Eu tenho muito respeito por jogos que tentam simular caminhada com mecânicas. Manual Samuel, por exemplo, é um dos mais marcantes com esta proposta que já analisei para o DELFOS. Infelizmente, posso dizer o mesmo de I Am Bread. E isso me leva à inevitável conclusão: nunca é uma boa ideia colocar a dificuldade do seu jogo em um controle que não obedece, e chamar isso de gameplay.

BABY STEPS É O NOVO I AM BREAD

Eu estava animado para jogar Baby Steps, pois esperava que ele fosse o novo Manual Samuel. Infelizmente, ele é o novo I Am Bread. Sim, ele é engraçado. Ver seu personagem caindo porque erra os passos é algo que demora mais do que você espera para deixar de ser engraçado. As cutscenes, por outro lado, são excelentes e fazem rir alto. Eu queria ter chegado mais longe no jogo simplesmente para assistir a mais delas. Infelizmente, jogar em si é um suplício.

Pelo que posso perceber, o objetivo principal do jogo é escalar uma montanha. Ele não te mostra para onde ir nem usa waypoints, então cabe a você escolher o melhor caminho. Mas parece inevitável ter que encarar desafios. E falhar num desses desafios, como na imagem abaixo, normalmente faz você cair a montanha inteira.

Baby Steps, Devolver Digital, Delfos
Um passinho errado e você volta para o início do jogo.

Quando comecei a jogar, vi que ele salvava o tempo todo. Ou seja, não dá para desligar o videogame e perder progresso. Infelizmente, não demorou para eu ver que isso não era um mecanismo de acessibilidade, mas uma arma hostil contra o jogador. Errar um passo em um desafio como o que você vê acima te faz voltar o jogo inteiro, e simplesmente não dá para recarregar um save anterior, pois seu save imediatamente passa a ser embaixo da montanha.

OBJETIVOS SECUNDÁRIOS

O audiovisual deixa bastante a dever. A atuação, especialmente do protagonista, é excelente, mas músicas, efeitos sonoros e gráficos são muito, muito fracos. Baby Steps simplesmente não é um jogo para ser admirado. Pelo menos não com os olhos e ouvidos.

Tem objetivos que imagino serem secundários. Um dos primeiros deles te incumbe de pegar um copo que está em cima de um food truck. Tem uma pedra próxima, e chegar no topo dela permite subir no carrinho e pegar o copo. Eu perdi uns 40 minutos de vida tentando subir na pedra até desistir e seguir em frente, na esperança de ver mais cutscenes.

Daí fui escalando a montanha. Cheguei longe, subi pra caramba. Daí caí. Tudo. A subida demorou mais de uma hora e por causa de um erro, me vi novamente no andar de baixo, perto de onde tinha desistido de pegar o copo tanto tempo antes. Foi aí que encarnei o Murtaugh: sou velho demais para essa baboseira. Se o jogo não respeita meu tempo, eu nem vou tentar respeitá-lo de volta. As cutscenes são muito bem escritas e atuadas, mas este é o único elogio que posso fazer. Baby Steps talvez funcionasse bem como um curta. Como um jogo, vai entrar para os anais delfianos como uma das coisas mais frustrantes e irritantes que já joguei.