Karma The Dark World é um jogo que me chamou muito a atenção no lançamento, mas que eu só tive acesso vários meses depois. Temos aqui um walking simulator tenso, com alguns quebra-cabeças e um pouquinho, bem pouquinho, de combate. Venha ler mais no nosso review.

REVIEW KARMA THE DARK WORLD

Você joga com um cara, que incorpora outro, que por sua vez incorpora outros. Essa confusão estilo A Origem é parte da minha decepção com a narrativa rocambolesca. Parece que o próprio jogo se perdeu no roteiro, em meio a todas as viradinhas e curvas que ele faz. Depois de jogar, vi que ele tem inspirações em David Lynch, e talvez seja isso que tenha me incomodado tanto, embora Alan Wake 2 também tenha e eu gostei.

A questão é que embora a história tenha me coçado do jeito errado no final, eu curti a experiência como um todo. O jogo termina com longas cutscenes e muita exposição narrativa, mas antes disso ele me parecia bem decente. Isso porque eu gostei da atmosfera e da história e até das poucas mecânicas, pelo menos até ele se perder narrativamente.

O visual é muito legal, com cenários bem realistas e impressionantemente iluminados. O problema, como sempre, são os personagens humanos. Estes têm rostos estranhos, dentro do uncanny valley. Para evitar isso, as pessoas têm rostos em formato de TV ou censurados, o que é uma boa ideia. Apenas os personagens mais desenvolvidos têm rostos propriamente ditos.

CABOCLO DENTRO DE CABOCLO DENTRO DE CABOCLO

Karma The Dark World, Wired Productions, Delfos

Você começa o jogo controlando um cara sem memórias dentro de um lugar que não conhece e sem saber como foi parar lá. Este caboclo, embora seja o protagonista propriamente dito, quase não aparece ou é desenvolvido. Logo, você incorpora o verdadeiro protagonista, o agente Daniel. Este agente vai investigar alguns crimes e descobrir uma complicada – e coloca complicada nisso – conspiração. Para isso, ele vai invadir a mente de outras pessoas. E uma longa parte do jogo é passado dentro do cérebro de duas dessas pessoas.

Uma delas é Sean, um aparente ladrão que se mostrará uma vítima. A outra é uma mulher que aparentemente é culpada pelos predicados de Sean, mas que talvez também seja uma vítima. Dentro das mentes, o mundo é surreal, com visuais absurdos e mecânicas mais elaboradas.

DIGA X!

Uma dessas mecânicas é a de fotografia, que envolve tirar fotos de lugares específicos para abrir caminhos. Você usa esta câmera no pouco de combate que há no jogo, em dois casos em que precisa fotografar monstros para escapar. Há monstros em outras cenas também, mas tirando estes dois casos, você precisa apenas fugir por caminhos lineares para escapar. O grosso do jogo é um walking simulator, com alguns quebra-cabeças salpicados.

Eu gostei da atmosfera e até dos quebra-cabeças, com exceção dos que envolvem analisar dicas para descobrir senhas. Esta é uma atividade que não me dá prazer nenhum e eu normalmente faço uma busca no Google para descobrir as senhas logo. Isso se repete várias vezes na curta campanha, mas felizmente não tive dificuldade para encontrar nenhuma das respostas.

Karma The Dark World é um bom jogo, que se perde feio no final, justamente na hora de revelar tudo. As revelações são confusas, rocambolescas, e boa parte delas não faz sentido, como num filme do David Lynch. Se isso te apetece, talvez você não tenha os problemas que eu tive com ele, pois, tirando isso, o jogo é bem bacana.