Na época dos 8 e 16-bit, quando jogos de plataforma eram o foco da indústria, quase todo jogo baseado em personagens de outras mídias virava um. Tico e TecoAsterix, uma pá de personagens da Disney. Todos ganharam um ou mais jogos de plataforma. Com o tempo, jogos licenciados e o gênero saíram de moda. E agora Chickenhare and the Treasure of Spiking-Beard ou, simplesmente, Frangoelho e o Tesouro do Barbaespinha, chega aos consoles para nos lembrar desta época tão especial.

REVIEW CHICKENHARE AND THE TREASURE OF SPIKING-BEARD

Frangoelho e o Tesouro do Barbaespinha é um jogo de plataforma 3D em fases. Se você é um delfonauta dedicado, deve se lembrar que este é meu gênero preferido. Em outras palavras, eu sou pré-disposto a gostar de qualquer jogo do gênero que faça o mínimo corretamente. E este sem dúvida faz o mínimo corretamente.

É um jogo colorido, o que o deixa atraente. Os cenários são bacanas e os personagens, tanto inimigos quanto os protagonistas ou NPCs, são bem desenhados e simpáticos. Tem algumas cutscenes “de verdade”, com animação e dublagem, e outras em que os diálogos aparecem apenas por escrito.

Quando eu digo que ele faz o mínimo corretamente, refiro-me ao fato de que as fases até são bacanas, mas os controles dos personagens são fracos. Para você ter uma ideia, é possível vencer inimigos pulando em suas cabeças, algo bastante comum no gênero. Mas fazer isso não é gostoso pela forma que o arco de pulo foi programado. Parece que os personagens ficam tempo demais no ar, o que quebra o galho para pular entre plataformas, mas deixa sofrido no combate. Felizmente, ele dá opções.

REVIEW FRANGOELHO E O TESOURO DO BARBAESPINHA

Em Chickenhare and the Treasure of Spiking-Beard, você alterna o controle entre três personagens. O próprio Frangoelho é quem você vai mais usar, pois graças a seu poder de planar, é o mais apropriado para a jogabilidade de plataforma. Daí tem os outros. A gambá Meg é especialista em combate. Ou seja, é a única que tem ataques propriamente ditos, e não depende de pular na cabeça dos inimigos. Basicamente, eu mudo para ela sempre que preciso lutar com alguém, pois é bem mais gostoso porrar com ela.

Finalmente, temos a tartaruga Abe, a mais situacional de todas. Ele pode se encolher em seu casco, o que permite quebrar chãos e paredes. E é basicamente para isso que ele serve. Tem uma grande quantidade de escorregadores também, estilo Super Mario 64, e ele é automaticamente selecionado quando você inicia a descida num deles. Porém, ao contrário de Super Mario 64, os controles da descida não são gostosos. Sempre tem coisa para pegar, mas o personagem sempre parece deslizar mais do que o necessário e via de regra você acaba perdendo os breguetes que ficam no escorregador.

Frangoelho, Chickenhare, N-Zone, Delfos
Caso você tenha dúvidas da influência de Crash Bandicoot.

Uma coisa bacana é que as fases se alternam entre câmeras 3D estilo Crash Bandicoot (com corredorzões mesmo) e sidescroller. Mas como tudo em Chickenhare and the Treasure of Spiking-Beard tem um porém, as partes sidescroller se mantém com sementinhas 3D, o que significa que você pode se mover um pouquinho para cima e para baixo. É bem pouquinho, mas o suficiente para ficar preso em paredes, errar pulos ou não conseguir pegar itens. Sempre é recomendável quando o jogo alterna entre as duas jogabilidades que ele se torne realmente 2D em seus trechos sidescrollers, e permita movimentação apenas para direita e esquerda.

A MAZELA DOS CONTROLES

O principal problema deste jogo são justamente seus controles. É um jogo de plataforma em que os pulos não são agradáveis, e isso é um erro fatal no gênero. Penso se alguém com menos apreço por plataformas 3D teria tanto apreço quanto eu tive por Frangoelho e o Tesouro do Barbaespinha.

Em qualquer plataforma 3D, uma coisa essencial é ter uma marquinha que mostre onde seus pulos vão pousar. Chickenhare até pensa nisso. Mas a marquinha costuma apontar para lugares errados. É comum ela apontar para a plataforma em que você deseja e, quando termina o pulo, cai no abismo. A questão é que você só pode pousar quando ela fica amarela. Por que então colocá-la nas plataformas que são seu objetivo antes de elas se tornarem amarelas? Ninguém sabe.

DÁ LICENÇA

No final das contas, é um jogo licenciado como tanto se via na época do PS2, antes de eles sumirem completamente e retornarem como AAAs. Ou seja, é algo aparentemente feito por um time com menos experiência e menos dinheiro, para ganhar uns trocados em cima de uma marca conhecida. Mas fica a pergunta: Frangoelho é realmente um personagem conhecido?

Aparentemente só existe um filme do personagem, chamado Frangoelho e o Hamster das Trevas. A produtora foi a nWave Studios, e a editora do jogo é a N-Zone Production. Talvez seja uma subsidiária da outra, o que faz sentido. O jogo também credita o personagem a uma graphic novel. Mas coloco isso aqui apenas como curiosidade. O que importa é que Frangoelho e o Tesouro do Barbaespinha não é uma bomba, como Tamarin, mas está bem distante de um clássico da Nintendo. Se isso é o suficiente, certamente terá aqui algumas horas de diversão.