Quem acessa o DELFOS desde a época de outrora conhecida como 2004 deve se lembrar da minha resenha de Painkiller. Vou te dizer que nem me lembro exatamente do que escrevi lá, mas tal qual Clive Barker’s Undying, é um jogo que morou forte na minha cabeça nos últimos 21 anos. Tenho memórias de ter vivido com ele alguns dos momentos mais divertidos que tive em um FPS.
Assim, quando foi divulgado que um novo Painkiller seria lançado, eu fiquei muito feliz. Para não estragar a surpresa, resolvi nem assistir a trailers. Delfonauta, eu deveria ter feito isso. Acontece que, para frustrar totalmente minhas expectativas, o Painkiller de 2025 é um jogo feito para multiplayer. Muito provavelmente é mais uma tentativa parca live service, embora ainda não saiba quais os planos da 3D Realms para ele.
O curioso é que sempre senti que Painkiller não tinha sido um enorme sucesso. A maioria das pessoas com quem eu comentava sobre ele não lembravam ou não jogaram. Assim, lançar um jogo diferente hoje, com o mesmo nome, parece um tiro no próprio pé. Mais ou menos como aquele Prey ou como a Bungie quer fazer com Marathon.
PAINKILLER: AGORA UM MULTIPLAYER, E APENAS UM MULTIPLAYER
Painkiller é daqueles jogos que, assim que iniciados, pedem para você pagar a Plus. Fico pensando como as desenvolvedoras se sentem com isso. Ter que pagar outra empresa para jogar seu jogo não deve descer bem, e pior ainda se você for obrigado a colocar uma propaganda para este serviço que não serve ninguém logo no início. Dito isso, você pode se recusar a pagar toda vez que rodar Painkiller e vai, então, entrar no modo off-line, que não divide progresso com o modo on-line. Assim, se você não paga pelo multiplayer agora, mas destravar um monte de coisa no jogo, caso venha a pagar depois vai perder todo o progresso. Bacana. Bacana mesmo.
Não que tenha muitos motivos para jogar Painkiller sozinho. Você é sempre acompanhado por dois bots, e os dois matam inimigos e se juntam a você quando o time precisa se juntar para avançar. Mas a colaboração deles termina aí. Eles não cumprem objetivos, não apertam botões, e não colaboram para abrir as passagens secretas em que um jogador precisa ficar em cima de um botão enquanto o outro passa pela porta que se abre.
TANQUE DE SANGUE

Os objetivos são exatamente o que você espera de um jogo multiplayer. Tem inimigos infinitos até você chegar nas arenas com objetivos, então o esquema é sair correndo, ao invés de perder tempo matando geral. Quando a porta se fecha, você precisa fazer algo. Pelo que joguei, este objetivo é sempre matar algumas ondas de inimigos ou transportar tanques de sangue.
Estes tanques são a coisa mais pentelha do mundo. Você precisa carregar um deles, o que te impede de atacar. Daí espera os amiguinhos matarem inimigos que estão te atacando até ele ficar cheio. Finalmente, deposita o tanque no seu lugar para avançar. Alguns desses objetivos envolvem depositar três tanques de sangue em lugares diferentes. Já seria chato em grupo, mas sozinho, em que você é o único que carrega o tanque, fica insuportável.
DURAÇÃO
Painkiller tem três capítulos, com três fases em cada uma. A terceira fase sempre termina em um chefe. As fases duram cerca de 20 minutos cada, então dá para terminar o jogo em umas quatro horas, mas eu sinceramente não aguentei tudo isso. Para incentivar o replay, Painkiller tem dificuldades mais altas que pagam mais, e a ideia é você ir aumentando a dificuldade para conseguir comprar armas e melhorá-las, o que é caríssimo nas dificuldades mais baixas.
Painkiller 2004 é um jogo que eu joguei sozinho, amei e nunca mais esqueci dele. Foi uma experiência de FPS mágica. Painkiller 2025 é um jogo igual a tantos outros. Ele lembra muito, muito mesmo, o terrível FBC Firebreak, por exemplo. Claro, a temática é diferente, mas a sensação de jogar é a mesma. Para ser justo, Painkiller 2025 é melhor do que o live service da Remedy, mas você tem vontade de jogar mais um multiplayer PVE?








































