Se tem uma coisa que vem me incomodando muito nos videogames é o corte de custos narrativo. Eu entendo todos os motivos que levam a isso, mas nem por causa disso vou gostar. 1000XRESIST é um desses casos. Estamos falando de um jogo quase sem mecânicas, totalmente focado na história, e com um roteiro bastante elaborado. Porém, quase nada é animado. Os cenários são estáticos, os personagens não movem as bocas e, tirando as protagonistas, os que se mexem reproduzem apenas aquele movimento idle de respiração.
REVIEW 1000XRESIST
Em outras palavras, jogar 1000XRESIST é quase como assistir a um teatro de bonequinhos feito por uma criança bastante inteligente e com muito a dizer. Mas animação e cutscenes fazem falta para um jogo que tem na história seu principal – e quiçá único – atrativo.
As mecânicas são bem básicas. Tem horas em que você se movimenta com um gancho que se conecta através de sinais. E, em outros momentos mais elaborados, você alterna entre duas ou mais linhas do tempo, para atravessar portas fechadas e outros obstáculos e chegar a seus objetivos. Mas tirando isso, você basicamente anda pelo cenário conversando com os NPCs e escolhendo o que dizer ou quais decisões tomar.
Para aumentar a duração, alguns cenários são excessivamente abertos e complicados, o jogo o enche de NPCs e coloca um troféu para falar com todo mundo naquele capítulo. Quase todos os capítulos têm esse troféu. Isso até pode ser interessante como lore, mas não muda o fato de que só é assim para aumentar a duração. Se você for direto para os objetivos, provavelmente terminará o jogo em metade do tempo.
HISTÓRIA

E isso nos leva ao prato principal, que é a história. Pois se eu tenho muitas críticas às mecânicas e às narrativas, isso não se estende ao roteiro, que é muito bom. Após uma epidemia que matou quase toda a humanidade, sobra uma moça que é imune. Esta moça se autodenomina uma deusa e encheu o mundo do jogo de clones de si mesmas. Ela criou dogmas, um pecado original e tudo mais para manter suas fiéis na linha. Tem muito além disso, e uma grande quantidade de viradinhas, mas não convém elaborar mais no contexto de um review.
A temática é uma forma do jogo de questionar religiões organizadas e fé cega através de dogmas que para quem vê de fora são ridículos. Além disso, a protagonista, que é uma “Observadora”, tem o poder de comungar com a deusa, vendo memórias da sua vida. Estas são as fases narrativas propriamente ditas, e o grosso da história, pelo menos até a primeira viradinha. E não demora para ficar claro que Iris, a deusa, nunca foi flor que se cheire.
Narrativamente, os NPCs não são animados, e vão de uma posição a outra imediatamente ou quando a câmera muda de ângulo, mas pelo menos a história é totalmente falada. Claro, como quase todo mundo é clone da mesma pessoa, quase todos são dubladas pela mesma atriz, o que claramente também foi um corte de custos. Mas ao contrário das cutscenes estáticas, pelo menos este foi um corte inteligente.
1000XRESIST
1000XRESIST é um jogo com foco narrativo e com uma boa história, o que pode ser um motivo para você gostar muito dele. Mas falando por mim, estou muito cansado deste tipo de narrativa “minimum viable product“. Você nunca veria um animê contando esta história com personagens estáticos, então por que isso é tão comum em games? Sim, games são uma mídia mais cara e mais difícil de fazer, mas se é para ser assim, não seria melhor publicar um livro? Eu sinceramente preferia ver a história de 1000XRESIST num livro do que desta forma. Dito isso, certamente há aqui uma história inteligente e que merece ser contada e assistida. Se você ainda tem paciência para este estilo narrativo, fica fácil recomendar.




































