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Donkey Kong Bananza é, para mim, o principal jogo da janela de lançamento do Switch 2. Sim, eu amei Mario Kart World. Mas no final das contas, é um joguinho do estilo partidas rápidas e competitivas. Um que você joga para sempre em partidas on-line. Às vezes perde, às vezes ganha, e vai para a próxima diversão. Donkey Kong Bananza é mais meu estilo: uma aventura com fim, mas que vai morar no meu coração para sempre, mesmo depois de terminar. E é assim que eu gosto dos meus videogames.

DUAS PREOCUPAÇÕES EM DONKEY KONG BANANZA

Mas admito que eu tinha minhas dúvidas sobre Donkey Kong Bananza. Para começar, eu preferia que o time responsável por Super Mario Odyssey tivesse feito outro jogo do Mario. Afinal, é incrível quão poucos jogos de plataforma do herói existem – basicamente um por geração, e muitas vezes nem isso. Com o time fazendo Donkey Kong Bananza, acho bem provável que o Switch 2 nunca ganhe um jogo do Mario de plataforma 3D, o que é uma pena.

Falando especificamente do jogo, temia que o foco em destruir cenários deixasse o jogo aberto demais. Afinal, se você pode ir para qualquer direção, talvez não sobrasse espaço para o excelente e cativante level design da Nintendo. Bom, minha primeira preocupação vai levar um tempo para ser saciada. Mas a segunda eu posso dizer que foi em vão. Donkey Kong Bananza tem um level design fantástico e, embora você de fato possa explorar muito, o jogo é inteligente em dar dicas de onde vale cavar. Assim, você não fica cavando a esmo onde não vai ter nada.

REVIEW DONKEY KONG BANANZA

Donkey Kong Bananza, Switch 2, Nintendo, Delfos

Donkey Kong Bananza tem muito, muito mesmo, de Super Mario Odyssey. Trata-se de um coletaton em que, ao invés de estrelas, você coleta bananas. Cada cinco bananas dão um skill point para melhorar o personagem. Outros colecionáveis, como ouro e fósseis, servem para comprar itens e cosméticos. Assim como Odyssey, os fósseis podem ser trocados por cosméticos apenas na fase em que são coletados. Isso permite que você compre roupinhas a rodo, sem sentir necessidade de guardar para comprar algo no futuro.

A jogabilidade é um tanto mais simples. Se o gimmick de se transformar em qualquer personagem dava a Super Mario Odyssey uma infinidade de jogabilidades diferentes, Donkey Kong Bananza é totalmente focado nos socos e na destruição. Cada botão do controle soca em uma direção, permitindo atacar para frente, para baixo e para cima. O botão de pulo originalmente fica no A, mas felizmente o jogo permite trocar pulo e soco para baixo, colocando o pulo no mais tradicional B.

Apesar da jogabilidade ser mais simples para ver tudo e entender como funciona, Donkey Kong Bananza é um jogo tecnicamente muito impressionante. Imagine aquele gimmick de Doom Eternal, em que cada inimigo tem um monte de camadas dentro de seu corpo, que vão sendo mostradas conforme você os machuca. Agora coloque esta tecnologia nas fases, em que cada material tem outros materiais internos e você pode quebrar tudo e mergulhar em qualquer direção. Sim, há limites. Muitos materiais são indestrutíveis e por isso não dá para destruir onde os level designers não querem. Ainda assim, é impressionante. É bem comum você poder mergulhar muitos metros abaixo do chão e acabar encontrando todo um pedaço extra de fase escondido, com muitos colecionáveis e desafios próprios.

OH, BANANA!

O mais importante é que é tudo muito satisfatório. Bater nos inimigos é uma delícia, assim como quebrar os cenários. Eu costumo criticar bastante aqui jogos em que seus golpes não têm impacto, e Donkey Kong Bananza vai na direção oposta. Até seus pulos têm impacto, tornando fazer absolutamente qualquer coisa uma delícia. Pegar bananas, então, talvez o principal objetivo do jogo, é de uma gostosura ímpar, talvez apenas comparável a comer bananas na vida real.

Donkey Kong Bananza, Switch 2, Nintendo, Delfos
Oh, banana!

Super Mario Odyssey talvez seja o maior ponto de comparação. Porém, Donkey Kong Bananza é mais aberto. Sim, seu gimmick de gameplay significa que mesmo seu objetivo sendo sempre claro, e aparentemente próximo, você pode ficar um bom tempo procurando bananas e fósseis escondidos. Do lado positivo, seu progresso é limitado apenas por progresso propriamente dito. Você tem objetivos específicos para passar de fase, e nunca é obrigado a ficar preso explorando até coletar um certo número de bananas. Isso é ótimo. O incentivo “bananas por skill points” já é o suficiente, e as bananas estão literalmente em todo lugar.

Isso deixa Donkey Kong Bananza mais direto do que OdysseyOdyssey costumava começar cada fase com objetivos lineares e caminhos limitados, que depois de cumpridos, abriam a fase para você procurar estrelas. Aqui seus objetivos são claros desde o início, mas você pode ficar muito tempo explorando a fase e indo por caminhos alternativos. Assim, o jogo fornece fases mais lineares para quem deseja progredir, ou pequenos mapas abertos para quem quer brincar de coletaton. Eu sou um cara mais de fases. Gosto mais da fórmula Astro Bot do que de “pegar estrelas”, mas neste caso específico a exploração é tão gostosa que eu só seguia em frente com os objetivos principais quando sentia que tinha explorado tudo.

CHEFES E CONVERSAS

E claro, temos a Pauline, a donzela raptada pelo Donkey Kong naquele primeiro jogo jurássico. A Pauline aqui é criança e tem afinação perfeita e mágica. Como na vida real, uma pessoa com esses poderes cantando faz o companheiro se transformar. E cada transformação tem superpoderes, como voar ou aspirar materiais. Supostamente, estas transformações funcionam por tempo limitado, mas é tão fácil encher a barrinha que isso é uma preocupação leve. Elas costumam ser usadas em pontos específicos das fases ou para vencer chefes, mas são todas bem agradáveis. Curiosamente, senti que os chefes são um tanto curtos demais. Boa parte das batalhas terminava segundos depois de começar e, como os chefes da Nintendo estão entre os poucos que eu gosto, achei isso uma pena.

Donkey Kong Bananza, Switch 2, Nintendo, Delfos

E já que falamos de pena, Donkey Kong Bananza é um dos primeiros jogos da Nintendo a vir traduzido e dublado em português do Brasil. Infelizmente, dá para escolher o idioma das falas, mas o escrito pega o idioma do seu console. Ou seja, não dá para ter o console em inglês e as legendas em português. Mas talvez mais chato para quem depende de dublagem é a insistência da Nintendo em ter personagens que não falam. Apenas a Pauline fala de verdade, enquanto todos os outros falam em gibberish. Considerando que a Nintendo escolheu ser a pioneira em cobrar 80 dólares por seus jogos, ela deveria passar a contratar atores profissionais para todos os personagens de um jogo focado na história, como este. Simplesmente não dá mais para usar a desculpa de outrora (época do Wii) de que seus preços são mais baixos e por isso têm menores valores de produção.

BANANZA!

E mais, nem tudo é dublado. As músicas de transformação, cantadas por Pauline, estão apenas em japonês. Não foram localizadas nem para o inglês, o que parece uma oportunidade perdida criativamente, mas se torna ainda mais frustrante quando você lembra do fator “80 dólares”. Sim, Donkey Kong Bananza custa “apenas” 70 USD, mas a precificação de Mario Kart World já está reverberando pela indústria e nunca devemos esquecer quem foi o pioneiro em cobrar 500 reais pela versão mais básica de um jogo. Especialmente por ser uma empresa que nunca diminui o preço das suas obras, e às vezes até aumenta, como tem acontecido com jogos antigos de Switch 1.

Vejo como minha obrigação falar do preço e alertar sobre essas práticas, mas no final das contas não posso dizer quanto um jogo vale para você. E a verdade é que eu amei Donkey Kong Bananza. É muito provável que ele esteja entre os escolhidos no meu pódio de melhores de 2025. É um plataforma 3D delicioso, muito bonito e muito satisfatório. Poderia ter melhores valores de produção, especialmente considerado o preço cobrado por ele e o fato de que nunca vai ficar mais barato e muito provavelmente vai até ficar mais caro. Mas o que está aqui certamente vai satisfazer e divertir quem decidir investir seu considerável preço para jogar.