Eu não joguei o primeiro Silent Hill. Como já contei antes, joguei apenas o remake de Silent Hill 2 e Silent Hill F, ou seja, os mais recentes. Inclusive, assisti ao filme Terror Em Silent Hill apenas alguns dias atrás, 20 anos depois do lançamento – e da ótima resenha do João Paulo Rezek. Achei sinceramente uma porcaria.
Inclusive, me surpreendeu que 20 anos depois, o mesmo diretor voltaria para uma nova tacada na franquia, neste Terror em Silent Hill Regresso Para o Inferno. Ao olhar a filmografia do cara, isso parece menos estranho. Afinal, nos 20 anos que nos separam de Terror em Silent Hill, ele fez apenas um filme: A Bela e a Fera, e mesmo este foi em 2014. Mesmo assim, para ele foi apenas um trabalho, mas para o mundo foram 20 anos.
TERROR EM SILENT HILL REGRESSO PARA O INFERNO
O curioso é que, se o primeiro filme contava uma história mais ou menos inédita, apenas influenciada pelo primeiro jogo, este de fato adapta diretamente Silent Hill 2, mesmo não sendo o segundo filme (o segundo oficial foi Silent Hill Revelation). E é uma adaptação difícil.
Por um lado, é uma história muito conhecida, com uma das viradinhas mais famosas da cultura pop desde “I am your father”. Por outro, ao contrário do jogo, o filme não é interativo e não pode se apoiar no gameplay e discutivelmente nem tanto na atmosfera. Assim, temos aqui basicamente um apanhado das cutscenes do jogo, com algumas modificações feitas para a sétima arte.
MARY CRANE
Talvez a mais importante seja o tratamento dado para a esposa Mary Crane. No jogo, ela é apenas um McGuffin, algo para levar James para a cidade assombrada. No filme, ela é um personagem mais desenvolvido, com direito a uma enorme quantidade de flashbacks elaborando o relacionamento dos dois.

Provavelmente a intenção foi fazer você se afeiçoar a ela para ser mais atingido quando a hora da viradinha chegar. Mas falando como alguém que já conhecia a história e a viradinha, penso que isso afetou negativamente a história. Ter a mesma atriz fazendo a Maria, que no jogo nada mais é do que uma versão sexualizada da Mary, por exemplo, entrega parte do twist antes de ele acontecer, e funciona melhor se você nunca tiver visto a Mary.
Além disso, o filme também dedica um tempo considerável para o culto que aparece em Terror em Silent Hill, que simplesmente não dá as caras no segundo jogo. E as cenas que ligam a Mary ao culto são as mais fracas do longa, que funciona bem melhor como uma história pessoal.
UMA HISTÓRIA PESSOAL
Afinal, é isso que o jogo é. Sem dar spoilers do jogo nem do filme, Silent Hill 2 mostra James lidando com seus fantasmas interiores e com o fim do seu relacionamento. O filme vai além disso e, ao tentar andar para frente, acaba andando para trás.
Um exemplo é a viradinha em si. No jogo, fica claro que aquilo aconteceu por James ser um babaca egoísta e justamente daí vem seu sentimento de culpa. Regresso Para o Inferno é muito mais gentil com seu protagonista. Não vou dizer, claro, se a viradinha é a mesma nos dois. O James em celuloide toma atitudes questionáveis, sim, mas todas elas parecem justificáveis, e até altruístas.
SILENT HILL 2
Terror em Silent Hill Regresso Para o Inferno me lembrou da época de escola. Quando os professores passavam livros para nós lermos e todo mundo ia atrás de adaptações em filmes, que dariam menos trabalho para ver. É mais ou menos isso. Se jogar Silent Hill 2 parece trabalhoso ou demorado demais para você, este filme funciona como um resumo com os principais tópicos, mas sem o mesmo desenvolvimento ou atmosfera e, claro, sem gameplay.
Para um jogo que é basicamente um filme, como The Last of Us, por exemplo, isso até funciona. Mas Silent Hill 2 é muito mais jogo. Ver a história em um filme, passando pelas fases do game, como o hospital ou o hotel, faz tudo parecer muito rápido, sem desenvolvimento e sem tempo para pensar. Ele é até bem fiel na criação dos cenários e o diretor faz planos estilosos que me agradaram bastante. Mas é inegável que a história funciona melhor como um game.





































