGBLOOD

The Old Blood (sacou a relação no título com este?) era uma prequência, mas seguia direitinho a fórmula do anterior. Ainda era uma aventura single player focada na história. Youngblood mexe bastante nesta fórmula vitoriosa. Você, delfonauta bem informado que é, obviamente sabe que Youngblood é o primeiro Wolfenstein construído para ser jogado em cooperativo. As diferenças, porém, são muito mais profundas.

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Aqui, Wolfenstein se rende à mania dos RPGs. Inimigos têm níveis, o que torna praticamente impossível vencê-los se eles estiverem acima do seu. Por outro lado, quando você sobe de nível, todos os inimigos mais fracos do jogo upam com você, o que significa que seus ataques causam sempre o mesmo dano. Na prática, subir de nível serve para você conseguir acessar áreas mais avançadas, não para deixá-lo mais poderoso.

Com isso, houve a principal diferença no gameplay: os nazistas agora são esponjas de balas. Quase todos têm um de dois tipos de escudos. Eles são representados por quadrados ou linhas em suas barras de energia. Para quebrar os escudos e vencê-los, é necessário usar armas com o mesmo tipo de dano. Até aí tudo bem. O problema vem no fato de que os que têm escudos quadrados exigem pentes e mais pentes descarregados até morrerem. Em geral, eles têm mais vida do que você tem munição. E isso faz com que seja necessário passar correndo por eles, ao invés de encará-los.

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Sempre que você avistar alguém com quadrados na vida, fuja!

Isso porque não falei dos chefes. Estes são de longe a pior parte do jogo pelo mesmo motivo: eles demoram muito para caírem. O último, inclusive, fez com que eu terminasse Wolfenstein: Youngblood com um gosto amargo na boca, de tão terrível que foi a batalha.

Pense nos chefes dos assaltos de Destiny. É basicamente a mesma coisa. Adicionando insulto à injúria, se você morrer no chefe, se houver um checkpoint nele (o que não é garantido), o vilão recupera toda a vida, mas você não recupera sua munição. Em alguns casos é pior ainda. Morrer no chefe faz voltar toda a fase desde o início.

Simplesmente faltou cuidado com o design e o equilíbrio no combate, o que é uma pena.

ROTINA DO CASTELO WOLFENSTEIN

A rotina do jogo também é bastante diferente. Os anteriores eram jogos lineares em fases com foco na história. Aqui funciona assim: depois de duas fases de abertura, você chega à sua base, onde é apresentado ao seu objetivo. Invadir três torres chamadas de “Irmãos” e hackear seus computadores. Porém, os NPCs avisam que você ainda não está pronto para fazer isso, e de fato as missões aparecem no seu quest log com uma caveirinha. Você precisa subir de nível, e para isso é necessário fazer várias sidemissions.

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A partir daí, o jogo funciona basicamente como um RPG de mundo aberto. Ao invés de ter um único mapa enorme, no entanto, há três distritos divididos em duas ou três áreas cada. Ao colher as missões, você vê o nível delas e onde elas acontecem. Escolha uma próxima ao seu nível, se teleporte para a área apropriada e siga os waypoints.

Em geral, elas se resumem a chegar ao objetivo e interagir com alguma coisa. Ou seja, nunca são muito interessantes. Faça isso até chegar ao nível 20, e então poderá invadir as torres e fazer as três missões de história (que são bem melhores). Depois das três, tem a missão final e acabou.

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Wolfenstein: Youngblood é um jogo bem curto, o que não é necessariamente um problema. O que é um problema são estes portões arbitrários colocados aqui para aumentar sua duração. As sidemissions e o sistema de RPG servem apenas para isso, e nunca são usados para melhorar o gameplay ou deixá-lo mais interessante.

Eu cheguei ao final em 11 horas, fazendo 60% das sidemissions. Se fosse apenas uma missão de história depois da outra, como nos Wolfenstein anteriores, ele provavelmente duraria umas cinco ou seis horas, mas seria muito mais recomendável.

TERROR SISTERS

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Estou ficando cansado desses jogos copiando a decoração da minha casa.

gameplay, felizmente, ainda é gostoso. Desde que você não tente matar todos os inimigos com vida quadrada, é claro. O tiroteio funciona bem e diverte. O visual é impressionante – e olha que nem tem suporte a HDR.

Há pouca história, mas o pouco que tem é bacana, especialmente pelo carisma das duas protagonistas. Elas são jovens mulheres bem bobas, com um senso de humor que eu classificaria como Bill & Ted feminino, o que me agrada bastante.

O coop, principal diferencial e ponto de venda de Youngblood vai depender muito de você ter um amigo com uma agenda parecida com a sua. A Edição Deluxe do jogo (que custa 50 reais a mais), permite jogar online com um amigo que não tenha comprado, o que é bacana. Porém, não é possível fazer coop de sofá, é necessário ficar cada um na sua casa e combinar horários.

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Dá para jogar com aleatórios também. Eu fiz minha campanha inteira com o jogo em aberto, mas só recebi “visitas” cerca de cinco vezes. Então ou não tem muita gente jogando ou o matchmaking não é muito eficiente.

Para piorar, quando alguém entra no seu jogo, ele não popa do seu lado, mas no início do mapa. Uma das vezes o coleguinha entrou quando eu estava próximo de uma área que necessitava ativação dos dois jogadores para prosseguir, e tive que esperar uns cinco minutos enquanto meu novo amigo corria pelo mapa inteiro até chegar lá. Na maioria dos casos, eu simplesmente kickava o sujeito para poder progredir, o que eu sei que não é muito legal, mas tempo é valioso.

SANGUE BOM

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Wolfenstein: Youngblood ainda tem traços do que tornou esta série moderna de Wolfenstein tão legal. O gameplay é empolgante e divertido, mas infelizmente tudo que colocaram de novo para este spin-off acabou indo contra o que os jogos anteriores tinham de especial.

No final das contas, eu passei todo meu tempo com Wolfenstein: Youngblood com vontade de jogar The New Colossus de novo. Assim, fica difícil recomendar este quando você pode voltar para os anteriores, que são bem superiores.