Faz muito, muito tempo, que eu quero jogar Heretic de novo. Depois que comprei um PC gamer, mais de uma vez cheguei a colocar o jogo no meu carrinho do Steam quando ele estava sendo vendido a dois reais ou algo assim. Só não comprei porque realmente não gosto de jogar no computador, mas hoje gostaria de ter comprado. Isso porque quem tivesse qualquer versão digital de Heretic ou de Hexen ganharia este relançamento completo. E nem dá para fazer comprar mais, pois a versão original dos jogos simplesmente sumiu das plataformas que ainda o vendiam.
Sempre achei um absurdo sua falta de relançamento, mas é um daqueles casos de imbróglio entre grandes empresas. A Activision era dona do jogo, mas a Bethesda tinha direitos de publicação. Pelo menos neste caso – e apenas neste caso até o momento – a Microsoft ter saído comprando tudo resultou em algo bom: o relançamento sob o título Heretic + Hexen.
HOJE É DIA DE HERETIC
Na época de outrora, eu sempre gostei mais de Heretic do que de Hexen. Assim, quis fazer uma resenha apenas sobre ele, e depois voltar para falar de Hexen. Heretic é o que na época chamávamos de Doom clone. E o motivo é bem claro. Heretic tem muito de Doom, apesar de ter sido desenvolvido por outro time. Até mesmo alguns efeitos sonoros são exatamente os mesmos.
Mas as semelhanças não param aí. As fases são labirintos com três chaves coloridas. O jogo é dividido em episódios com oito fases de história e uma secreta. As armas, então, são praticamente as mesmas, com a pequena diferença da estética mágica. A “escopeta”, por exemplo, é uma besta, e melhor do que muita escopeta que veio depois.
NIGHTDIVE STUDIOS

Neste relançamento, a Nightdive Studios fez um ótimo trabalho, não apenas na parte técnica (4K120fps nos consoles mais poderosos!). Eles rebalancearam o jogo para diminuir a vida dos inimigos, que originalmente demoravam muito para morrer. Retrabalharam as fases, tanto melhorando a estética quanto a qualidade de vida. Tudo isso é opcional, e pode ser desativado pelo menu, mas realmente não senti necessidade de jogar Heretic como era originalmente. Ele é melhor assim. Você pode até escolher diminuir a resolução para o original, o que é bacana como curiosidade, mas o jogo é pixelado mesmo em 4K, então não vi necessidade.
A música também traz várias opções. Há o som original, em midi e em FM synth. Os três são diferentes, e há também a versão remixada. Ao contrário de Doom + Doom II, a nova versão não parece ter sido criada com instrumentos reais, mas soa mais realista do que as antigas. Ela também parece ser um tanto mais “assustadora”, enquanto as originais me soam mais “animadinhas”. Agora me permita falar um pouco de cada um dos conteúdos presentes neste relançamento, pelo menos dos relacionados a Heretic.
HERETIC
O Heretic aparece na sua versão Shadow of the Serpent Riders, que inclui o DLC de mesmo nome. Comecemos falando do jogo original, os três episódios que compõe Heretic. Eles são talvez os mais parecidos com Doom, a ponto de que no início achei a semelhança um tanto incômoda. Depois, no entanto, comecei a gostar mais.
De todo o conteúdo presente aqui, estes três episódios são os melhores. Por serem o jogo original, eles têm uma progressão bacana, ficando mais complicados, mas nunca ficando complicados demais. Cada episódio também termina com um chefe, que aparece como inimigo normal no episódio seguinte (com exceção do final, claro), mas dá um encerramento bacana para cada um dos capítulos.
Gostei muito também – e isso vale para todo o Heretic – que as chaves são sempre coletadas na mesma ordem (amarela, verde e azul). Assim, todas as fases começam com o jogador explorando a esmo, e depois de pegar a chave amarela, a coisa fica mais focada. Afinal, a verde está sempre atrás da porta amarela, a azul atrás da porta verde e a porta azul esconde a saída ou o mecanismo que a abre. Não me lembro de Doom ter sempre a mesma ordem para as chaves – e talvez tenha, eu só não percebi – mas isso ajudou bastante para Heretic ser exploratório, mas com foco.
SHADOW OF THE SERPENT RIDERS

Este também é muito bom. Afinal, é mais Heretic. Dois episódios extras, na verdade. Porém, eu achei que ele passou um pouco do ponto. As fases ficam grandes demais. Para você ter uma ideia, no jogo original a maioria dura cerca de dez minutos, enquanto aqui é comum passarem de 30. Os episódios também não trazem chefes propriamente ditos, apenas batalhas mais difíceis no final.
Por fim, abusa de truquinhos como paredes que são invisíveis de um lado e sólidas do outro ou botões que você aperta e eles ativam e desativam sem você saber o que mudou. Shadow of the Serpent Riders está para Heretic como Doom 2 está para Doom. E, não por acaso, eu gosto mais do original em ambos os casos.
FATE’S PATH
Este é um episódio extra incluído originalmente no DLC. Porém, ao contrário dos cinco anteriores, ele não roda a partir da opção new game, apenas via level select. As três fases incluídas estão interligadas, uma levando à outra, mas a terceira e última fase não tem saída. É bem estranho fazer uma campanha sem final. As más línguas da internet especulam que o mapa foi feito para multiplayer, e por isso não tem saída, mas é bem parecido com os outros. Inclusive tem inimigos.
As três fases de Fate’s Path são as mais fracas do jogo, parecendo ser daquele tipo “desafio hardcore” ao invés de um jogo envolvente.
FAITH RENEWED

Este é um capítulo extra criado em parceria entre a id Software e a Nightdive Studios. É totalmente inédito e, assim como os outros episódios de campanha, conta com oito fases e uma secreta. Suas fases são mais complexas que as do Heretic original, mas através de um game design mais moderno, não ficam tão obtusas e complicadas quanto as de Shadow of the Serpent Riders.
É um episódio bem bacana, com a maior variedade de cenários do jogo. Tem também dois novos tipos de inimigos, que parecem ter saído do jogo antigo. Quem compra este relançamento naturalmente vai querer jogar mais os jogos clássicos, mas não deixe passar Faith Renewed, que vale muito a pena.
FIM DE HERETIC: A SEGUIR, HEXEN
E assim fiz todo o conteúdo de Heretic incluído em Heretic + Hexen. É um Doom clone com o mesmo tempero e diversão do clássico da id Software. Talvez seja menos impressionante, já que saiu depois e trouxe menos ideias para a fórmula. Porém, as fases são extremamente criativas e o combate continua crocante e delicioso. A duração também é surpreendente. Sem exagero, eu levei minhas 15 horas para jogar todos os episódios de Heretic incluídos aqui. Acho difícil que goste tanto de Hexen quanto gostei de Heretic, já que a continuação é bem diferente. Dito isso, só tem um jeito de descobrir. Eu vou jogar e você vai continuar lendo o DELFOS. Bora!







































