Metroid Prime 4 Beyond foi anunciado no primeiro ano do Switch e saiu agora, em 2025, quando o Switch 2 já está no mercado. Poucas vezes algo que não leva Forever ou Chinese Democracy no título exigiu tamanha espera. Mas cá está ele, para alegria e empolgação de tantos fãs da Nintendo. Será o retorno definitivo da série da Nintendo mais adulta? Venha descobrir no nosso review.

REVIEW METROID PRIME 4 BEYOND

Metroid Prime 4 é uma delícia. Sim, a jogabilidade é bem parecida com o que já foi feito antes na série, inclusive com o retorno de boa parte dos upgrades. Dito isso, eu ainda fico muito impressionado com a excelente adaptação para 3D de um jogo originalmente 2D. Mais do que isso, eu gosto muito da sensação de controlar Samus na série Prime.

Atirar é gostoso, assim como usar o gancho. Mas nada é mais impressionante do que a movimentação da bolinha. O uso da câmera e a combinação com a animação da movimentação fazem com que a ludocinética da coisa fique muito boa. A movimentação, o controle, são minha principal alegria em Metroid Prime. Mas ele é muito mais do que isso. Especialmente este quarto capítulo

METROID PRIME 4 E OS PRIMINHOS

Metroid Prime 4, Retro Studios, Nintendo, Delfos

Muita gente reclamou que Metroid Prime 4 pega mais leve no isolamento tradicional da franquia. E, bem, isso é verdade. A história é bem básica: você é teleportada para um planeta desconhecido junto com um vilão e, para sair dali, precisa coletar cinco chaves de teleporte. Mas além da Samus e do vilão, tem toda uma equipe que foi transportada junto. Todos eles são fanboys da Samus e, ao longo da aventura, vão conversar com você, te passar objetivos e em geral afetar bastante o sabor da campanha. Muitos se incomodaram com isso, mas para mim a história sem graça é mais grave do que a simples existência de NPCs. E o final, em que todo mundo menos você faz algo heróico, é um tanto irritante.

Pelo menos tudo é contado com cutscenes animadas e faladas, e a quantidade delas é realmente marcante, considerando que se trata de um jogo da Nintendo, que gosta de contar suas histórias com textos. As cutscenes são muito bonitas e bem-feitas. Os NPCs humanos ficam a maior parte do tempo de capacete, mas os desenvolvedores do Retro Studios conseguiram animar seus rostos, quando aparecem, sem cair no uncanny valley. É simplesmente muito bem feito. Aliás, Metroid Prime 4 parece um jogo muito mais caro e elaborado do que estamos acostumados a ver vindo dos estúdios first party da Nintendo.

VISUAL IMPRESSIONANTE

Isso se estende a um visual extremamente marcante, com uma performance digna de aplausos. Metroid Prime 4 roda a 4K e 60 FPS ou, alternativamente, a 1080p e 120 FPS. Primeiro, é impressionante ver estes números em um console caseiro. Segundo, é ainda mais impressionante quando este console é o modesto Switch 2. Deve ter rolado uma otimização forte para que isso fosse alcançado e valeu a pena. Metroid Prime 4 é tão bonito no Switch 2 quanto Battlefield 6 é no PS5 e roda ainda melhor.

Sim, eu vejo os usos espertos da tecnologia que permitiram esta performance. Coisas como o corte de efeitos mais caros fazem boa parte do trabalho, mas foi tudo cortado de forma muito esperta. Eu realmente gostaria de ver outros jogos, especialmente nos consoles mais poderosos, sendo tão bem otimizados quanto este. O que me leva a talvez o lado mais fraco de Metroid Prime 4.

O MUNDO ABERTO

Metroid Prime 4 não é um jogo de mundo aberto. Mas digamos que ele quer ser. Na prática, tem algumas áreas fechadas, que funcionam como um metroidvania tradicional. E elas são separadas por um enorme e vazio deserto. Assim, para você ir de uma fase a outra, é necessário dirigir uma moto e passar por várias telas de carregamento. A jogabilidade da moto é muito boa, certamente melhor do que aquilo que se passa por um veículo em Gears 5. Mas o deserto é simplesmente muito pouco interessante.

Ele é feio, quase sem detalhes. E vazio. Tem alguns upgrades espalhados e colecionáveis que você precisa pegar para poder terminar (como os cristais verdes e as peças do mech), mas está muito longe de ser um mundo aberto envolvente. Para completar, a Nintendo tomou uma das decisões mais hostis de que se tem notícia, ao fazer a área ser totalmente silenciosa, sem música, a não ser que você compre um Amiibo que custa, no Brasil, 400 reais. Sim, 400 reais para poder ouvir música no mundo aberto. Que tal? É melhor assinar um mês de Spotify e tocar no celular durante sua jogatina.

Aliás, por mais que eu goste do visual e da atmosfera sonora de Metroid Prime 4, eu sinto muita falta de mais músicas. As que estão aqui são boas, mas tocam com baixíssima frequência, ou então são apenas barulhinhos, não canções propriamente ditas. É uma pena, pois uma trilha sonora mais elaborada certamente faria o jogo brilhar.

METROIDVANIA

Metroid Prime 4, Retro Studios, Nintendo, Delfos

Eu disse antes que as fases propriamente ditas são o que se espera de um metroidvania, mas elas não são totalmente contidas, como os dungeons de Zelda. Pelo menos uma vez na campanha, você precisa entrar em um dungeon que não visitou ainda para pegar um upgrade e poder continuar a campanha em outro dungeon. Pelo menos das outras vezes, quando você precisa voltar a uma área para upar, são áreas que já visitou antes, mas vale a dica. Apesar do que o jogo fala, você não pode explorar os dungeons na ordem que achar melhor. Tudo tem uma ordem bem definidinha.

Tem também uma pá de chefes, que aparecem em vários pontos das fases, não apenas no final. Eu joguei na dificuldade normal e Metroid Prime 4 nunca foi difícil demais. Porém, vários dos chefes foram longos demais, a ponto de ficarem simplesmente entediantes. Isso nunca foi mais verdade do que no chefe final.

O TERRÍVEL CHEFE FINAL

O chefe final tem não uma ou duas, mas três fases. Na primeira, você está com todos os NPCs e eles não ajudam em absolutamente nada. Porém, você precisa ficar cuidando deles, revivendo-os conforme necessário. Se um deles morrer, mesmo que a Samus esteja com a vida cheia, vai ter que começar de novo.

As outras duas fases felizmente chutam os NPCs e se tornam bem menos chatas. Também tem um checkpoint no início da segunda fase, felizmente. Porém, ao vencer o chefe, você tem a oportunidade de conversar com os NPCs antes da cutscene final. E durante a cutscene final, precisa apertar um botão. Se optar por não apertar, para ver o que acontece, não há checkpoint pós-chefe: você precisa vencer de novo as últimas duas fases da batalha. Dá para acreditar nisso? Eu respondo: não, não dá. É uma decisão tão absurda que acredito que vão fazer um patch em algum momento para colocar um checkpoint depois da luta.

COMPLECIONISMO

Metroid Prime 4, Retro Studios, Nintendo, Delfos

Eu joguei Metroid Prime 4 de forma bem completa. Não cheguei a fazer 100%, mas cumpri boa parte dos objetivos. Assim, não precisei parar minha campanha para ficar coletando cristais verdes no mundo aberto. Até achei que isso fosse opcional. Mas pelo que li, não é. Isso me desanima muito para jogar outras vezes, porque não me vejo investindo todo o tempo necessário para coletar tudo novamente. Mas pelo menos o jogo permite ser jogado mais de uma vez sem apagar o primeiro save.

Metroid Prime 4, como quase todos os Metroid Primes, é um jogo de extremos. Ele tem momentos de alegria enorme, mas também combina isso com momentos de repetição e tédio. Apesar dos NPCs e do pretenso mundo aberto, eu diria que ele é uma continuação digna aos jogos anteriores, que poderia ter cortado mais de sua repetição para ser um jogo realmente marcante. E ele tem muitos predicados que realmente o colocam como um lançamento especial.