Poucas vezes um remake teve um desenvolvimento tão feliz. Tudo começou com Battle For Bikini Bottom Rehydrated, lançado em 2020 como um remake de um jogo de 2003. A coisa deu tão certo que a desenvolvedora, desde então, lançou duas continuações, The Cosmic Shake e esta Titans of the Tide. Duas continuações para um remake cujo original nunca teve continuação. Como comparação, Rehydrated saiu quase junto com The Last of Us Part 2 e, desde então, a Naughty Dog não lançou mais nada, mas a Purple Lamp já lançou dois jogos. Dois jogos excelentes, aliás.
REVIEW SPONGEBOB SQUAREPANTS TITANS OF THE TIDE
Esta é a boa notícia. Se você gostou de um ou dos dois anteriores, certamente também vai amar Titans of the Tide. E, se não jogou ainda, recomendo com todos meus poderes delfianos que o faça. Temos aqui alguns dos jogos de plataforma 3D mais gostosinhos não desenvolvidos pela Nintendo nem estrelados pelo Astro Bot. E ainda tem o apelo licenciado.
Cá entre nós, não sou um grande fã ou um conhecedor profundo de Bob Esponja, mas estes personagens e o humor do desenho são muito simpáticos. A dublagem do jogo em português é feita pelos mesmos dubladores do desenho, e eu adoro a interpretação do Wendel Bezerra para o personagem. Sim, mais até do que o original. Assim, joguei em português, com minha filhinha assistindo quase tudo. E nós nos divertimos, rimos e ela ficou imitando quase tudo que os personagens falavam.
UM BOM PLATAFORMA 3D
Mas o apelo não é limitado ao lado licenciado da coisa. Mesmo que fosse estrelado por um personagem criado para o jogo, Titans of the Tide seria tão delicinha quanto. É aquele tipo de jogo de pula-pula, todo colorido e cheio de sorrisos que é simplesmente saboroso de jogar. É por games assim que eu gosto tanto de videogame.

A principal novidade em Titans of the Tide é que você alterna o controle praticamente o tempo todo entre o Bob Esponja e o Patrick. Os dois têm as mesmas habilidades básicas, mas algumas específicas os diferenciam. O Patrick consegue carregar coisas enquanto o Bob dá um chute que age como grapple e solta bolhas que interagem com o cenário. Na prática, talvez isso seja o mais chatinho do jogo, pois eu sempre prefiro ter todas as ações no mesmo personagem. Ter que alternar entre eles de acordo com o necessário no meio de um desafio de plataforma, por exemplo, apenas acrescenta um botão a mais à jogatina.
Por outro lado, ter o Patrick e o Bob Esponja sempre juntos e conversando faz muito para a narrativa. A amizade dos dois é inocente e bonitinha, fácil de arrancar sorrisos. Mas talvez o maior benefício do jogo seja sua duração, que definitivamente termina antes de enjoar.
QUATRO CHEFES
Tem, por exemplo, quatro chefes, embora tenha pelo menos duas fases a mais do que isso. Os chefes são bacanas, seguindo aquela fórmula tradicional de jogos de plataforma, de “espere sua vez de atacar”, que eu tanto gosto. Mas talvez o principal destaque seja o chefe final, que faz literalmente o que eu esperava que God of War III fizesse, quando o jogo todo parecia estar sendo construído para uma luta final entre Zeus, Gaia e Kratos. Aqui o equivalente esponjeiro disso acontece e é bem mais marcante do que a maior parte dos chefes da série da Santa Monica, especialmente a leva nórdica. E conseguem fazer isso sem ficar injusto ou frustrante, mas épico e divertido, como chefes deveriam ser.
Titans of the Tide é o tipo de jogo que é muito gostoso de jogar, mas não rende tanto assunto, até porque ele é delicinha e divertido praticamente o tempo todo. É curto o suficiente para terminar num final de semana e, apesar de exigir um bocadinho das suas habilidades platafórmicas, não fica frustrante ou enjoativo. Recomendação delfiana forte. Para a série inteira, aliás. Agora gostaria de ver o que a Purple Lamp seria capaz de fazer com personagens próprios.




































