Nesta cabine A Morte do Demônio Em Chamas, eu consegui entender um motivo que faz os filmes de terror sobrenaturais serem tão ruins. Sim, é verdade que eu tenho mais medo de pessoas do que de fantasmas, mas deixa eu explicar. Antes do filme principal, a Sony Pictures passou cinco minutos de Sobrenatural Agora Entre Nós. E eu gostei muito do que vi. Minha dedução? O problema destes filmes é a duração. Eu duvido muito que dê uma nota boa caso venha a resenhar Sobrenatural. Mas vendo apenas cinco minutos de uma cena de terror, sem contexto ou desenvolvimento, simplesmente o medo pelo medo, ele funciona. Mas e Evil Dead Burn?
CRÍTICA A MORTE DO DEMÔNIO EM CHAMAS
Eu gosto muito dos Evil Dead originais, assim como da série Ash vs Evil Dead. Por outro lado, esta nova série de cinema, que aqui foi chamada de A Morte do Demônio (título que o Evil Dead original teve por aqui antes da série virar Uma Noite Alucinante) é terrível. Eu odeio tanto o primeiro, quanto o segundo. Até gosto do conceito dos mortos malvados (que seria uma tradução bem melhor e mais divertida do original) e da ideia de serem histórias independentes passadas no mundo de Evil Dead. Mas ela abolir quase totalmente o lado humor e comédia foi um tiro no próprio pé. Isso não nasceu para ser terror. Ou pelo menos não um terror sisudo.
A Morte do Demônio Em Chamas acerta em ser menos sisudo do que os anteriores. Está longe da comédia dos estrelados pelo Ash, mas tem algum humor, quase totalmente focado na velhinha com Alzheimer. Porém, a boa notícia é que ele funciona mesmo como um filme de terror clássico.
EVIL DEAD BURN
Você sabe a pegada. Uma pessoa vira deadite e usa do seu conhecimento e da relação com os coleguinhas para infectar os outros e atingir seu objetivo. Aqui, os deadites querem recuperar uma adaga capaz de matá-los sem esforço. Mas, claro, vão precisar se esforçar bastante para isso. Curiosamente, a parte dos assassinatos e violência demora a acontecer. A primeira parte do filme é quase completamente focada no drama da família que servirá de vítima, e eu gostei muito disso. Sei lá, talvez pela minha vida no momento, tenho gostado muito de ver este tipo de coisa no cinema.
Outra coisa que me deixou cabreiro era o currículo do diretor Sébastien Vanicek. Salvo engano, não assisti a seus trabalhos anteriores, mas eles estão muito mal avaliados no IMDB. E também não me agrada isso de uma série seguir em frente com um diretor para cada entrada. Mas devo elogiar o cara, e para tal vou até criar um novo intertítulo. Guentaí enquanto faço isso.
SÉBASTIEN VANICEK
Pronto. Então, talvez o principal elogio que possa fazer a A Morte do Demônio Em Chamas é justamente o trabalho de direção. Temos aqui um longa muito bem filmado, que usa e abusa de planos sequências, cortes e closes nos momentos certos para potencializar o que estamos vendo. Além disso, o uso que faz de violência extrema é bastante criativo e, por que não, aflitivo. Se tem um filme de terror que vale a pena ver no cinema pelas emoções que suas imagens causam, é este.
Por outro lado, também é um longa um tanto… longo. Não que sua duração seja absurda. Não é. Porém, o filme simplesmente se recusa a acabar. Lembra que falei lá no início da resenha sobre como um terror ser curto e não ficar explicando tudo funciona bem? Então. Aqui temos uma história que parece que vai terminar pelo menos três vezes. E não termina. Tem aquela piada do Pânico que diz que o vilão sempre volta para um último susto. Porém, aqui o susto vai muito além disso, e viram estendidas perseguições. A última delas, inclusive, não faz sentido nenhum na história, e parece saída de O Exterminador do Futuro. O primeiro.
Durante boa parte da projeção, estava planejando dar quatro dragões para A Morte do Demônio Em Chamas, mas sua recusa em aceitar chegar ao fim me fez cortar um dos dragões ao meio e comer como recheio de um pastel bem quente. Ainda é um bom filme. Sem dúvida o melhor Evil Dead desta nova safra. Mas precisava de uma edição mais implacável.






































