O Macaco é um longa baseado em um conto de Stephen King, produzido por James Wan e dirigido por Osgood Perkins. Isso explica a trinca de nomes que ilustra o pôster. Mas eu concordo com você: é muito estranho colocar este trio em um lugar que normalmente é reservado para atores. Isso talvez seja explicado pela falta de atores famosos. Tem apenas uma ponta do Elijah Wood e, tirando isso, tem a Tatiana Maslany, a atriz que faz a Mulher Hulk na série de TV do Disney Plus, em um papel bem pequeno. Não que atores famosos façam diferença para a qualidade do filme, mas certamente fazem para chamar o público geral.

CRÍTICA O MACACO

O Macaco, The Monkey, Stephen King, Osgood Perkins, James Wan, Delfos

O Macaco é uma história baseada naqueles assustadores macaquinhos bateristas que vira e mexe protagonizam um conto sobrenatural. No caso deste, cada vez que você ativa o símio, ele baqueta seu tambor e, em seguida, escolhe alguém para morrer. O principal ponto é que não é quem girou a corda que escolhe o futuro presunto, mas o próprio macaco. E, tal qual Premonição, as mortes são acidentes elaborados que lembram muito os fatalities de Mortal Kombat, tanto na ultraviolência quanto no humor absurdo.

Mas vou dizer: fazia tempo que um filme não me causava tanta repulsa em seus primeiros minutos. Não pelo gore em si, mas por coisas que há muito me incomodam no cinema. Ele começa, por exemplo, com uma longuíssima sequência de logotipos, que me lembrou aquela piada do Family Guy. Para piorar, depois que a sequência animada termina, ele mostra os mesmos nomes em uma sequência interminável de telas. Ele realmente quer que você saiba as companhias responsáveis por trazer este filme para as telas. Eu já esqueci todas.

Daí vem uma cena interessante que mostra a maldição do macaco e, logo em seguida, ele volta vários anos. É, começar uma história no lugar certo não é uma das qualidades hollywoodianas. Curiosamente, o filme nunca alcança a primeira cena. Ela fica ali, no início do filme, jogada, sem nunca se encaixar com o resto da narrativa. E daí, porque precisa de três pra casar, este filme tem a maior quantidade de cenas “acordando de pesadelo” que eu já vi na vida.

MESMO ASSIM…

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É difícil evitar a repulsa inicial causada pela trinca acima, mas a boa notícia é que, mesmo assim, o filme diverte. As mortes são legais e criativas – tenho uma saudável predileção para a da piscina – e a história é boba, mas entretém o suficiente. Com isso, eu não saí do filme com a sensação de que tinha acabado de assistir a uma porcaria, embora certamente foi assim que me senti no começo da projeção.

Apesar de exibir orgulhosamente o nome de Stephen King no pôster, O Macaco traz exatamente o que a gente está habituado a esperar de adaptações de sua obra. Quase um filme nada, porém divertido o suficiente. É pouco para um escritor tão prolífico e adaptado tantas vezes para a tela grande, mas parece que é o máximo que podemos esperar de obras do Estevão Rei na tela grande. E o máximo é o suficiente.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
critica-o-macaco-uma-divertida-sequencia-de-fatalitiesTítulo original: The Monkey<br> País: EUA, Reino Unido, Canadá<br> Ano: 2025<br> Distribuidora: Paris Filmes<br> Duração: 1h38m<br> Direção: Osgood Perkins<br> Roteiro: Osgood Perkins<br> Elenco: Theo James, Tatiana Maslany, Christian Convery, Elijah Wood.