Exclusiva: Sepultura – Andreas Kisser

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Perguntas e introdução por Bruno Sanchez com alguns pitacos de Carlos Eduardo Corrales. Entrevista conduzida por Bruno Sanchez. Fotos por Carlos Eduardo Corrales.

Quando o Corrales me avisou que conseguiríamos entrevistar o Andreas Kisser do Sepultura para o DELFOS, meu coração quase veio à boca (leia meus primeiros sentimentos após a entrevista aqui). Em primeiro lugar porque simplesmente adoro o trabalho dos caras há bem mais de uma década e sou daqueles fãs que repetem o “Sepultura do Brasil” com muito orgulho a cada show. Em segundo porque, exatamente como fã, era a minha chance de tirar várias dúvidas sobre a história da banda, diversas curiosidades e alguns fatos inusitados que, bem explorados, renderiam uma bela entrevista, tudo era uma questão de planejar as perguntas.

A princípio, a entrevista foi marcada para ser feita na casa do guitarrista em agosto de 2004, mas acabou adiada para a semana seguinte no estúdio de gravação da banda e teríamos apenas 30 minutos para conversar com Andreas. Lógico que não pensei muito nisso e descarreguei no papel mais de 100 de perguntas que gostaria de fazer, tudo em uma ordem cronológica, que abordasse desde a entrada de Andreas na banda no final de 1986 até os mais recentes projetos como o Brasil Rock Stars (leia uma resenha delfiana positiva e uma negativa, provando a nossa famosa “imparcialidade parcial”). O mais legal é que, em muitas destas perguntas, eu comentava um pouco sobre minha própria história, já que eu também estava presente em grande parte dos shows citados, acompanhei de perto a realização do manifesto para a inclusão da banda no Hollywood Rock nos anos 90 e por aí vai.

Claro que eu não poderia deixar de tocar nos assuntos polêmicos, como a saída de Max da banda ou a participação do Júnior (aquele da Sandy) em um dos shows do projeto de Andreas e até o pré-histórico desentendimento com o Sodom. Meu medo era que o guitarrista se recusasse a responder a estas perguntas ou partisse para as respostas monossilábicas. Felizmente, para mim e para o delfonauta, o músico se mostrou um ótimo entrevistado, muito profissional e sem papas na língua, o que transformou, a princípio uma entrevista engessada em um gostoso bate papo de uma hora (sim, acabamos estourando o tempo combinado) onde abordamos todos os assuntos em pauta, sem restrições. Tudo isso sem contar que a banda inteira ainda posou para as fotos exclusivas para o DELFOS, que você confere ilustrando essa matéria.

Agora deixemos as ladainhas de lado e vamos ao que interessa, afinal, essa entrevista chegou atrasada (e pedimos desculpas por isso, pois esperávamos uma ocasião especial para publicá-la e nada melhor do que uma nova “casa” para estrear com chave de ouro), mas acredite, existem muitas revelações aí embaixo esperando por você. Tentamos inclusive fazer um adendo para atualizá-la (foi por isso que não publicamos assim que o site estreou), mas não conseguimos contato com o guitarrista. Para compensar o atraso, você encontra a entrevista na íntegra, exatamente tudo que conversamos, sem tirar nem pôr. Respire fundo e mate a curiosidade de uma das maiores – na opinião de muitos: a melhor – bandas brasileiras de Metal de todos os tempos.

DELFOS: Andreas, fala uma coisa, como surgiu o convite para você entrar no Sepultura?
Andreas Kisser: Na verdade não foi um convite. Naquela época (final de 1986) tinha um esquema bem forte entre São Paulo, Rio e Belo Horizonte com as bandas. Tinha o Dorsal Atlântica, Sepultura, Vulcano que todo mundo conhecia e foi aí que a gente acabou se conhecendo. O Sepultura vinha muito para São Paulo e fui para Belo Horizonte passar as férias um pouco depois do show do Venom, catar mulherada com uns caras, acabei conhecendo o Sepultura, fui a um ensaio, toquei uns covers com eles, Kreator, e o Jairo (guitarrista anterior ao Andreas) já estava para sair naquela época e, conhecendo eles, eu queria entrar (na banda) e eles queriam que eu entrasse.

DELFOS: Mas você já conhecia os caras antes de viajar para BH?
Andreas: Não, não…

DELFOS: Mas o som do Sepultura você já conhecia antes?
Andreas: Pouco, pouco, eu não gostava muito…

DELFOS: Você chegou a ter contato com o Jairo?
Andreas: Cheguei, o primeiro lugar que eu fiquei lá (BH) foi na casa dele…a gente é amigo até hoje, nunca teve problema de eu roubar o lugar dele. Ele tinha saído, a banda ficou umas duas semanas sem ninguém, tanto que eles fizeram um show como um trio junto com o Ratos de Porão na semana em que eu cheguei em BH e a partir dali a gente começou a trocar idéia.

DELFOS: Como rolou a gravação do Schizophrenia?
Andreas: Nós fizemos uma demo primeiro, From The Past Comes The Storms, a primeira música que escrevi com eles no ensaio. A gente fez um teste, foi minha primeira experiência no estúdio, depois gravamos o disco inteiro no mesmo estúdio, do João Guimarães, o mesmo estúdio onde foi gravado o Bestial Devastation (Nota: o primeiro registro fonográfico da banda de 1985), o mesmo produtor, enfim, e gravamos em Belo Horizonte em um mês.

DELFOS: Teve um lance de pirataria que rolou na Europa com esse disco…
Andreas: Rolou depois quando saiu…

DELFOS: O que aconteceu?
Andreas: O disco saiu pela Sharp Records, foi um lance que a (gravadora) Cogumelo fez. Nunca ganhamos porra nenhuma de dinheiro mas a banda ficou bem conhecida na Europa.

DELFOS: Chegou a vender milhares de cópias piratas…
Andreas: Vendeu bastante…

DELFOS: Depois vocês gravaram o Beneath The Remains com o produtor Scott Burns. Como foi o lance dessa nova produção com um cara mais experiente, de fora?
Andreas: Na verdade, nós nunca tivemos um produtor que soubesse mexer com um som nosso. Os dois primeiros discos do Sepultura têm uma gravação muito ruim, o Schizophrenia é um pouquinho melhor mas não chega nem aos pés da qualidade de gravação dos discos de fora na época e o Scott Burns já estava trabalhando com o Death, com o Morbid Angel, essas bandas da Flórida, e através da (gravadora) Roadrunner quando assinamos o contrato, nós conseguimos trabalhar com ele. Apesar de não ter a grana para ir lá para fora, ele veio para cá. O disco foi gravado em um dos melhores estúdios do Brasil e aí conseguimos um lance decente de qualidade. O Beneath The Remains estourou e ninguém acreditava muito na época, tanto que o disco saiu sem encarte, sem nada, e depois foi até comparado com o Reign in Blood e o Kill´Em All (Nota: clássicos do Slayer e do Metallica, respectivamente). Pra gente foi uma puta honra, e a partir daí que o brasileiro que não curtia o som, que era mais underground, começou a prestar mais atenção no Sepultura.

DELFOS: No Beneath The Remains vocês pegaram uma linha diferente na composição das letras…
Andreas: (interrompendo) Acho que no Schizophrenia já mudou. Eu trouxe bastante da minha influência.

DELFOS: Esse lance mais político…
Andreas: É, acho que é influência do Metallica, né, meu? Os caras também começaram a escutar mais Ramones, mais Hardcore, Sex Pistols, e essa influência ajudou bastante a não ficar só no Venom, Celtic Frost. Falar um pouco mais da nossa situação social, aos poucos fomos vendo o Brasil, que era uma fonte única, só nossa, comparado ao que vem de fora, e utilizamos essa experiência para escrever as letras.

DELFOS: Como foi o contato com a Roadrunner?
Andreas: Foi através de uns amigos que já conheciam o Sepultura lá fora. O Sepultura foi capa de um fanzine, a primeira capa do Sepultura em alguma coisa, através de um iugoslavo que morava nos Estados Unidos e ele conhecia uns caras fortes do Metal, um cara que trabalhava em uma rádio e um que trabalhava na Roadrunner e através deles, nós conseguimos o contrato. O Max foi pra lá passar dois dias e visitou algumas gravadoras mas a Roadrunner já estava meio preparada.

DELFOS: E o Arise como foi o processo de composição?
Andreas: O Arise veio logo depois do Beneath The Remains. Com o Beneath nós fizemos a primeira turnê internacional, fomos para a Europa, excursionamos com o Sodom, fomos para os Estados Unidos.

DELFOS: Falando no Sodom, parece que vocês tiveram um desentendimento com os caras nessa época.
Andreas: Não chegou a ter um desentendimento. Foi a primeira grande turnê do Sodom na Europa, a primeira vez que eles tinham um ônibus, e pra gente também, né, meu? Se fosse o contrário, também ficaríamos meio putos. A primeira vez que a gente consegue um ônibus e de repente vem um bando de brasileiros que nem sabia falar inglês direito, dividir esse ônibus e tudo mais…

DELFOS: Rolou um preconceito?
Andreas: Não, preconceito não…

DELFOS: Vocês encontraram um preconceito na Europa por ser uma banda brasileira?
Andreas: Existe esse preconceito até hoje, mas não é uma coisa assim na cara, é uma coisa que existe em qualquer parte da sociedade.

DELFOS: Por parte das bandas mesmo?
Andreas: Não, bandas não…

DELFOS: Por parte das gravadoras?
Andreas: Não, é o que eu disse, cara. Tem preconceito em tudo que é lugar, só que não é aquela coisa explícita, né, meu? Até com o Derrick, negão, tenho certeza absoluta que tem muita porta que se fecha por causa disso, mas eu acho que não é só na música, é em qualquer lugar.

DELFOS: Com o Arise rolou um lance mais profissional então?
Andreas: Foi uma coisa mais de apoio mesmo. A gravadora acreditou, o Beneath The Remains foi bem. Com o Arise nós também fomos para os Estados Unidos gravar, com o Scott, no estúdio dele na Flórida. Tivemos todo o apoio para fazer o encarte que a gente quisesse, com as letras, do jeito que a gente queria mesmo. Nós já estávamos com a empresária, a Glória (Cavalera – atual esposa de Max), que começou a trabalhar com a gente na época. As coisas fluíram super rápido.

DELFOS: Vocês ficaram satisfeitos?
Andreas: Nós sempre ficamos satisfeitos, cara. É que a gente sabia o potencial que tínhamos, nós sempre fizemos o melhor que a gente pôde, mas curtimos todos os álbuns, até o primeiro, o Bestial, apesar de não estar na banda, eu escuto pra caralho ainda e eu sabia que poderíamos fazer mais, né? Então cada um tem a sua época, sua situação, sua condição. Mas a gente ficou satisfeito por ter todo o apoio, ter gravado fora do Brasil, com empresária, já planejando esquema de turnê, a gente acabou de gravar o disco e já começou a turnê com o Obituary na Flórida, tocamos no Rock In Rio II, tocamos com o Ozzy, com o Ministry, fizemos vários festivais, foi uma turnê mais completa.

DELFOS: Nessa turnê do Arise, naquele show da Praça Charles Miller (em São Paulo), onde um cara acabou morrendo, o que rolou?
Andreas: Não sei o que rolou meu, só sei que foi um puta show, foi aberto, de graça, um show histórico pra gente. Foi onde gravamos o clipe de Orgasmatron pra MTV, nós ganhamos o clipe da audiência. Fomos até Los Angeles no MTV Awards onde conhecemos o Jason Newsted e o James Hetfield (do Metallica), que eles tocaram, tocou também o Van Halen. Esse show deu trunfos espetaculares, agora, a encrenca que rolou lá jogaram em cima das costas da banda como sempre e até rolou uma campanha com o João Gordo e com a mãe do Igor e do Max (Vânia Cavalera), do Rock contra a violência, mas nós superamos isso, apesar de muita gente achar que o Heavy Metal ainda é violento. Nós tivemos um caso só.

DELFOS: Mas a morte foi durante o show do Sepultura?
Andreas: Eu acho que foi durante, não sei, eu não sei os detalhes…

DELFOS: Você mencionou ter conhecido o James Hetfield e nessa época teve o lance em que o James se machucou durante a turnê com os fogos de artifício e você foi chamado para substituir o cara na guitarra…
Andreas: É, eles estavam fazendo teste e chamaram vários guitarristas, inclusive o guitarrista do Metal Church (John Marshall) que já tinha feito antes quando o Hetfield quebrou o braço andando de skate, até cara de Metallica cover, e aí eu fui, meu. Peguei a passagem, falei com o Jason e fui. Ensaiei com eles duas vezes, em dois dias, e fiquei em segundo lugar, medalha de prata (risos).

DELFOS: E como foi esse contato com os caras? Eles te trataram bem?
Andreas: Foi maravilhoso. Pagaram minha passagem. A partir dali minha amizade com o Jason Newsted ficou bem forte. Eles gostaram do jeito que eu tocava, foi uma experiência espetacular. Infelizmente, não deu para fazer a turnê, eu não tocava muita coisa do disco preto, que era o disco novo, e não sabia muita coisa, mas foi espetacular, foi muito bom.

DELFOS: Mais ou menos nessa época você também teve um problema com o seu braço, né?
Andreas: Foi antes até, foi em 91 que eu quebrei o braço, coloquei uns pinos e o Sílvio (Golfetti) do Korzus foi fazer a turnê, que eram seis shows com o Motörhead, Morbid Angel e o Kreato. Foi uma turnê de Natal com uns shows mais curtos de meia hora.

DELFOS: Você ficou com medo de não voltar mais a tocar?
Andreas: Com certeza, meu, quebrar o braço pra um guitarrista é foda. Mas a partir do momento em que eu quebrei o braço, eu já estava focado em me recuperar o mais rápido possível. Em três meses eu já estava tocando de novo.

DELFOS: Falando um pouco do Chaos A.D., agora, o pessoal fala que foi no Roots que vocês começaram com o lance da batucada e tal, mas no Chaos A.D. vocês já trouxeram um pouco da influência brasileira…
Andreas: (interrompendo) Acho que essa influência começou no Arise. A introdução da Altered State tem muita coisa da América do Sul. Aquele som peruano, aquele lance da batucada, lá nós já estávamos com esse espírito. O Brasil é rico pra caralho se você ver de fora e aí plantamos a semente. Como eu disse pra você, a turnê do Arise foi a mais completa, fomos pra Indonésia, pra Austrália, e isso nos deu uma bagagem. Tanto que a música do Chaos A.D. é totalmente diferente do estilo do Arise.

DELFOS: Esse show da Indonésia você considera que foi um dos melhores que vocês já fizeram?
Andreas: É, foi um grande show, comentado pra cacete. O primeiro disco de ouro que recebemos do Arise foi lá na Indonésia. Foi uma surpresa, não esperávamos que (o disco) fosse tão forte.

DELFOS: Voltando ao Chaos A.D., como você acha que foi a repercussão na época?
Andreas: O Chaos A.D. foi o disco que mais vendeu do Sepultura até hoje. Mais que o Roots até. O disco foi bem trabalhado nos Estados Unidos pela Sony. Vendeu muito bem e acho que mostrou uma outra cara da banda, uma banda mais madura, coesa, absorvendo mesmo os lances da influência brasileira. As letras com manifesto, direcionadas ao lance do Carandiru (o massacre de presos ocorrido em 1992), Territory com o lance da conquista de território, Nomad falando mais da nossa vida, um pouquinho em cada lugar. Uma bagagem espetacular e com apoio total e irrestrito. Se no Arise, os caras deram apoio, no Chaos A.D. nós pudemos gravar onde a banda quisesse e fomos para o País de Gales em um estúdio onde o Black Sabbath, Led Zeppelin, Queen, várias bandas gravaram discos clássicos.

DELFOS: Mas com o lançamento do Chaos A.D. vocês enfrentaram aquela divisão dos fãs que não gostavam dessa sonoridade nova do Sepultura.
Andreas: É, isso sempre teve, meu. E nunca importou…

DELFOS: O que você acha desses fãs mais conservadores?
Andreas: Cada um é cada um. Com o Roots também teve gente que não gostava ou que começou a gostar. Quando o Max saiu, teve gente que não gostava do vocal do Max e gosta do vocal do Derrick. É natural. Do Bestial Devastation ao Roorback não é um estilo só. Nós respeitamos quem gosta do Bestial assim como respeitamos quem gosta de Bullet The Blue Sky (cover que a banda gravou do U2).

DELFOS: Você acha que vale a pena, com essa mudança de estilo, sacrificar os velhos fãs para conseguir novos?
Andreas: A gente não pensa nisso de sacrificar pra conseguir, nós fazemos o que curtimos. Nós temos que agradar a nós mesmos e ir atrás daquilo que estamos a fim. Nosso som é mutante, está sempre mudando, todas as bandas são assim, mesmo o AC/DC, por exemplo. Nenhum disco chega aos pés de Back In Black ou For Those About to Rock. Como músicos, temos que pensar em caminhos diferentes, se você ficar pensando em fã, cara, você não vai fazer nada, eles vão sempre meter a boca.

DELFOS: O que você achou do abaixo assinado pra vocês participarem do Hollywood Rock (1994)?
Andreas: Espetacular, cara. Coisa do Toninho (presidente do fã-clube do Sepultura). Eles iam colocar a gente, mas por causa daquele lance da Praça Charles Miller, aquela visão retrógrada da violência, mudaram de idéia. Mas nós conseguimos 7.000 assinaturas para empurrar a gente pra dentro.

DELFOS: O boicote foi por causa do lance da Praça Charles Miller?
Andreas: Eu não sei meu, pode ter sido também…

DELFOS: Nessa época teve o lance do Quarteto de Pinga, que vocês quase chegaram a gravar alguma coisa com o Jason Newsted. Como rolou isso?
Andreas: Isso fui eu praticamente, não foi a banda. A amizade com o Jason desde aquela época ficou muito forte, eu estava morando em Phoenix e ele tinha família lá também. Tinha um estúdio na casa dele e ele chamou vários amigos, eu, amigos do Cliff Burton (baixista do Metallica, morto em um acidente em 1986), o Jim Martin do Faith No More, o pessoal do Exodus, Machine Head, e ele sempre fez esse esqueminha de fim de semana, juntar banda, inventar nome, brincar mesmo. Em um desses, fui eu, o batera do Exodus, o Jason e o Robb Flynn do [Machine Head. Mais zoeira mesmo.

DELFOS: O Sepultallica teve alguma coisa gravada?
Andreas: Não, com o Sepultallica nunca gravamos nada.

DELFOS: Falando um pouco do Roots, como foi o processo de gravação e o lance com os índios?
Andreas: O Chaos A.D. deu uma bagagem muito forte pra gente, apesar dos problemas com a empresária e com o Max.

DELFOS: Naquela época já tinha o problema?
Andreas: Com certeza…

DELFOS: Você sentia o Max mais afastado?
Andreas: Fazia parte do negócio, o lance da família. Casou, teve filho, ele foi fazendo mais as coisas dele. Mas o Roots foi um projeto audacioso pra caralho, que estávamos prontos pra fazer. Trouxemos um percussionista profissional e naquele ano (1995), a MTV fez o 1º VMB. Estava a Nação Zumbi, Chico Science, Carlinhos Brown, conhecemos todo mundo lá e partiu o convite ali para o Carlinhos Brown fazer o disco com a gente. No Chaos A.D. tem a Kaiowas, que é uma música muito inspirada no Brasil com suas melodias, até sertanejo, e o nome vem de uma tribo indígena. Partindo daí, nós ampliamos a idéia. Ao invés de dar o nome de uma tribo, tentar fazer alguma coisa junto com uma tribo brasileira. Fomos lá na aldeia, gravamos a música e foi maravilhoso.

DELFOS: E o que eles acharam do Heavy Metal?
Andreas: Não sei, acho que eles não conhecem, meu. Eles não conheciam nem violão, tanto que o Max deixou o violão pra eles de brinde (risos). Eles vieram depois no Barulho Contra a Fome quando o Derrick entrou na banda e ali tiveram a chance de ver um pouquinho.

DELFOS: Rolou uma troca de cultura?
Andreas: Sem dúvida, você vai a uma aldeia, passa três dias lá, é um outro ritmo de vida.

DELFOS: Com o Roots também rolou aquela divisão dos fãs com gente torcendo o nariz e outras pessoas aceitando. Como você encarou isso?
Andreas: O lance deu muito certo fora do país, especialmente para os europeus, a idéia de misturar tribo com percussão, um lance mais brasileiro. Mesmo com aquela nota de dinheiro na capa, foi uma coisa bem Brasil mesmo e um disco muito bem feito.

DELFOS: Como foi trabalhar com o Carlinhos Brown?
Andreas: Foi legal, ele é um gênio, cara. Tira som de qualquer coisa. Mas é uma pessoa difícil de se lidar. Na época ele estava um pouco mais calmo, não estava com tanta coisa. Agora ele está maior, na Europa ele é muito bem recebido, mas foi espetacular, aprendemos muito com ele.

DELFOS: No Rock In Rio III teve aquele lance de ele falar que todo rockeiro é burro. O que você achou dessa declaração?
Andreas: Ah, meu, foi declarado em cima do palco, não dou muita consideração não, aquela coisa da adrenalina da hora.

DELFOS: Entre vocês não rolou nada?
Andreas: Não, não rolou…

DELFOS: Andreas, qual foi a gota d´água pra saída do Max do Sepultura?
Andreas: Foi uma enxurrada, não foi uma gota d´água. Foram vários motivos, várias tentativas de mudar o esquema de empresário dentro da banda pra continuarmos juntos, mas infelizmente não deu.

DELFOS: Vocês cortaram definitivamente a relação?
Andreas: Cortamos, não deu…

DELFOS: Nem o Igor manteve contato com ele?
Andreas: Não.

DELFOS: Você chegou a ouvir o Soulfly? Curtiu o som?
Andreas: Curti, cara. Mas é difícil você criar uma identidade com uma banda se troca os músicos toda hora. Leva tempo, com o Derrick aconteceu isso também, no Against e no Nation, aos poucos você vai conhecendo mais o cara.

DELFOS: Vocês chegaram a pensar em terminar o Sepultura na época?
Andreas: Com certeza, foi o maior choque na carreira da banda, mas com a ajuda dos fãs, da família, da gente mesmo em querer continuar, nós ensaiamos uns 8 ou 9 meses em San Diego com o material novo. 80% do material do Against foi composto em trio, sem vocais. Depois que o Derrick entrou pra complementar.

DELFOS: Como foi a escolha do novo vocalista?
Andreas: Passamos um tempo sem vocalista e foi um período positivo para nós, para reencontrar o caminho. Se escolhêssemos um vocal logo depois que o Max saiu, não teríamos continuado até o cara se adaptar. Quando o Derrick veio, o material já estava pronto, era só encaixar. Recebemos várias fitas de vários vocalistas querendo a vaga, inclusive do Derrick. Nós mandamos de volta uma fita com a Choke com uma linha vocal experimental pra ver a criatividade dos candidatos. O Chuck (Billy), vocalista do Testament, inclusive fez esse teste também e o Derrick foi o que se saiu melhor. Trouxemos ele pro Brasil pra conhecer, ensaiar junto. Não queríamos um cara para ser o Max, fazer um disco e ir embora, queríamos alguém pra seguir junto, desenvolver um som novo e não ficar preso ao passado.

DELFOS: Você acha que, pelo cara ser americano, rolou um lance de preconceito?
Andreas: Não, não, esse lance de nacionalidade eu acho uma puta estupidez cara. Acho que o nacionalismo é ignorante, é fascismo, hoje em dia não tem mais espaço pra isso. O Sepultura é universal, toca em qualquer parte do mundo e tem sua mensagem respeitada por isso. Países como a Indonésia, com muçulmanos, tivemos que passar por algumas perguntas pra entrar no país, fomos aceitos e respeitados e o Derrick tem essa mesma postura. É um cara com talento, inteligente, que veio pra somar.

DELFOS: O que você achou do Against?
Andreas: Acho um puta disco, totalmente sentimento, raiva. Against é uma música que surgiu de uma letra minha que era Against The Tide (Contra a correnteza), então éramos nós três contra todo mundo. A idéia de que o Max era o Sepultura era dada como certa, um fato na época. Então ninguém deu bola pra gente, éramos uma banda de apoio, o que não é verdade, se você for ver o nível que o Soulfly faz hoje, não chega nem perto de nada que a gente já fez. É aquela coisa do trabalho de anos mesmo, se você tem uma banda e se aproveita de alguns fatos para aparecer como líder, isso é uma grande besteira. Ao mesmo tempo em que sofremos com isso, ele também sofreu por falta de conteúdo. Palavras morrem, você tem que mostrar é atitude. Seguimos com o sonho de continuar com a banda e as críticas sempre vêm, não existe unanimidade, em qualquer coisa, você pode escrever um texto que 50% gosta e 50% não. Isso faz parte.

DELFOS: No Nation, eu particularmente acho um puta álbum, mas ele não teve a repercussão que os outros álbuns tiveram, acho que até um pouco pela divulgação da Roadrunner, você acha isso também?
Andreas: Um pouco não, foi muito, meu! Foi falta de política, porque eu acho um puta disco. Foi o disco mais musical, mais elaborado, que fizemos em toda carreira, com coro, com o Apocalyptica, foi espetacular, uma grande experiência.

DELFOS: Como rolou esse contato com o Apocalyptica?
Andreas: O Apocalyptica eu já conhecia desde a turnê do Chaos A.D., o Eicca me encontrou uma vez em um festival na Suécia e me entregou um CD que eles estavam fazendo do Metallica e eu pirei. Achei uma puta idéia e, desde aquela época nós estávamos em contato, conversando, e no Nation pintou essa oportunidade. Eu escrevi o tema no violão, mandei pra eles, eles arranjaram daquela forma e mandaram de volta.

DELFOS: Qual foi o conceito do Nation? Uma homenagem aos fãs?
Andreas: Não sei, cara. Tudo que a gente faz é uma homenagem aos fãs. Sem eles não estaríamos juntos. Eu acho o Nation um trabalho político mesmo, aquela coisa da gravadora (a saída da Roadrunner), o clipe, tinha um lance espetacular de visual, de arte, mas uma coisa boa saiu disso, nós saímos da Roadrunner

DELFOS: Mas foi por causa da divulgação do Nation que vocês saíram da Roadrunner?
Andreas: Não foi nem com o Nation, desde que o Max saiu da banda eles nunca acreditaram no Derrick, nunca deram total apoio, a gente tinha mais um disco ainda depois do Nation só que se eles não queriam trabalhar e nós também não quisemos fazer esse último disco. Tínhamos 500.000 dólares para fazer esse disco, mas como eles não nos apoiavam, nós abrimos mão dessa grana e eles abriram mão de fazer esse último disco e nós saímos da Roadrunner.

DELFOS: Em 1999 você participou com o Igor (Cavalera) na trilha sonora do filme No Coração dos Deuses, como foi o processo de composição de uma trilha sonora e a participação?
Andreas: O convite surgiu depois que o André Moraes, filho do diretor Geraldo Moraes, ouviu o Roots e aquela coisa de percussão. Ele chamou o Igor porque na história do filme também tinha muito de percussão e eles acabaram me chamando também para fazer a parte dos violões, alguma coisa de guitarra. Foi uma experiência legal, eu fui ver alguns dias de gravação lá em Tocantins e é totalmente diferente. Você tem que respeitar a história, o enredo, tempo, o olhar do artista, é uma música mais que acompanha o negócio. Mas é uma experiência muito boa mesmo.

DELFOS: Voltando um pouquinho, em 1999 ainda, vocês abriram pro Metallica naquele show no Anhembi (em São Paulo) e rolou um boato que o Metallica sabotou o som do Sepultura, é verdade?
Andreas: Não sei se é verdade, o que eu sei é que o som não estava lá quando a gente tocou, isso eu posso provar (risos).

DELFOS: Estava muito baixo mesmo.
Andreas: Eu estava na frente das caixas e não ouvia quase nada. Com certeza rolou alguma coisa, não sei se foi por parte da banda ou do mau humor de um cara que fazia o som do Metallica. Eu duvido que tenha partido da banda uma atitude dessas, mas não posso falar que também não foi, mas que rolou alguma coisa, rolou.

DELFOS: Você tem contato com o Metallica desde então?
Andreas: Tenho, tocamos juntos no Rock in Rio Lisboa, numa boa, mas nunca toquei no assunto.

DELFOS: Sobre o álbum de covers, o Revolusongs, qual foi o critério para a escolha das músicas? Afinal o álbum traz um repertório que varia de U2 até Exodus.
Andreas: O critério foi o musical cara, uma coisa que seria mais fora do contexto que a gente faz, como Black Sabbath, Hardcore em geral, Motörhead, nós já fizemos isso bastante e seria meio óbvio fazer mais um álbum de covers de uma banda dessas, apesar de termos feito Exodus e Hellhammer, duas bandas que fizeram muita parte da nossa escola como músicos, mas o resto teve muito o lance do desafio musical. Foi legal, um grande projeto, cover é uma grande escola. Para mim, eu comecei tocando cover de bandas como Deep Purple, Judas, Black Sabbath, eu aprendi a solar com essas bandas, e foi legal fazer uma coisa que normalmente não faríamos com o Sepultura.

DELFOS: Os caras do U2 chegaram a ouvir o cover de Bullet The Blue Sky?
Andreas: Puta, eu não sei cara, espero que sim (risos). Tem um boato aí que o Bono (Vox) escutou e até gostou da versão. Eu sei que no site oficial do U2 os fãs comentaram.

DELFOS: Por que vocês só gravaram o clipe da Bullet The Blue Sky?
Andreas: Porque é uma música foda, a letra é muito forte e a versão ficou a mais legal. Na época, entramos em um consenso que seria uma música famosa de uma banda famosa, o Derrick já tinha o conceito de um clipe daquela música, apenas direcionamos.

DELFOS: Depois vocês gravaram o Roorback que eu acho uma volta ao Thrash Metal que vocês faziam na época do Beneath The Remains, do Arise. O que você acha dessa volta ao Thrash?
Andreas: Não sei se foi uma volta ao Thrash, mas foi uma volta a usar os elementos básicos: guitarra, baixo, bateria e vocal. Deixamos de lado os violões, baixos acústicos, percussão, toda aquela coisa mais exótica do Roots, Against, do Nation. Foi um disco mais simples, 12 músicas contra 16 dos outros discos que eram cheios de convidados. Só chamamos o João Barone (do Paralamas do Sucesso) para participar e trabalhamos com esses elementos. A idéia era limitar as opções e trabalhar com a criatividade.

DELFOS: Bandas como o Kreator e o Destruction dizem gostar de alguma coisa do New Metal, o que você acha dessa influência?
Andreas: Acho que cada um tem sua influência. Nós escutamos de tudo, de Clássico, Blues, New Metal, Rap, é válido. Eu gosto de Korn, Deftones.

DELFOS: O que você acha das bandas de New Metal que se dizem influenciadas pelo Sepultura?
Andreas: Acho legal cara, acho um ciclo natural e saudável. Nós nos deixamos influenciar pelas bandas e influenciamos também. O próprio Judas Priest, o Glenn Tipton, disse que o Chaos A.D. influenciou muito o som do Judas a partir daquele momento e isso é maravilhoso.

DELFOS: O que você acha das bandas que eram de Thrash Metal e, de repente, partem para um lado comercial, como o próprio Metallica?
Andreas: Cada um tem seu motivo, né, cara? É difícil julgar assim, eu tenho minha opinião, você tem a sua. Cada um faz aquilo que bem entende e o Metallica já é grandinho o suficiente pra fazer o que eles querem fazer.

DELFOS: O que você acha do Heavy Metal há 20 anos e hoje em dia?
Andreas: Não tem diferença nenhuma. O Heavy Metal sobrevive por isso: é a pivetada que vem da garagem. O Metallica veio da garagem, o Exodus veio da garagem, das bandas novas, o Krisiun veio da garagem, o Claustrofobia, essa renovação sempre existirá. É um espírito até meio inocente, mas honesto, como uma criança que sempre dá a opinião honesta mas o espírito é o mesmo.

DELFOS: Você acha que os fãs mudaram de 20 anos pra cá?
Andreas: Não sei, cara…

DELFOS: E a forma como a mídia trata o Metal?
Andreas: Mudou um pouco se você pegar o exemplo do Rock in Rio III, o Monsters of Rock quando veio pra cá também, bandas que vieram mais pra cá desde 1985. A mídia entende um pouco mais.

DELFOS: No ano passado (2003) vocês abriram aquele show pro Deep Purple, como foi a experiência?
Andreas: Maravilhoso, cara. E é uma coisa que tem tudo a ver. O Deep Purple me influenciou a tocar guitarra, foi uma honra ter dividido o palco. Um sonho, cara, ficar perto de Ian Gillan, Ian Paice.

DELFOS: Vocês chegaram a trocar idéia com os caras?
Andreas: Trocamos, eu inclusive já conhecia o Ian Gillan de um show da Suécia e de uma outra vez em que ele veio pra cá, ele inclusive autografou o meu Born Again (CD do Sabbath no qual Ian Gillan é o vocalista). O Roger Glover eu conheço bem também.

DELFOS: O público desse show também era bem variado…
Andreas: Pois é, pintou a oportunidade no Kaiser Music, já tocamos com o Black Sabbath original, com o Ozzy, com o Robert Plant, faltava uma oportunidade com o Deep Purple e foi um sonho, cara. Maravilhoso.

DELFOS: Vocês estão completando 20 anos de carreira e rolou um boato que vocês fariam um show só com o Bestial Devastation.
Andreas: É, eu cheguei a falar em uma entrevista que queria tocar todas as músicas de todos os discos. Lógico que isso é muito difícil mas estamos resgatando algumas músicas que não tocávamos há anos como Escape to The Void, Nomad, talvez alguma outra do Bestial e do Morbid Visions para os próximos shows aí.

DELFOS: A Bestial Devastation não rola? Acho essa música fantástica…
Andreas: Nós tocamos essa música com o Max, mas com o Derrick nunca tocamos…

DELFOS: Mas vai rolar um show em comemoração aos 20 anos?
Andreas: Vai rolar o Sepulfest em 25 de Setembro (de 2004 – o DELFOS estava lá, leia nossa resenha), que eu acho meio um marco dessas comemorações de 20 anos.

DELFOS: Falando no Sepulfest, vocês querem criar uma tradição com o evento como o Blind Guardian, que tem o próprio festival na Alemanha ou um Ozzfest nos EUA?
Andreas: Com certeza, queremos crescer, fazer um evento no Pacaembu, como o Ozzfest faz, com um segundo palco com bandas novas, barraquinhas. Vamos ver pra trazer bandas de fora também, uma comemoração da música pesada.

DELFOS: Nesse show em comemoração aos 20 anos vocês pretendem trazer participações especiais, como o Jairo?
Andreas: O Jairo com certeza, inclusive no Barulho Contra a Fome ele tocou com a gente, talvez ele toque de novo.

DELFOS: Falando agora do Brasil Rock Stars. Como começou esse projeto?
Andreas: O Rock Stars é uma brincadeira minha, que eu sempre tive vontade, juntar uma galera de boteco e tocar um som. Eu comecei tocando cover, né, cara? É fazer um som sem pressão de gravadora, sem pressão de vender disco, sem esse lance de subir no palco profissionalmente e utilizar um repertório de guitarrista como Purple, Sabbath, Zeppelin e as bandas que influenciaram o Metal.

DELFOS: Rolou até um Lenny Kravitz.
Andreas: Rolou um Kravitz, eu sou aberto a sugestões dos convidados. Temos que nos sentir bem, não quero dar uma de ditador no palco. O esquema é tomar uma cerveja, fumar um e tocar alto. Todos os músicos que participaram, Samuel Rosa, Titãs, Paralamas, Funk ´n´ Lata, Ira, tem gente pra caralho e é uma junção inédita, colocar esse povo pra tocar esse repertório e eles conhecem essas músicas. Esse gosto em comum é o que faz esse projeto ficar tão especial.

DELFOS: E o Júnior (o da Sandy)?
Andreas: Foi o seguinte, minha mulher e meus filhos gostam muito de Sandy & Júnior. Eles gostam muito de Sertanejo, Chitãozinho & Xororó, acompanham a carreira deles há bastante tempo e sempre quando tem show, minha mulher leva meus filhos e eles sempre trataram todos muito bem, levam pro camarim, tiram foto, sempre achei isso muito legal. São pessoas com pé no chão, não são sertanejo “star” (risos), são pessoas pé no chão, humildes e gostei muito por ele (Júnior) ter aceitado o convite.

DELFOS: Mas você que convidou?
Andreas: Foi uma coisa estranha porque não foi uma relação direta, eu e ele, foi através de nossas produções e só depois conversamos, tiramos o repertório. Foi um desafio e ele aceitou. Muita gente falou muita merda pra variar, se eu tivesse escutado não teria feito e seria bem idiota. O projeto é esse mesmo, não estamos tocando nem Sepultura e nem Sandy & Júnior, estamos tocando Led Zeppelin, Lenny Kravitz, Hendrix, ele tocou Purple Haze.

DELFOS: Você acha que ele tem salvação?
Andreas: Com certeza (risos), está no caminho certo…

DELFOS: Agora falamos o nome de uma banda e você, em uma frase, diz o seu sentimento por ela

Metallica – Palhetada, muito importante!
Iron Maiden – Do caralho, Number of The Beast.
Slayer Hell Awaits explodindo na cabeça.
Destruction – Espetacular. Conheço o Schmier há tempos, desde 89 em nossa primeira turnê.
Kreator – Foi a banda mais importante no começo. Pleasure To Kill pra mim é espetacular.
Sodom – Nossa primeira turnê na Europa. Legal.
Megadeth – Não curto muito não, gosto mais do Peace Sells.
Sarcófago – Uma banda imaginária que está na camiseta e na cabeça de muitas pessoas.
Korzus – São os vencedores, sobreviventes com uma puta história apesar de todos os problemas. Respeito muito essa banda.
Dorsal Atlântica – Pioneiros, influenciaram muito o Sepultura no começo.
Motörhead – O clássico dos clássicos, o nosso Ramones (risos).
Queen – Uma das melhores bandas de todos os tempos, acho que só perde pro Led Zeppelin.
Angra – Um estilo de música que eu não curto muito, mas respeito desde o começo na época do Andre Matos.
Sandy & Júnior – Respeito muito, começaram muito cedo, gosto da atitude dos caras irem lá e fazerem a própria música. Dou muito valor a isso apesar de não curtir a música.

DELFOS: Nesses 20 anos de estrada qual você considera o ponto mais alto de sua carreira e o ponto mais baixo?
Andreas: Tivemos vários pontos altos, a turnê do Roots, onde tocamos no mesmo palco que Sting, Peter Gabriel, o Sepultura representando a música pesada junto com o Metallica em grandes festivais, e a própria repercussão do Roots pelo que conseguimos, a bagagem, a experiência com a tribo Xavantes. Ao mesmo tempo esse é o ponto mais baixo também, porque foi aí que surgiu a saída do Max, mas foi onde aprendemos mais também. Sempre tiramos coisas boas das coisas ruins.

DELFOS: Quais as bandas que você mais gosta e as que você mais odeia?
Andreas: Gosto de música, cara, mas o Metallica e o Queen são fodas. Agora, banda que eu odeio, eu não odeio, bicho, eu só não escuto (gargalhadas). Não vou ficar escutando pra odiar.

DELFOS: Qual a música que você mais gosta?
Andreas: Do Sepultura?

DELFOS: Qualquer uma.
Andreas: Bohemian Rhapsody do Queen e Roots Bloody Roots do Sepultura.

DELFOS: E a música que você mais odeia?
Andreas: Com todo respeito aos Los Hermanos, mas Anna Júlia é a mais inacreditável. É a música mais irritante, pra mim, pelo menos. É uma música que estourou no Brasil, o próprio George Harrison tocou, mas é pegajosa, tanto é que eles nem tocam mais ao vivo, ninguém agüenta mais aquela música.

DELFOS: Andreas, obrigado de coração pela entrevista e gostaríamos que você deixasse uma mensagem para o seleto público do DELFOS.
Andreas: E aí, galera do site da DELFOS? Um grande abraço. Andreas Kisser do Sepultura, boa sorte a vocês aí. Conectem-se, valeu! (Você pode baixar o vídeo dessa mensagem aí embaixo).

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