Alguns jogos conquistam a gente imediatamente. É o caso de Platypus Reclayed, remake de Platypus, lançado originalmente em 2002. É incrível como o visual de stop motion (você sabe, massinha) é pouco usado hoje em dia, considerando que qualquer videogame é capaz de reproduzir o visual perfeitamente.

REVIEW PLATYPUS RECLAYED

Platypus Reclayed é puro charme. Todas as navinhas e os cenários são extremamente bonitinhos e aparentemente feitos com massinha e digitalizados. Aparentemente porque, claro, eu não tenho como ter certeza se absolutamente tudo que está no jogo foi fisicamente modelado, mas sei que muito dele foi.

Pela cara das navinhas, imagino que Platypus Reclayed tem o visual que um novo Fantasy Zone teria se feito hoje. Mas apenas o visual, já que o gameplay é diferente. Platypus tem a jogabilidade de um jogo de navinha sidescroller bem tradicional. Você atira o tempo todo, desvia de tiros e pega power ups. Você perde estes ao morrer ou então quando alguns segundos se passam, então é sempre necessário buscar por armas melhores.

O jogo é bem curtinho. Tem apenas cinco fases, e tenta compensar isso com uma altíssima dificuldade. E é aí que seus problemas começam. Ele faz até aquela babaquice comum na época de outrora de não ter o jogo inteiro no easy.

UM ARCADE QUE NÃO FUNCIONA COMO ARCADE

Platypus Reclayed, Claymatic Games, Delfos
Os buracos de bala aparecendo nas naves maiores são puro charme.

Platypus tem o funcionamento que estamos acostumados a ver nos fliperamas. Ou seja, ele tem o objetivo de papar suas fichas o mais rápido possível. Isso costuma ser irrelevante hoje, já que emular fliperama sempre dá acesso ao tradicional free play. Mas aqui as fichas são extremamente limitadas. Você tem apenas duas. Dá para ganhar mais vidas e continues através de pontos, mas mesmo assim passar por todas as fases, no easy, é um desafio considerável. Acima do normal é praticamente impossível.

Vença uma fase salva, e você pode continuar da seguinte em próximas jogadas, mas só na dificuldade em que jogou. Ou então você pode clicar na opção “destravar tudo” localizada nos menus, e começar por qualquer fase em qualquer dificuldade. Usando este truquinho, eu joguei da primeira à quarta fase no easy, e então escolhi o normal para poder jogar na última fase. Mas não durei muito nela.

Platypus Reclayed é aquele tipo de jogo bonitinho, que parece amigável, mas que quando você joga demonstra ser apenas uma experiência sádica e desequilibrada, tipo Silksong. E é uma pena, pois este é muito meu estilo de jogo. Mas eu só me veria jogando a sério como um fliperama com free play. Talvez depois que o jogo saia e as pessoas reclamem da dificuldade, eles coloquem uma opção para fichas infinitas. Mas pelo menos para mim, será tarde demais. Eu estava animado para Platypus Reclayed, e queria gostar dele. Mas já que ele está mais interessado em gastar meu tempo, melhor liberar o espaço no SSD para outra coisa.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. É o autor dos livros infantis "Pimpa e o Homem do Sono" e "O Shorts Que Queria Ser Chapéu", ambos disponíveis nas livrarias. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).
review-platypus-reclayed-visual-de-massinha-e-muito-fofoDisponível: PS5, PS4, Switch, Xbox Series, Mac<br> Analisada: Xbox Series X<br> Desenvolvedora: Claymatic Games, Idigicon<br> Editora: Claymatic Games<br> Lançamento: 18 de setembro de 2025<br> Gênero: Navinha<br>