Extermínio A Evolução é a continuação tardia de Extermínio, que fez miséria com o cinema Z em 2002 e depois ganhou uma continuação fraquinhaA Evolução é uma daquelas obras que trazem de volta os criadores do original muitos anos depois. E funciona. Como Ridley Scott voltando para Alien ou Kevin Eastman para as Tartarugas Ninja, a qualidade pode ser fraca, mas pelo menos isso sempre chama a atenção.

A boa notícia é que Extermínio A Evolução é um filme bacana. Sua direção é estilosa e sua história é tensa pacas. Vem se delfonar comigo que eu te conto mais.

CRÍTICA EXTERMÍNIO A EVOLUÇÃO

Como o título original entrega, Extermínio A Evolução acontece 28 anos depois do dia Z (28 Years Later). Assim, é uma história totalmente independente dos outros filmes, sem nenhum cruzamento narrativo ou temporal. O mais próximo disso é a introdução, que mostra uma outra família lidando com o terrível dia Z. E vou dizer, já começa bem. O dia Z é tipo o assassinato dos pais do Batman, não interessa quantas vezes a gente veja, é sempre bom assistir a esses ricaços morrendo. Quer dizer… você entendeu.

Depois da introdução, o filme propriamente dito começa, e conhecemos uma galerinha que vive uma vida mais ou menos normal em uma ilha isolada da terra principal. E assim somos introduzidos a Spike, um menino que vai sair da ilha com o pai pela primeira vez. A ideia é ajudá-lo a matar infectados pela primeira vez em um ambiente mais controlado. Papo vai, papo vem, ele fica sabendo de um excêntrico médico que mora sozinho.

Ah, a mãe dele está doente, e como não há médicos na ilha, ninguém consegue descobrir o que ela tem. Adivinha se o moleque não vai resolver sair do ambiente protegido com a mamis a tiracolo para levá-la ao médico.

HUMANOS NÃO SÃO MAIS VILÕES

Uma trope bem comum no cinema Z é que os zumbis são obstáculos, mas realmente perigosos são os humanos. Este era o tema inclusive no primeiro Extermínio, mas aqui o filme não entra em discussões sobre a selvageria humana. A viagem do moleque e sua progenitora é perigosa por causa dos infectados, não porque eles podem encontrar sabe Tupi o quê.

Talvez isso tenha sido feito para que Extermínio A Evolução seja um filme diferente do grosso do cinema Z. O lado bom é que funciona, e a história entretém e deixa tenso durante toda sua duração.

EXTERMÍNIO A EVOLUÇÃO E DANNY BOYLE

Extermínio A Evolução, 28 Years Later, Delfos
Não, não é o Cillian Murphy.

A direção é estilosa, com formas bem criativas de filmar a violência. Cada tiro parece ter um impacto real, algo que não é fácil fazer apenas com imagens. Mas o roteiro tem alguns problemas. O mais grave é o final. Quando o filme parecia estar terminando, uma nova história começa, e isso nunca é desenvolvido. O longa simplesmente termina logo depois, parecendo um gancho para continuação ou algo que você vê depois dos créditos em um filme da Marvel.

No primeiro encontro com miolentos também, o pai aponta o arco para uma menina e fiquei com a impressão que ela fala algo antes de fugir. Imaginei que esta seria a Evolução do título, mas ninguém comenta sobre isso, e parece que a ideia é simplesmente mostrar que o pai não tem coragem de matar uma infectada menina.

São problemas pequenos, no entanto, e não afetam o grosso do filme, que é bastante tenso e bacana. Vale a pena assistir a Extermínio A Evolução no cinema, mas dificilmente ele vai ter o mesmo impacto do original no cinema Z – que até anda um tanto extinto nos últimos anos.

CURIOSIDADE:

No passado distante, no velho DELFOS, sempre que a gente falava de Extermínio como um filme de zumbis, alguém fazia um comentário dizendo “não são zumbis, são pessoas doentes”. Pois batizei o texto de hoje em homenagem a essa ideia.