E temos aqui o primeiro lançamento de 2026 analisado pelo Delfos. Mio Memories In Orbit é um metroidvania 2D extremamente bonito, mas também altamente hostil. Venha saber tudo sobre ele.
REVIEW MIO MEMORIES IN ORBIT
Mio Memories In Orbit parece uma armadilha. É o tipo de jogo que normalmente me deixa muito animado para jogar ao ver vídeos. Afinal, ele é lindo, e parece uma delícia. Porém, é também aquele tradicional metroidvania soulslike extremamente difícil e hostil, sem opções de dificuldade. Isso é algo que já deu para mim, e normalmente a dificuldade não fica clara em vídeos pré-lançamento.
Além das óbvias influências de Dark Souls, Mio puxa bastante de outros soulslikes 2D de destaque, em especial de Hollow Knight. Aliás, ele parece uma versão mais cara do próprio Hollow Knight, com visual bonitinho e humor inocente, mas extremamente hostil e obtuso para quem joga.
ACESSIBILIDADE?
Ele até traz algumas limitadas opções de acessibilidade. Depois de cada derrota para um chefe, você pode escolher que o bandidão fique ligeiramente mais fraco. Na prática, não faz muita diferença. Eu morri mais de dez vezes para alguns chefes e sinceramente não senti que eles ficaram mais fáceis. Um que não ativei, mas pode ajudar bastante na exploração é evitar que os inimigos te ataquem até que você os ataque. Minha dificuldade com esses jogos é quase totalmente em chefes, então eu não precisei ativar isso, mas certamente ajuda quem estiver cansado de passar correndo por inimigos para chegar no desafio que o matou.
Outra colher de chá, e esta eu ativei, é ganhar um ponto de vida extra e recarregável se você ficar sem pular por cinco segundos. Isso ajudou bastante, especialmente nos complicados desafios de plataforma. Vários desses exigiram dezenas de tentativas para mim, e perder vida e voltar do checkpoint com frequência certamente teria me feito desistir. Era meio chato ter que ficar cinco segundos esperando a vida recuperar depois de cada tentativa, mas é certamente melhor do que ter que voltar tudo. Isso não ajuda muito em chefes, por outro lado, pois ficar cinco segundos sem pular durante uma dessas batalhas é muito difícil. Em outras palavras, nada disso substitui um modo fácil ou uma invencibilidade opcional, que permitiria pular de uma vez os chefes mais chatos, mas nenhuma dessas opções existe aqui.
A BELEZA DA AQUARELA

Mio Memories In Orbit é um jogo MUITO bonito, em especial por causa do seu uso de cores. A turma da Douze Dixièmes aponta como influência os desenhos do estúdio Ghibli e isso é realmente visível. A história acontece quase sem cutscenes, mas mesmo assim os personagens são muito bem animados, desenhados e extremamente expressivos. Mesmo sendo pequenininhos.
Já é muito legal correr normalmente com a protagonista, mas perto do final do jogo, quando você combina o poder de aranha com o gancho e com o voo, é simplesmente uma delícia. E muito disso se deve ao visual elaborado. Os cabelos, que são também os braços da heroína, dublando de pernas de aranha e se segurando no cenário próximo remete a um Carrion bonitinho e é legal de ver e de controlar. Digo mais, este poder de aranha é um dos mais criativos e divertidos que já vi em um metroidvania.
PODERES
Aliás, vale destacar os poderes em si. Apesar de Mio não ter muitos upgrades, ele ganha muitos pontos comigo por já permitir começar a campanha com pulo duplo e, logo no início, já te dar o gancho. Estes são dois poderes que tradicionalmente são liberados no final da campanha de outros jogos do gênero e são duas coisas tão básicas que sinceramente nunca vi motivo para segurar.
O combate é simples, basicamente com um único botão de ataque. Você pode customizar seu build colocando “runas” que dão alguns poderes, como mais força ou permitir que inimigos te deem parte da experiência de forma permanente, ao invés da que você perde na morte. O chato é que originalmente você tem muito pouco espaço, e acaba ficando limitado a colocar duas runas que mostram a sua vida e a dos inimigos. Sem esta última equipada, você não consegue nem ver a vida dos chefes, o que deixa as batalhas bem chatas.
SOULSLIKE
Apesar da hostilidade que vou elaborar em breve, Mio Memories In Orbit, traz novidades ao gênero Soulslike que são bem-vindos. Provavelmente o que mais gostei é seu uso da experiência. Você tem dois tipos. Uma delas é temporária, e você perde tudo quando morre – e não dá para recuperar. Porém, há um bichinho espalhado pelo mapa que permite tornar esta experiência permanente. Mais para frente, uma das runas que você pode equipar divide a XP que você ganha na exploração entre a permanente e a temporária, o que significa que você sempre está evoluindo, mesmo quando morre.
O lado ruim disso é que a loja que vende os upgrades fecha na reta final da campanha e você fica com um monte de XP/dinheiro sem poder usar para nada. Deve ter um jeito de reativar a loja, mas jogando antes do embargo, sem guias, não consegui descobrir como – nem se existe.
HOSTILIDADE

Mio Memories In Orbit é um jogo altamente hostil. E ele nunca é tão hostil quanto no início do jogo. Você começa a campanha com um único checkpoint, sem fast travel e sem mapa. Depois de algum tempo, você tem acesso a um mapa que pode ser visto apenas perto do checkpoint. Só depois de vários chefes, é possível ter um mapa que pode ser acessado em qualquer lugar, mas mesmo assim ele só é atualizado em checkpoints. Isso exige que sua exploração seja às cegas, pois simplesmente não existe um mapa para checar e descobrir se você está no caminho para um atalho ou se afastando ainda mais.
Outra coisa que me incomodou muito foram os checkpoints. Ou, em especial, quão limitados eles são. Durante várias fases e chefes o único checkpoint fica numa área central, com vários atalhos. Foi assim durante tanto tempo que eu sinceramente achei que Mio fosse um quase roguelite. Ou seja, que você voltava para o início ao morrer, mantendo seus upgrades. Quando encontrei um checkpoint em outro lugar, depois de algumas horas de jogo, fiquei sinceramente surpreso. Desde então, checkpoints passaram a aparecer. Ainda limitados, mas com mais frequência do que no início.
Mas a hostilidade continuou. Para os checkpoints funcionarem como fast travels, você precisa achar um guardião perdido em algum lugar da área e restaurá-lo. Isso nem sempre é fácil, e pelo menos em um caso, eu encontrei o guardião, mas o jogo diz que ele está longe demais do checkpoint para ser recuperado. Como eu não posso carregá-lo, simplesmente não sei o que fazer (de novo, deve ter uma solução, mas antes do embargo não consegui descobrir).
MAMÃE, EU QUERO GUIA
Mio Memories In Orbit é um jogo em que eu teria facilmente consultado guias na campanha inteira. Ele nunca é claro para onde ir, e sua hostilidade e dificuldade são altíssimas para qualquer videogame. Dito isso, eu joguei antes de guias estarem publicados. E isso fez com que minha experiência fosse bem diferente do que as que tive no passado em soulslikes tradicionais. Eu fiquei sinceramente surpreso comigo mesmo por ter conseguido chegar ao final sem pedir arrego pra internet. Não solucionei o jogo inteiro, longe disso, mas consegui fazer os créditos subirem, o que parecia impossível, especialmente no início, quando sua hostilidade é esmagadora.
Pouco depois de eu ter terminado, recebi um aviso da assessoria de imprensa dizendo que o jogo tem um final real depois dos créditos, mas eu não consegui encontrá-lo. Além disso, meu tempo de campanha foi de 12 horas, quando o review guide diz que o jogo dura de 25 a 40 horas. Então temo que ainda tenha muito jogo depois dos créditos subirem, mas sinceramente não sei se tenho saco ou energia para insistir mais nele.
Dito isso, gostei muito do que joguei, e ninguém fica mais surpreso com isso do que eu mesmo. Depois de ter passado uma hora e pouco com ele, estava com vontade de desistir, sem ter gana para continuar jogando. Mas insisti e essa falta de vontade aos poucos se transformou em animação e Mio Memories In Orbit se tornou um dos soulslikes mais cativantes que joguei em muito tempo.



































