Tormented Souls 2 é continuação de um jogo que muito me marcou no começo desta geração. O anterior foi um título que me intrigou e me apeteceu bastante, além de ser um dos primeiros independentes da geração com versão dedicada para PS5 e Xbox Series. Porém, ele era absurdamente punitivo. Os itens para salvar e as salas de salvamento eram raras, e o jogo se tornava absurdamente punitivo por causa disso. Era comum perder mais de uma hora de solução de puzzles e caça de colecionáveis ao morrer por qualquer motivo. Em outras palavras, era um jogo para crianças com mais tempo que bom senso, tipo nosso amigo Jonas Jogador (leia os comentários para ver o Jonas Jogador em toda sua glória).
Por ter me intrigado, eu queria jogar Tormented Souls 2, mas considerei pegar a versão de PC para poder jogar de acordo com minhas possibilidades. Felizmente, isso não foi necessário. A desenvolvedora Dual Effect viu o problema com o jogo anterior, e resolveu colocar uma dificuldade mais baixa, em que o jogo autossalva toda vez que você muda de sala. Quase perfeito. Afinal, repetição e dificuldade são coisas diferentes. Idealmente, eu poderia salvar a qualquer momento sem diminuir a dificuldade, mas esta pequena diferença foi a responsável por eu ter pego Tormented Souls 2 para resenhar.
REVIEW TORMENTED SOULS 2
Tormented Souls 2 é um excelente exemplo do problema do resenhista. Caso você não saiba do que se trata, refiro-me ao caso de quando a gente faz um bom trabalho detalhando algo e, quando uma continuação parecida sai, simplesmente não há muito mais a dizer. É exatamente o que senti ao reler meu artigo sobre Tormented Souls. Quase tudo que falei lá se aplica a esta continuação.
Tormented Souls 2 é um Resident Evil clássico-like. Ele copia o gênero, o gameplay, as câmeras fixas e as quebras de eixo (se bem que estas eu não sei se foram copiadas ou se são erros de design mesmo). Absolutamente tudo que está aqui, você já viu nos jogos antigos da Capcom. Então vou evitar me autoplagiar. E sim, apesar de o jogo autossalvar com frequência, para salvar nas save rooms manualmente, você precisa gastar um item. A vantagem é que ele faz uma promessa no início: dependendo da dificuldade escolhida, você tem garantia de encontrar duas ou três fitas em cada sala de salvamento. Além disso, também é possível encontrar fitas em outros cenários, então salvar não é tão raro aqui quanto no anterior, mesmo sem os autosaves.
JOGANDO PARA TERMINAR

Tendo finalmente um respeito aceitável pelo meu tempo, eu pude jogar Tormented Souls 2 para terminar. Você deve se lembrar que eu até tentei terminar Tormented Souls, mas ele ficava cada vez mais punitivo e cuspia na cara do meu tempo, então precisei, em nome da saúde mental, parar por ali.
Isso me permite avaliar melhor coisas que eu apenas abordei na minha resenha anterior. Em especial: o design de quebra-cabeças. Estes são sinceramente muito ruins. Como os point and clicks da Lucasarts, eles envolvem pegar tudo que aparece (aparentemente não há limite de inventário) e ficar usando tudo a cada novo quebra-cabeça. Isso acontece porque as soluções não fazem sentido. É exaustivo.
Em um Resident Evil, você costuma saber onde usar cada item assim que o encontra, mas esta é uma sensação rara em Tormented Souls 2. Às vezes acontece, mas em geral os quebra-cabeças não seguem suas próprias regras. Por exemplo, uma das abas do seu inventário separa as chaves. Então você deduz que tudo que está trancado dá para resolver com um item dali. Isso até você encontrar uma porta que precisa abrir na martelada. E o martelo é literalmente uma arma. Mas não adianta porrar a porta com o martelo, você precisa escolhê-lo nos itens e usar na porta.
VISUAL IMPRESSIONANTE
Tormented Souls 2 é um jogo independente, e como tal, faz milagre com seus gráficos. Os personagens são bem feios, o que incomoda bastante nas cutscenes. Porém, o visual enquanto você joga, em especial os cenários, são realmente lindos e especiais. Assim como no Resident Evil clássico, eles aproveitam que você vê tudo através de câmeras fixas para deixar o ângulo realmente elaborado. É de fato impressionante.
Além disso, essas câmeras dirigidas permitem truquinhos que são muito legais. Por exemplo, em determinado ponto, eu estava andando por um corredor e a câmera começou a girar. Dá até vontade de termos mais jogos recentes com câmeras fixas brincando com as expectativas desta forma.
Foi legal ter jogado Tormented Souls 2 depois de ter ficado com o primeiro morando de aluguel na minha cabeça por tantos anos. Porém, não se deixe enganar. O que temos aqui é uma versão piorada do que Resident Evil foi no passado, sem as novidades de jogos mais inteligentes, como Signalis. Tormented Souls 2 é um cover que está feliz em ser um cover. E, por isso, nunca chega às alturas do original.





































