Este é um review da nova versão de Red Dead Redemption, lançada em dezembro de 2025 para Switch 2, PS5, Xbox Series, Android, iOS. Claro, este texto será focado na versão que pude analisar, que é a de Xbox Series X, discutivelmente o console de gente grande que mais precisava de um remaster do jogo, uma vez que ele foi pulado da última vez. Isso aconteceu porque ele já rodava a versão de Xbox 360 em retrocompatibilidade com resolução mais alta, mas dessa vez temos todos os benefícios de uma versão nativa. Quais são eles? Ora, coloque seu chapéu de caubói e venha descobrir.

REVIEW RED DEAD REDEMPTION

Finalmente temos Red Dead Redemption rodando a 4k/60 fps com suporte a HDR. Segundo análise da Digital Foundry, o jogo ainda não está no equivalente da versão de PC com tudo no Ultra, mas está quase lá. Visualmente, ele parece um jogo antigo, não dá para negar que os gráficos anteriormente realistas envelheceram bastante. Dito isso, ele ainda impressiona pela escala e nível de detalhes.

Lembro quando estava jogando Red Dead Redemption pela primeira vez em 2010, pouco depois da minha viagem pelo Deserto do Atacama, e eu realmente fiquei impressionado como ele reproduzia coisas que tinha acabado de ver pessoalmente. Detalhes como a vegetação e o céu estrelados são absurdamente realistas.

GAMEPLAY ANTIGO

Infelizmente, este não é um daqueles remasters elaborados, como os da Nighdive. Apesar dos tapas visuais, o jogo é o mesmo que sempre foi. Coisas como os controles, por exemplo, precisavam de uma modernização. Ficar martelando o A para correr ou para cavalgar, por exemplo, é bem chatinho. Ele traz a expansão zumbi Undead Nightmare e outros DLCs menos importante, mas ignora totalmente o modo multiplayer originalmente incluído no jogo.

Red Dead Redemption, Rockstar Games, Remaster, Delfos

Também faltam algumas qualidades que a gente espera em 2025. Por exemplo, os diálogos de transporte comumente são interrompidos quando você chega no objetivo. Ou seja, eles são mais longos do que o esperado. Isso acontece até mesmo quando você vai de carona, ou seja, quando o tempo é estabelecido pela própria desenvolvedora.

Quando joguei Red Dead Redemption 2, também fiquei impressionado com quão hostil o jogo era, com suas limitações de fast travel e longas animações não puláveis. Sentia que o anterior não era assim. Jogando de novo, vejo que era sim. A necessidade de checar todos os presuntos depois de uma batalha, por exemplo, leva muito tempo, mesmo com a animação sendo muito mais rápida do que a do segundo.

QUALIDADE DE VIDA

A questão é que na época do lançamento, Red Dead 1 não era tão diferente do padrão. Os jogos ficaram mais convenientes, enquanto o segundo jogo foi para o lado oposto, daí a ruptura causada por sua hostilidade e desperdício de tempo. Red Dead 1 também tem qualidades que se espera de um jogo de mundo aberto que não estão presentes no segundo, como a possibilidade de chamar o cavalo a qualquer momento, mesmo que ele tenha se separado de você. Ele ainda foge do jogador e gasta mais tempo seu do que deveria, mas pelo menos é mais conveniente do que o do segundo onde, uma vez perdido, fica perdido para sempre.

UMA HISTÓRIA

Uma coisa que Red Dead Redemption tem de especial é sua história. Ou melhor, seu roteiro. Histórias simples, personagens complexos, é a melhor forma narrativa para videogames e ele segue isso à risca. A história coloca John Marston ameaçado pelo governo estadunidense para prender ou matar seus antigos companheiros. É bem simples. Mas todos os personagens são extremamente bem escritos e atuados, com especial destaque para o próprio John Marston.

Ele vai do extremamente bem educado para o ameaçador com rapidez de acordo com quem está lidando. No começo, estranhei como ele tratava pessoas como West Dickens, Seth e Irish de forma agressiva e outros como a Bonnie McFarlane ou o general Allende bem, mas antes mesmo de acabar a campanha, comecei a perceber suas motivações. Bonnie é do bem, o general Allende não. Porém, o general faz parte do governo do México e antagonizá-lo não seria inteligente.

As sidequests também são um destaque. Por um lado, elas são resolvidas rapidamente. Normalmente na mesma área em que você as ativa – mesmo que a história continue mais tarde. Por outro, elas não são invasivas nem respondem pelo grosso da campanha. Ao contrário da maior parte dos jogos de mundo aberto modernos, eu não senti que passava a maior parte do tempo com as sidequests, mas sim focando em missões da campanha, com o conteúdo adicional sendo exatamente isso: adicional.

ATIVIDADES

Por outro lado, tirando o conteúdo narrativo, Red Dead Redemption tem um monte de troféus e atividades secundárias que podem custar bastante tempo. De pôquer a jogo de ferraduras, tem um monte de minigames adicionais ou atividades extras, como caçadas e desafios a serem cumpridos. Também tem trabalhos extras, que você faz por dinheiro. Alguns destes desbloqueiam roupinhas, mas a maioria existe apenas para preencher o mundo. Não é o tipo de coisa que me agrada e, dessa vez, eu ignorei boa parte deles.

Até tentei jogar dados e tal, mas toda vez que ia até o ícone do mapa ele parecia estar desativado. Isso também incomoda nas lojas. Era comum eu ir até uma loja que parecia ativa, mas o vendedor simplesmente não estar dentro dela, mesmo sendo o meio do dia. Parecia um tanto aleatório, para dizer a verdade.

UNDEAD NIGHTMARE

A verdade é que a expansão Undead Nightmare é muito, MUITO ruim. A campanha tem quase exclusivamente o que o jogo original tinha de pior. As missões principais envolvem atividades que no original são apenas desafios ou sidequests. Coisas como pegar florzinha, raptar zumbis de tipos específicos ou até mesmo esperar tempo real com o jogo ligado (não dormindo) até determinada missão ser liberada.

Eu amei jogar de novo Red Dead Redemption, mas Undead Nightmare é realmente sofrido. A única salvação envolve a história. As cutscenes são ótimas, mas o gameplay fez com que eu terminasse o jogo com raiva, bastante diferente de como me senti depois da campanha.

RED DEAD REDEMPTION

Existe alguém em 2025 que não jogou Red Dead Redemption? Se existe, esta é uma boa oportunidade. Este primeiro jogo é um tanto mais conveniente e mais curto do que o segundo, embora seja graficamente bem inferior. A história do primeiro ficou incrivelmente mais poderosa depois que nós pudemos jogar o segundo e ver a relação destes personagens se desenvolvendo também.

Seja pela milésima vez ou para quem não jogou antes, Red Dead Redemption continua um jogo importante para os games, que merece ser jogado.