É difícil resenhar Apartment No 129. Como um jogo, ele é uma porcaria. Ruim de controlar, com botões mal configurados e sem opção de mudar. É difícil de navegar até nos menus. Por outro, ele me manteve interessado em jogar até o fim. Não como Dreadout 2, em que eu fui alimentado apenas pela raiva. Mas sim porque eu queria de fato ver esta história até o fim.
REVIEW APARTMENT NO 129
Apartment No 129 é baseado em uma lenda urbana turca. Nela, duas moças fizeram um ritual satânico e morreram. Na mesma noite, ocorreu um terremoto nunca registrado oficialmente. Por fim, os moradores abandonaram o prédio e todos que entraram lá depois relataram coisas estranhas. Interessante, né? Independente da realidade por trás da história, lendas urbanas são uma ótima inspiração para histórias fictícias, seja em jogos, filmes ou literatura.
Aqui, você controla Emil, um Youtuber em busca do tal apartamento assombrado. Seu primo diz que conseguiu o endereço e que vai te passar, desde que você vá lá sozinho. Emil, claro, topa. E, obviamente, dá ruim.
O 129 do título, no jogo, se refere ao número do prédio. E o prédio é uma bagunça, o que atrapalha muito o gameplay. Num andar, você tem os apartamentos 6, 7 e 8. No de cima, ao invés de seguir a ordem lógica, você tem o 41 e o 42. Isso deixa tudo desnecessariamente confuso. Quando seu objetivo é ir até o apartamento 66, por exemplo, sua primeira pergunta vai ser “onde fica isso?”. E daí você vai andar olhando todas as portas procurando pelo número, já que elas estão bagunçadas.
NO APARTMENT NO 129
Você vai entrar e de cara pode explorar o prédio por completo. Todos os andares e um térreo bastante extenso, além de alguns apartamentos que já começam destrancados. Eventualmente, você começa a encontrar cartas escritas para você, que te orientam. Tipo “pegue tal coisa no apartamento X”. Minha dica para você é seguir as dicas na ordem que as encontra, pois apesar de parecer extremamente aberto no início, Apartment No 129 é totalmente linear e não dá para cumprir nenhum objetivo de história antes dos outros.
Outra coisa que ele é, é totalmente escuro. Sério mesmo, você começa com uma lanterna que gasta pilhas. Isso já não é legal: ligar uma mecânica vital a um item limitado é receita para desastre. E sem a lanterna literalmente não dá para enxergar nada.

A iluminação do jogo é péssima, muito mal feita, e o jogo corre o risco de quebrar completamente se você gastar todas as pilhas. Felizmente, depois que você pega o revólver, dá para ligar uma lanterna infinita nele, que ilumina menos do que a outra, mas pelo menos torna o jogo enxergável. O problema é que daí começa o combate.
O COMBATE
O combate talvez seja a coisa mais tosca de um jogo já bastante tosco. Todos os inimigos são programados para morrer com um pente inteiro de balas e mais um pouquinho. Até tem munição suficiente, mas os inimigos não param ao levar tiros. Quando eles aparecem, simplesmente correm na sua direção e começam a te bater. Em outras palavras, você gasta o seu pente inteiro e precisa esperar a animação de carregamento para poder finalizar o trabalho. Felizmente, o combate é bastante pontual.
Apartment No 129 não é um jogo de ação. Seu objetivo sempre é algo mais limitado, tipo “descubra o apartamento do açougueiro, entre lá e mate-o”. Então com exceção da parte da vila, que tem inimigos genéricos, você sempre sabe contra quem está lutando, qual a história dele e porque precisa matá-lo. Talvez seja por isso que eu aguentei o jogo inteiro. Eu estava interessado na história, mesmo sofrendo para suportar o gameplay.
Mas eu fiquei com vontade de parar. Logo no início, no tutorial de pulo, por exemplo, seu pulo não é alto o suficiente. Acabou que isso era, provavelmente, um quebra-cabeça, mas quem coloca um quebra-cabeça no tutorial de um movimento básico? Depois, fiquei um bom tempo travado procurando por um machado, e isso quase me fez desistir também. Em outro momento, precisava encontrar quatro fusíveis. E assim por diante. Só me envolvia mesmo quando o objetivo me dizia diretamente onde ir.
MENOS TIME, MAIS PROBLEMAS

Apartment No 129 é um jogo feito por um time muito pequeno e eu valorizo isso. Mas é um jogo que simplesmente carece de polimento. Sua língua original, por exemplo, é o turco. As legendas em inglês estão repletas de erros de tradução e digitação. Até tem legenda em português, e admito que não as ativei, mas via de regra a tradução para português é sempre pior e mais amadora que a inglesa – muitas vezes traduzido do inglês, não do original. E quando a tradução em inglês já tem erros… já viu, né?
Outro problema técnico são os saves. Além de serem raros e espaçados, o jogo simplesmente sempre trava por vários segundos antes de salvar. Mais de uma vez fiquei com a sensação de que ele não voltaria. No caso da vila, o pior momento da campanha, o save ficava antes de eu falar com um personagem. Depois de falar com ele, precisava entrar numa casa, pegar itens e voltar todo o caminho. É aí que o jogo resolve te atacar com vários inimigos seguidos, e você precisa fazer toda a conversa e exploração antes de poder voltar à cena de ação sempre que morrer. Isso não se faz.
AÇÃO VIVA
O pouco que tem de cutscene, basicamente o início e fim, são em vídeos de live-action. Eu gosto dessa mistura de linguagens, mas os atores são muito fracos. O grosso da narrativa – e o mais interessante – vem das notas que você lê durante a campanha, que cita o Alcorão e Alá, algo que não se vê com frequência na cultura pop ocidental.
Foi isso que me manteve entretido durante a campanha. É possível jogar Apartment No 129 e sentir que há uma boa campanha aqui. Mas no final das contas o que temos está quebrado e precisa de muito mais polimento e capricho. Não foi dessa vez.
CURIOSIDADE:
- Apartment No 129 é continuação de Y. Village The Visitors. E este também é baseado num lugar real. E o próximo jogo da Dead Witness, Mahfam: The Cursed Village também será.
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