Mitologia Nórdica

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Alfredo, Alfredo de la Mancha, Delfos, Mascote, Alfred%23U00e3o, Delfianos

Que Neil Gaiman adora mitologias variadas, disso todo fã de seu trabalho sabe. Afinal, ele sempre dá um jeito de encaixá-las em seus trabalhos, seja nas HQs de Sandman ou em seus livros de prosa. E dessas mitologias diversas de várias partes do mundo, o escriba inglês nutre um carinho especial pela nórdica.

Tanto que, não obstante, seu novo livro se chama justamente Mitologia Nórdica. Nele, Gaiman reconta algumas das principais histórias desse universo escandinavo com seu estilo próprio, criando quinze contos com os principais personagens dessa mitologia e seguindo uma espécie de ordem cronológica que confere unidade à obra, começando pelo início do universo segundo essa mitologia e terminando no Ragnarök, a versão nórdica do apocalipse.

Gaiman apresenta um estilo de escrita que deixa as histórias do livro mais parecidas com contos-de-fadas, incluindo lições de moral, mas isso provavelmente é inerente das histórias originais. Claro, contos-de-fadas estrelados por Odin, Thor e Loki, o que muitas vezes acaba por render passagens mais sombrias e até mesmo engraçadas.

Devo dizer que eu não sou exatamente um fã de mitologia nórdica, e só li este livro porque foi escrito pelo Neil Gaiman. Se esse cara escrevesse um livro só de bulas de remédio, eu também leria. Assim, até gostei do que li, embora eu não vá colocar este novo trabalho dentre os meus preferidos dele.

Os melhores momentos aqui são as histórias que envolvem Loki, que se eu já não soubesse, poderia muito bem dizer que é brasileiro. O deus da trapaça está sempre com seus esquemas, tentando levar vantagem em tudo e enganar qualquer trouxa que cruze seu caminho, e isso inclui Thor.

Mesmo quando se dá mal ele sempre dá um jeito de contornar a situação na lábia, com planos infalíveis dignos de um Cebolinha. E o fato de que eu sempre o imaginava com a cara do Tom Hiddleston enquanto lia também deixou tudo ainda mais divertido.

Contudo, devo dizer que já há algum tempo (ou desde O Oceano no Fim do Caminho) estou achando o escritor bastante acomodado. Parece que o autor está deitado nos louros e não quer levantar. Temos aqui mais um trabalho que trata de um tema que ele domina plenamente, mas que também se tornou mais do que recorrente em sua obra.

É inegável que, por mais competente que ele seja, também não tem mais a mesma pegada de um Deuses Americanos, por exemplo. E embora haja uma estrutura narrativa, este também é mais um livro de contos. Eu sinto falta de um romance mais carnudo, com um grande número de páginas.

E que também saia um pouco dessa temática envolvendo mitologia, deuses antigos, religiões e folclore que tanto agrada ao escritor. Um pouco mais de diversidade narrativa nunca fez mal a ninguém. Seja como for, Mitologia Nórdica não deve decepcionar os fãs de Neil Gaiman e nem àqueles que curtem as mitológicas histórias escandinavas.