A busca por justiça é um daqueles temas que podem ser explorados no cinema das mais variadas formas. Pode-se ir desde os heróis de ação que deixam uma trilha de presuntos e explosões por onde passam até filmes mais sérios, que exploram o lado humano por esse desejo.

Três Anúncios para Um Crime se encaixa nesta última categoria e o faz de forma magistral. Na pequena cidade de Ebbing, Missouri, que faz parte do título original, a filha adolescente de Mildred (Frances McDormand) foi sequestrada, estuprada e morta.

Quase um ano já se passou e a polícia local não está nem perto de encontrar o(s) culpado(s). Revoltada, Mildred aluga três outdoors numa estradinha secundária e deixa um recado para o chefe de polícia Willoughby (Woody Harrelson) cobrando justiça por sua filha.

Delfos, Três Anúncios para um Crime, CartazAcontece que este é um daqueles casos onde as pistas que existiam não deram em nada e não há mais caminhos para seguir com a investigação. Para piorar, Willoughby está morrendo de câncer e com isso angaria a simpatia da população local, que fica contra a atitude e os anúncios de Mildred na estrada.

Em tempos de opiniões cada vez mais polarizadas sobre qualquer assunto, onde cada vez menos as pessoas se dispõem a tentar ver o lado da outra, este acaba sendo um estudo impressionante sobre o tema, sobre ver as coisas apenas por uma ótica e que se danem as variáveis.

COMO PODE, CHEFE WILLOUGHBY?

Funciona magistralmente como drama e tem momentos de rachar de rir, embora ele nunca caia para o lado da comédia. As partes mais engraçadas ora o são por nervoso, ora o são pela excelente construção dos tipos que habitam a cidadezinha, e muitos deles não parecem ter um QI elevado.

O desenvolvimento narrativo foi um dos que mais me surpreendeu nos últimos tempos. Você pode pensar que já sacou um personagem só para que ele prove que você está completamente errado tempos depois. Há diversos desdobramentos da história capazes de te pegar completamente desprevenido. E isso faz com que você fique grudado na trama o tempo todo, imaginando que rumos ela irá tomar.

E claro, as interpretações também são muito importantes para conseguir este efeito. Com destaque absoluto para Frances McDormand e Sam Rockwell. A primeira, como a mãe revoltada querendo o simples: que o(s) responsável(eis) pela morte de sua filha tenham o que mereçam, e isso não é pedir muito. A mulher é dura, combativa e irredutível. É carne de pescoço e é interpretada com garra por McDormand.

Sam Rockwell faz um dos policiais da cidade, um sujeito racista, violento, beberrão e bem longe de poder ser considerado um cara brilhante intelectualmente. Contudo, o chefe de polícia acredita que ele tem algo de bom, ainda que toda a cidade não consiga enxergar isso. Este é um daqueles papéis que periga descambar para o caricato ou o vilanesco.

Delfos, Três Anúncios para Um Crime

Rockwell consegue deixar esta figura fascinante e magnética. Você sabe que nós aqui no DELFOS não damos muita bola para o Oscar, mas se esses dois não ganharem suas respectivas estatuetas, é porque este prêmio não vale nada mesmo.

Enfim, Três Anúncios para Um Crime é o proverbial baita filme. Uma história excelente que não decai nunca, abordando temas bem atuais sobre as relações humanas e a falta de empatia entre as pessoas e atuações primorosas. Precisa de mais alguma coisa? Já está mais do que recomendado.

REVER GERAL
Nota
PONTUAÇÃO GERAL

Vire assinante do Delfos!

Temos planos a partir de R$1,00 mensal e você pode ganhar um monte de coisa legal. Mais importante, você ajuda a gente a tornar o DELFOS cada vez maior e melhor.


Clique aqui e acesso a nossa ágina no Padrim


Se você gosta do nosso conteúdo, também pode ajudar sem colocar a mão no bolso compartilhando este post nas suas redes sociais através dos botões abaixo.

COMPARTILHAR
Artigo anteriorThe Inpatient: terror em VR da desenvolvedora de Until Dawn
Próximo artigoDynasty Warriors 9: em mundo aberto, mas o mesmo jogo
Carlos Cyrino
Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.