Mais um para a lista de jogos lindos que são terríveis de jogar. Ao contrário de Sopa, este não sofre de falta de polimento devido a falta de orçamento. Ou pelo menos não é minha interpretação dos fatos. O problema aqui é puro game design mesmo. Bye Sweet Carole é um jogo punitivo. Não difícil, mas simplesmente chato e repetitivo.
REVIEW BYE SWEET CAROLE
Não tem jeito, o visual é a carta de apresentação de Bye Sweet Carole e, se você for atraído por este jogo, provavelmente será por causa disso. O visual é bastante semelhante a um desenho da Disney que se permite ser mais assustador. A animação, expressões faciais e tudo que acontece durante o jogo em si beira a perfeição gráfica e simplesmente é difícil de colocar problemas.
Já o jogo… aí é outra história. Talvez por causa do foco no visual, controlar estes personagens simplesmente não é gostoso ou responsivo. Coisas como interagir com o cenário ou escalar obstáculos são trabalhosos e exigem um posicionamento muito mais exato do que o necessário.
APONTA E CLICA

Bye Sweet Carole é um point and click em espírito. Você precisa ir e voltar em cenários relativamente abertos, coletando itens e usando-os em outros pontos. Contudo, ele não está feliz em ser um point and click tradicional. Ele quer também ser um jogo “normal”. E é aí que seus problemas aparecem.
Durante quase todo o jogo, você precisa explorar o cenário e solucionar seus quebra-cabeças enquanto é caçado por uma criatura. Via de regra, a única forma de escapar é ir até um dos pontos de esconderijo e segurar a respiração até ela ir embora. Para isso, você corre, escala e até pula entre paredes. Mas na maior parte dos casos, ela não vai embora totalmente, apenas para de te perseguir. Como o Mr. X, ela continua vagando pelo cenário buscando você.
O problema é óbvio: você é constantemente interrompido enquanto pensa no que fazer e precisa fugir, muitas vezes para outra tela, e depois voltar para continuar a solução. É simplesmente muito chato, a ponto de nem o visual compensar a frustração.
FRUSTRAÇÃO
E falando em frustração, os problemas de game design se estendem aos troféus. Tem, por exemplo, um troféu para terminar o jogo sem pular cutscenes. Mas não sei se por malícia ou burrice, a maioria dos checkpoints fica antes de cutscenes. Ou seja, cada vez que você morrer, precisa ver de novo uma cena que já viu, ou sacrificar o troféu, mesmo que tenha assistido à história inteira. Outros troféus mal planejados envolvem exigir que você jogue duas ou mais vezes, com prêmios separados pedindo coisas como “resolva o quebra-cabeça sem errar” e “erre ao resolver o quebra-cabeça”. Não dá para fazer os dois na mesma jogada, e é assim que Bye Sweet Carole tenta compensar sua curta duração forçando um replay.
A história talvez seja o mais interessante. O jogo trata de coisas como emancipação feminina e a hostilidade das outras mulheres contra aqueles que lutam por isso. É um tema bastante importante, embora tenha sido abordado recentemente em outros jogos. As cutscenes variam entre as belíssimas, que são puro desenho animado, e outras claramente de baixo orçamento.
CUTSCENES
Na maioria delas, você simplesmente vê dois ou mais personagens um na frente do outro em sua animação idle enquanto eles conversam. O visual e as animações são ótimos, mas no final das contas, cutscenes assim são como ver dois personagens de Street Fighter II um na frente do outro com vozes por cima. Tipo, a animação é legal e constante, mas repetitiva e não ajuda na narrativa. Como a maior parte da história de Bye Sweet Carole é contada desta forma, a narrativa sofre bastante, mesmo para quem, como eu, está interessado na história.
Bye Sweet Carole é um jogo cujo enorme potencial está em seu maior chamariz: o visual. Infelizmente, tirando a beleza gráfica, ele pouco ou nada faz para se destacar, ou mesmo ser um bom jogo.






































