Alguns dos jogos mais elaborados que já joguei em VR vieram das mãos da nDreams. São deles Vendetta Forever, Synapse, Fracked e até The Assembly. Pois Reach, apesar do nome básico, é de longe seu jogo mais ambicioso. Temos aqui um full Uncharted em VR. Tem tiroteio, um monte de escalada, stealth. Dá para roubar armas e é tudo altamente roteirizado e cinematográfico.
Não vou exagerar, Reach não tem os valores de produção de Uncharted e é muito mais modesto. Porém, o fato de ser em VR o imbui de uma intensidade se pá acima da que temos em jogos da Naughty Dog. Além disso, os controles de movimento são muito criativos, funcionam direitinho e o jogo tem uma mobilidade muito maior e mais elaborada do que sua principal inspiração.
REACH
Reach começa zoando com sua cara. A fase tutorial faz pensar que este é um jogo de agentes secretos, mas não é o caso. Logo você estará numa instalação subterrânea que existe há milhares de anos, ajudando uma estátua viva a impedir a extinção da humanidade. Videogame 101, né?
Escaladas são claramente o foco em Reach, e normalmente não gosto disso em VR. Digo mais, eu normalmente as pulo. Aqui não dá para pular as escaladas, mas mesmo assim adorei o jogo. Isso porque, embora a coisa comece básica, a movimentação é uma das grandes delícias de Reach. Subir em linha reta, por exemplo, permite se jogar para cima, como se você fosse o caboclo mais forte do universo. Além disso, o grapple é divertido e há muita criatividade aqui na parte de escalada.
Eu só não gostei mesmo de quando você precisa escalar lateralmente. Embora seja possível se jogar para o lado também, nesta direção é mais difícil fazer isso sem cair e você sempre acaba se afastando dos pontos em que dá para segurar. O caminho também é bem criativo. Mesmo você tendo fases inteiras de escalada, elas nunca ficam chatas ou repetitivas.
CHATA OU REPETITIVA
O que fica chato ou repetitivo é encontrar o caminho. No começo da campanha, ele pinta tudo que é interagível com tinta branca. Até brinquei comigo mesmo que provavelmente o uso de branco ao invés de amarelo deixaria o Jonas Jogador menos bravo. Porém, depois das primeiras fases, ele para de destacar o caminho correto. Era comum eu me ver voltando por caminhos que já passei ou simplesmente sem saber como avançar. E a culpa disso eu coloco no Jonas Jogador e sua infundada raiva contra tinta amarela.
O problema é justamente que Reach é um jogo de VR. Ficar perdido numa fase preso em um capacete é a pior coisa que tem. Pior que isso só ter que tirar o capacete para usar uma outra tela para buscar um guia em vídeo, o que é ainda mais chato em VR do que em panqueca. Isso fica cada vez pior quando você avança na campanha, culminando em uma perseguição que simplesmente exigia que eu tirasse o capacete a todo momento para copiar o que um guia fazia. Felizmente, encontrar caminhos é minha única reclamação forte em relação a Reach, pois todo o resto ele faz muito bem.
MATA-MATA

Um exemplo disso é o ataque furtivo. Não me lembro de ter visto isso tão bem feito em VR antes. Você precisa chegar por trás de um inimigo, segurar sua espinha e puxar. Isso arranca a desgramada e o bicho cai. É realmente satisfatório. Mas o combate aberto também é bom.
Sua arma principal é um arco, e é muito gostoso de usar. Você não precisa pegar flechas. Basta puxar a corda e atirar. Assim, é possível soltar várias flechas rapidamente. Não que seja necessário, pois a maioria dos inimigos morre rápido. Também é possível usar uma flecha que atordoa os inimigos e permite roubar as armas deles. Reach é um jogo muito bem pensado, planejado e realizado.
CENÁRIOS IGUAIS
Talvez a falta de orçamento seja seu principal problema. Não que Reach pareça um jogo pobre, mas é que ele escolheu competir com Uncharted, inclusive repetindo cenas, como escalar um ônibus pendurado. Provavelmente como decorrência dO orçamento, a maior parte das fases acontece nos mesmos cenários sci fi. São cavernas com tecnologia alienígena e coisas que flutuam, o que é até legal quando você encontra da primeira vez, mas acabei sentindo falta das missões em cidade que abrem o jogo.
Infelizmente, o jogo também está num estado técnico um tanto grave. Um exemplo é um momento em que eu tinha dois objetivos (pegar dois fusíveis) em caminhos diferentes, que podia pegar em qualquer ordem. Fiz os dois, mas fiquei com apenas um fusível. Precisei repetir um dos caminhos sem morrer para conseguir ficar com os dois. É o tipo de coisa que teria me feito desistir se o jogo fosse inferior.
Apesar de tudo, Reach leva minha efusiva recomendação. É o tipo de jogo que eu gostaria de ver mais, tanto em VR como em panqueca. Uma aventura cinematográfica, cheia de ação estilosa e momentos intensos. Não perca.





































