Eu gosto muito da temática arábica. Acho que dá para contar ótimas histórias e fazer ambientações diferentes seguindo essa cultura tão pouco difundida no ocidente. Infelizmente, Mirage 7 não é bom como eu esperava. Em muitos aspectos, ele lembra bastante Blood of Mehran, que também abordou esta temática e foi uma enorme decepção.

REVIEW MIRAGE 7

Mirage 7 é um jogo 3D linear, cujo gameplay segue a linha de Zelda. Ou seja, tem combate, mas até menos do que no jogo da Nintendo, e realmente não é o foco. Isso é bom, porque o combate é muito ruim. Os inimigos não se movimentam quando atingidos, e simplesmente ficam te atacando a cada X segundos, como um RTS. Então todo combate envolve bater uma vez, rolar no chão para escapar do golpe, correr até o inimigo e bater mais uma vez enquanto ele prepara outro ataque. É um saco e mesmo no fácil, os inimigos mais simples funcionam assim e demoram muito para morrer. Tipo mais de um minuto.

Infelizmente, os quebra-cabeças, que são o foco de Mirage 7, também não são bons. Eles são estilo point and click, de pegar um item e usar em outro lugar, mas têm uma progressão extremamente engessada. Um exemplo é um puzzle em que você precisa puxar um barco para o seu lado da margem. Eu tinha no inventário uma corda e vários ossos, e pensei que podia combinar tudo para fazer um gancho. Mas o jogo não deixava. Pelo menos não até eu perceber que podia me aproximar do barco do meu lado do lago e apertar B. Só então ele liberou que eu combinasse os itens para solucionar o quebra-cabeça EXATAMENTE da forma que eu já tinha solucionado.

Em vários outros quebra-cabeças, os itens que você precisa pegar não são destacados pela “visão detetive” até você focar a visão nele. É uma complicação totalmente desnecessária. Para que colocar uma visão detetive se ela não vai destacar o interagível imediatamente? Se algum jogo realmente precisa de algo equivalente à popular tinta amarela para mostrar no que dá para mexer, este jogo é Mirage 7. Do jeito que é, é comum você saber o que fazer, mas simplesmente não encontrar o que precisa encontrar para liberar a solução que pensou. A quantidade de vezes que eu me surpreendi com um prompt de interação no chão ou em outro lugar sem qualquer sinal não está no gibi.

JOGANDO POR OBRIGAÇÃO

Mirage 7, Drakkar Dev, Blowfish Studios, Delfos

Infelizmente, Mirage 7 já começa chato, frustrante e quebrado. Um dos primeiros quebra-cabeças, por exemplo, envolve procurar galhos para fazer fogo. Só que antes de eu “ativar” o quebra-cabeça, já tinha pegado todos. Quando o objetivo apareceu, eu tinha os galhos no meu inventário, mas não podia usá-los, porque o jogo exigia que eu pegasse os galhos que não existiam mais no cenário. Eu simplesmente fui obrigado a iniciar a campanha de novo e ativar o quebra-cabeça antes de explorar o cenário. Ridículo, não?

O visual também é bem fraco, especialmente pela qualidade de imagem, que no Xbox Series X é muito fraca. A impressão que dá é que ele usa uma resolução muito baixa, tipo abaixo de 720p, e isso incomoda bastante, com uma imagem cheia de ruídos e artefatos.

Gostaria de ser mais gentil com Mirage 7. Infelizmente, sua temática é seu único trunfo, e ele não faz nada com ela. A própria história é uma bagunça, com o jogo começando sem você sequer saber qual é seu objetivo por várias horas. Contar histórias árabes é algo legal, mas infelizmente videogames, especialmente em 3D, exigem dinheiro. Isso torna bem complicado para qualquer desenvolvedora independente criar algo com esta temática e tecnologia sendo devidamente polido, uma vez que a turma do dinheiro não gosta de investir nessas histórias.