Metroidvania é um gênero complicado atualmente, especialmente no terreno dos independentes. O gênero pode ser bom, mas pode também sofrer de falta de clareza, gameplay desagradável e dificuldade exagerada. Morkull Ragast’s Rage é culpado de tudo isso.
MORKULL RAGAST’S RAGE
O jogo é tão fraco que consegue fazer até a metalinguagem ficar sem graça. A história envolve uma desenvolvedora que criou um jogo de fantasia, mas o vilão criou consciência e quer escapar do jogo em que está preso. Você, o jogador, deve ajudá-lo nisso. É uma ideia que poderia render frutos, mas infelizmente não rola.
O gameplay é bem copy and paste de outros jogos, mas a animação não é legal, o combate não é bom e a única coisa que Morkull tem de mais ou menos especial é que seu pulo padrão é mais alto do que o da maioria dos protagonistas do gênero. É pouco, muito pouco.
FRUSTRANTE E REPETITIVO
Morkull Ragast’s Rage é frustrante e repetitivo. Seu problema não é nem ser difícil demais, mas economizar demais nos checkpoints. Como nos soulslikes, alterações que você faz no mundo, como itens coletados ou atalhos abertos, são permanentes. Também como nos soulslikes, você perde XP (que o jogo chama de almas mesmo, acredita?) quando morre. Você perde metade a cada morte, mas não dá para recuperar o que perdeu. Isso deixa muito difícil comprar upgrades, pois dificilmente você chega num checkpoint mais avançado. Você explora, vai destravando as coisas, morre e volta lá para continuar explorando, mas voltando sempre do mesmo lugar. É entediante.
Talvez seja até uma benção, mas o jogo é extremamente curto. No tempo que passei com ele, não encontrei nenhum chefe, mas liberei uma boa parte do seu pequeno mapa e comprei quase todos os upgrades. E mesmo assim o personagem se manteve fraco e limitado, e o combate com os combos comprados só ficou um tantinho menos truncado.
AUDIOVISUAL DE MORKULL RAGAST’S RAGE
Completando o desastre criado pela Disaster Games, o jogo ainda é feio e tem uma musiquinha ambiente que vai do esquecível ao irritante. Mesmo sendo muito simples para um exclusivo da geração atual, o jogo roda muito mal para o que é. Sidescrollers precisam rodar a 60 fps ou jogar fica sofrido, e este é um problema na versão de Xbox Series X. Se tanto, ele roda a 30, mas não é o suficiente para o gênero, e inaceitável para gráficos tão simples.
O level design também é fraco, com vários caminhos que podem ser seguidos ao mesmo tempo, mas com poucos benefícios para a exploração. Eu passei por uma longa sequência dificílima e sem checkpoints para ser recompensado com algumas almas e um checkpoint, além de um elevador que deveria me levar para o início da sequência, mas graças a uma portinha fechada, o elevador passava, mas o personagem ficava preso e caía de volta. Total cara de erro de programação.
ERRO DE PROGRAMAÇÃO?
Ainda nessa toada, quando o jogo mostrou que meu objetivo ficava do outro lado de umas portas fechadas sem nenhuma forma clara de abri-las e com todo o mapa aberto explorado, resolvi que era hora de parar, ao invés de ficar buscando uma forma de abrir que talvez por causa de um bug não exista.

Eu não gostei de Morkull Ragast’s Rage já nos meus primeiros minutos com ele, mas forcei por algumas horas para dar uma chance honesta. Infelizmente, ele só piorou depois do fraco início. Foi de um jogo que não empolga para um ativamente irritante. Melhor evitar.