A Própria Carne é um filme feito por criadores de conteúdo da internet. Mais especificamente, o diretor Ian SBF é um dos criadores do canal Porta dos Fundos e o roteirista Alexandre Ottoni é, você sabe, o Jovem Nerd. Com essas credenciais, você pode pensar que o filme é uma comédia, mas não é o caso. A Própria Carne é um terror histórico que tem como pano de fundo a Guerra do Paraguai.

CRÍTICA A PRÓPRIA CARNE

Aqui acompanhamos a aventura de três soldados brasileiros desertores. Eles buscam ajuda em uma casa isolada, onde mora um caboclo e uma moça jovem. Mas a casa nunca parece de fato segura. O fazendeiro é agressivo, faz perguntas incômodas e a todo tempo carrega uma escopeta. Um dos desertores levou um tiro na perna e precisa urgentemente de cuidados médicos, o que deixa tudo ainda mais urgente. Afinal, eles precisam voltar à civilização, mas como fazer isso se estão presos na casa?

A sinopse é excelente, mas infelizmente o filme não a acompanha. A Própria Carne é um filme chatíssimo, em que praticamente nada acontece. Eu literalmente precisei lutar contra o sono durante boa parte da sua duração, algo que não acontecia comigo desde o igualmente chatíssimo Dogville.

Tem alguns diálogos que até são interessantes. A cena em que os desertores e o fazendeiro discutem a necessidade de cortar fora a perna do soldado machucado, por exemplo, tem um quê dos diálogos do Tarantino, com uma tensão palpável. Mas é pouco, bem pouco. E no final acontece uma coisa que eu não vou falar, mas que simplesmente não faz sentido algum. Sério, pra quê?

A Própria Carne é um filme que não reflete a qualidade do trabalho dos envolvidos. Até mesmo as atuações são ruins, e isso é algo que eu acho excelente nas esquetes do Porta dos Fundos, por exemplo. Simplesmente não há motivos para assistir a este filme, a não ser que você seja muito fã dos nomes envolvidos e queira conhecer tudo que fizeram.