Dia estranho hoje, meu amigo. Eu saí de casa para assistir a Pânico 7. Cheguei ao cinema, dei meu nome para a assessoria e, quando o filme começou, era Cara de Um Focinho de Outro. Chequei meus pormenores e descobri que dessa vez não tinha errado o dia, mas o local. Curiosamente, na minha cabeça eu não poderia assistir à cabine do novo filme da Pixar porque ele aconteceria no dia seguinte. Vai entender o que se passa no meu cérebro.

CRÍTICA CARA DE UM FOCINHO DE OUTRO

Eu provavelmente gostaria muito de Pânico 7, mas a boa notícia é que também gostei – e também queria ver – Cara de Um Focinho de Outro. Então eu troquei um bom filme em potencial por outro também legal. Mas e a história? Calma que eu chego lá.

Aqui a gente acompanha uma menina chamada Mabel. Ela gosta muito de bichinhos e da natureza em geral, especialmente depois que sua avó a ensina a se sentir parte do ecossistema. É lindo. Obviamente, isso a transforma numa ecoterrorista. Afinal, o Final Fantasy 7 já nos ensinou que todo mundo que tem cabelo de banana vira ecoterrorista.

Sua missão dá as caras quando o prefeito da cidade decide destruir seu cantinho natural para construir uma rua. É um conflito relativamente comum no cinema, que já serviu de base para o filme do Chico Bento e muitos outros. O que diferencia este é o caminho tecnológico.

SCI FI

Através de peripécias tecnológicas, ela consegue colocar sua mente no corpo de um castor robô, um dróide totalmente indistinguível de um bichinho de verdade. E melhor, capaz de se comunicar com todos os outros. O plano dela é convencer os animais a voltarem à sua antiga casa, pois isso impediria o prefeito de prosseguir com seus planos. Ela acaba se envolvendo com um mundo muito mais complexo e organizado do que imaginava. Quem diria, por exemplo, que o vilão principal do filme não seria o prefeito?

Claro, a história em si não é especialmente criativa. Apesar de ter uma pegada sci fi interessante, tudo que acontece é bastante previsível. A graça, como em quase todos os bons filmes da Pixar, não é simplesmente ver o que acontece, mas como acontece. A narrativa e o humor dessa turma é simplesmente muito boa.

Isso vai desde a fofura dos bichinhos até pequenas mudanças presentes quando eles estão interagindo com humanos ou com outros bichos (repare nos olhinhos). As piadas são boas, os personagens são legais e até as atuações na dublagem brasileira são bacanas. Cara de Um, Focinho de Outro é o típico filme da Pixar. Fofo, divertido e digno por demais de uma recomendação delfiana.