Tem uma tendência bem irritante nos jogos atuais. Crafting? Mundo aberto? Roguelikes? É, também. Eu sou realmente um velho chato. Mas agora, neste momento específico, estou falando da RPGização dos videogames. Hoje em dia tudo tem estatística, upgrade e pentelhações do tipo. Até quando não é necessário, ou bem-vindo. Caso em questão: Marvel Cosmic Invasion.
REVIEW MARVEL COSMIC INVASION
Marvel Cosmic Invasion é o novo beat’em up hypado estrelado pelos personagens da Marvel. E eu faço muito parte deste hype. Um novo joguinho de soquinho estrelado peelos personagens que eu passei minha infância e adolescência lendo? Por favor! Ainda melhor é se for feito pelo time que revitalizou as Tartarugas Ninja em Shredder’s Revenge, a Dotemu e a Tribute Games.
E tudo indicava que vinha coisa boa por aí. Os gráficos são ótimos. A história é ambiciosa, toda falada, apesar de ser contada em imagens estáticas estilo gibi. Nada é tão impressionante, no entanto, quanto a seleção de personagens. Temos 15 heróis Marvel aqui. Alguns são medalhões, como Homem-Aranha, Capitão América e Homem de Ferro, mas tem alguns que têm aqui sua primeira oportunidade de destaque no mundo dos games, como a Mulher-Hulk ou o Nova. E daí tem uma galera que eu nunca ouvi falar, como Beta Ray Bill, um pastiche do Thor com cara de cavalo; ou Phyla-Vell, que eu nem sei quem é ou como descrever.
Aparentemente sair do óbvio foi uma diretriz. Tem o Motoqueiro Fantasma, por exemplo. Legal, né? Mas é uma versão Cósmica que eu nunca tinha visto antes. Talvez sejam todos personagens mais recentes, já que eu parei de ler Marvel muitos anos atrás, mas mesmo assim, é estranho ter um Motoqueiro Fantasma e um Thor no jogo e não ser os dois que você espera.
MARVEL SUPER HEROES

Uma outra coisa que me chama a atenção é algo que já tinha percebido no game das Tartarugas Ninja, e até comentei no review de Asterix Slap Them All (que é de outra empresa): tem gráficos e desenhos aqui que são diretamente tirados das aparições anteriores destes personagens em fliperama. O Capitão América e o Homem-Aranha, para citar dois exemplos, são iguais visualmente aos que apareceram em Marvel Super Heroes da Capcom.
Eu não tenho aposta nesse balaio, apenas curiosidade. Gostaria de saber se as empresas licenciaram os desenhos originais para facilitar o trabalho ou se simplesmente pegaram na cara dura. Mas é difícil não perceber se você jogou tanto os flipers da Capcom quanto eu. Para o jogador, isso é até legal. Afinal, o visual é excelente e é muito legal controlar o mesmo Homem-Aranha de um jogo de luta em um beat’em up.
Todos os personagens são bem elaborados e diferentes. Alguns deles voam, o que pode parecer alterar totalmente a jogabilidade, mas a diferença na prática é que eles podem acessar um plano mais alto, mas controlam da mesma forma ali. Seria bacana ter uma forma de atacar para baixo, assim como é possível atacar para cima. Cada herói tem o uso de seus superpoderes. A teia do Homem-Aranha, os raios do Nova ou do Surfista Prateado ou o martelo do Thor… quer dizer, do Beta Ray Bill. Outros mais porradeiros, como a Mulher-Hulk e o Wolverine agarram com o uso do mesmo botão. Desta forma, Marvel Cosmic Invasion talvez seja o beat’em up com mais personagens elaborados diferentes que eu já vi.
A ESPERADA PARTE DO RPG
Então é tudo quase perfeito. Até que ele resolve ser um RPG. Sim, os personagens ganham XP e sobem de nível, e isso vai melhorando eles, dando mais vida e outros upgrades. A coisa é bem simples e os personagens sempre melhoram, sem decisão ou input do jogador. Porém, Marvel Cosmic Invasion incentiva a trocar de personagens com frequência. A história de cada fase é focada sempre em dois personagens, que conversam e falam durante ela inteira. Você pode jogar com outros, mas os diálogos são sempre os mesmos. Assim, dá para jogar com o Rocket Racoon e ficar ouvindo o Homem-Aranha falar. Eu achei isso legal pacas. É uma forma de elaborar todo mundo e dar possibilidade de jogar com todo o elenco ao longo da campanha. O problema é o fator RPG.
Com isso, quero dizer que seus inimigos vão ficando progressivamente mais fortes a cada fase. Assim, se você ficar alternando os personagens, vai logo ficar underleveled e ter que repetir as anteriores para poder fazer dano e sobreviver. É o pior de todo RPG, sem nenhuma das qualidades. Acredito que se você escolher e jogar com uma única dupla de personagens, isso talvez não seja um problema, mas é isso que você quer? Por exemplo, você destrava o Surfista Prateado quase no final da campanha. Vai dizer que não quer jogar com ele? Mas não pode. Ele aparece no nível 1 em uma fase que exige no mínimo nível 8.
Tudo culminou no chefe Modok. Aliás, os chefes aqui são todos péssimos, sem nenhum que se salva. A maioria precisa levar um monte de porrada para quebrar o escudo antes de poder perder vida – e o escudo logo volta. Mas o Modok em especial merece um interítulo só para ele.
MODOK, O INTERTÍTULO

O Modok é o símbolo Marvel da decepção. Ele estragou Quantumania e estragou Cosmic Invasion. Ele nem é dos chefes mais chatos do jogo, mas o problema é que é um dos últimos, e eu cheguei lá no nível 4 com todos meus personagens. Era simplesmente impossível passar. Precisei jogar praticamente o jogo inteiro de novo com os dois personagens que estavam no nível mais alto (curiosamente um deles era o Beta Ray Bill) para chegar no nível 9 e conseguir passar. Fazer isso foi um saco, e uma enorme perda de tempo.
Veja, eu jogaria Cosmic Invasion dúzias de vezes, como faço com Shredder’s Revenge ou Streets of Rage 4. Mas é diferente fazer isso pelo prazer de jogar ou para subir de nível e conseguir avançar na história, entende?
Além do modo campanha, que é estragado pelo RPG, há um arcade em que você escolhe um personagem e joga tudo sem continues. A boa notícia é que tem o modo free play, desbloqueável no número 1 da matriz. Então a sugestão é ficar no arcade ou fazer o modo campanha pela primeira vez com um único personagem, ignorando todos os incentivos do jogo para alternar.
Por um lado, pode ser um problema temporário. Eventualmente, todo mundo estará com nível alto o suficiente. Mas por outro, personagens mais fortes fazem miséria com as primeiras fases, de um jeito não legal. Então o RPG forçado em Marvel Cosmic Invasion só tem negativas. É um jogo com tudo para levar nota máxima, mas que se tornou apenas um bom jogo graças à insistência em seguir tendências.






































