Tim Burton – Um cara estranho

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Leia mais sobre o especial A Noiva-Cadáver:
Resenha do filme
A parceria entre Tim Burton e Johnny Depp

O que seria do cinema de entretenimento estadunidense sem Tim Burton? Com certeza, seria bem menos interessante e criativo. O diretor provou que há espaço e rentabilidade para histórias, a princípio, menos palatáveis para o grande público. Hoje, ao olharmos o conjunto de sua obra cinematográfica, podemos dizer com certeza que Tim Burton é um autor. É só assistir cinco minutos de qualquer filme dele, para se perceber suas características peculiares. Por isso, o DELFOS concede a um dos diretores mais criativos da atualidade, a honra de ser o mais novo tremendão a figurar nessa sessão.

Timothy William Burton nasceu em 25 de agosto de 1958, em Burbank, Califórnia, filho de um casal de classe média baixa. Quando pimpolho, Tim era um garoto, digamos, um pouco anti-social. Não gostava de ir à escola e nem de ler (e qual criança realmente gosta disso?) e também não era chegado em brincar na rua com os outros moleques. Ao invés disso, preferia ficar em casa desenhando e assistindo televisão. Gostava do Godzilla, dos filmes com efeitos em stop motion de Ray Harryhausen, das produções da Hammer e dos filmes de seu maior ídolo, Vincent Price.

Em 1976, o talento de Burton para o desenho o levou a entrar no Instituto de Artes da Califórnia, uma universidade fundada pela Disney (que produziu, dentre outros, Nem Que a Vaca Tussa) com o objetivo de descobrir novos talentos para o estúdio do Mickey Mouse. Em seu segundo ano, Tim já integrava a equipe de animadores do estúdio. Seu primeiro trabalho para eles foi em O Cão e a Raposa, de 1981.

Porém, seus gostos pessoais não eram nem um pouco compatíveis com o que a Disney produzia. Quando eles lhe deram 60 mil dólares para criar algo seu, Burton aproveitou a oportunidade para homenagear seu ídolo máximo. Tim adaptou um livro infantil sobre Vincent Price que vinha escrevendo, num curta animado de 6 minutos (Vincent, de 1982), que conta a história de um garoto que queria ser como seu ídolo, ninguém menos que o próprio Price. O próprio Vincent é o narrador do filme. E ainda sobrou dinheiro para que Burton realizasse seu primeiro curta com atores de carne-e-osso. Frankenweenie, de 1984, era a história de um garoto que tentava ressuscitar seu cachorro morto. Obviamente, a Disney, mundialmente famosa por suas fofas produções para toda a família, não gostou nem um pouco da temática mórbida do curta, e se recusou a lançá-lo, o que levou o diretor a deixar o estúdio.

Mas nosso querido amigo Burton não ficou muito tempo na fila do desemprego. Isso porque o ultra-mega-super escritor de livros de terror Stephen King assistiu Frankenweenie, gostou, e recomendou aos executivos da Warner, que deram a dica a Paul Reubens. Na época, Reubens era astro de um programa de TV infantil onde interpretava o personagem Pee-Wee Herman. Paul assistiu ao curta, adorou e pediu para Burton dirigi-lo no filme que transporia seu personagem de sucesso para a tela grande. As Grandes Aventuras de Pee-Wee, lançado em 1985, primeiro longa-metragem de Burton, foi um inesperado sucesso e abriu as portas de vez para o diretor.

Em 1988, ele lançou Os Fantasmas se Divertem, filme que apresentou pela primeira vez algumas das características marcantes de Burton e um dos filmes preferidos da infância do Corrales. Trata-se de uma insólita mistura de comédia com filme de terror. É a história de um jovem casal (Geena Davis e Alec Baldwin) que morre num acidente de carro e viram assombrações em sua própria casa, agora ocupada por novos moradores. Incapazes de afastarem os habitantes vivos, recorrem aos serviços de Beetle Juice, um exorcista daqueles que ainda respiram. O filme, de um belo colorido e com animações em stop motion é um divertido delírio visual. É também o início da primeira parceria entre Tim e um ator, no caso Michael Keaton, que interpreta, debaixo de pesada maquiagem, o insano fantasma cujo nome, traduzido para o português, é Suco de Besouro (embora em algumas traduções do filme, você possa encontrar como Besouro Suco). Mesmo aparecendo em apenas 17 minutos e meio do filme, Keaton se tornou a cara da película. Com todas essas esquisitices, o filme foi um sucesso, ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem, virou desenho animado e levou a Warner a escalar Tim para a direção de um projeto ambicioso envolvendo um certo Cavaleiro das Trevas (ainda sem mamilos).

Batman – aproveite para ler sobre Batman Begins – foi o grande sucesso de 1989, com uma campanha de divulgação imensa, produtos de merchandising dos mais variados (eu ainda tenho os lençóis com o símbolo do morcego) e, tudo isso graças a um personagem de quadrinhos. Porém, Burton nunca escondeu que não é fã de HQs e o resultado transparece na tela.

Para este filme, ele não teve liberdade total, pois ainda era um relativo novato, com apenas dois longas na carreira. Mas ele pôde tomar algumas decisões importantes. A mais controversa foi a escolha do protagonista. Michael Keaton é um cara baixinho, magrelo e semi-careca. E mais, na época era mais conhecido por seus papéis em comédias (como o próprio Os Fantasmas se Divertem). Nada a ver com o Batman, certo? Pois Burton não quis nem saber e o escalou assim mesmo. Como Batman até que não comprometeu, pois o traje em forma de armadura deu uma melhorada no seu físico e ajudou a disfarçar sua altura. Já como Bruce Wayne… Keaton transformou o milionário atormentado num riquinho excêntrico e tapado. Nada a ver com o personagem que tanto amamos.

Mesmo este não sendo o Batman que os fãs queriam ver, trata-se de uma aventura competente e um fenômeno para a época. O único grande acerto de Burton foi a atmosfera sombria e opressora de Gotham City, que valeu ao filme um Oscar de Melhor Direção de Arte e Cenários. Essa característica visual se tornaria uma constante na obra de Burton daqui pra frente. Quem se deu bem mesmo com este filme foi Jack Nicholson, muito elogiado pela crítica por sua interpretação do Coringa (e se você é fã do Palhaço do Crime, aproveite para ler a resenha de Batman: A Piada Mortal, uma das melhores histórias do personagem), e que roubou o filme inteiro de Keaton. Ah, numa jogada de mestre, Nicholson abriu mão de seu cachê em troca de uma porcentagem da bilheteria. Devido ao estrondoso sucesso do filme, Jack foi para casa 60 milhões de dólares mais rico. Caraca!

Pausa para o “momento Contigo”: ainda em 1989, Burton se casou com a artista plástica alemã Lena Gieseke. A união durou somente até o último dia de 1991. A curta união se deu porque Burton logo conheceu a modelo Lisa Marie, de quem ficou noivo de 1992 até 2001. Ela se transformou na musa do diretor e, a partir do filme Ed Wood, ganhou papéis em todas as películas dele. Ah, mais um motivo para ele ser um tremendão: para um sujeito com a cara dele pegar uma modelo (e, se você, ao contrário do Corrales, gosta de modelos, leia a resenha de Táxi), alguma coisa a mais ele tem que ter.

Voltando à vaca fria, 1990 marcou o início da sensacional parceria entre Tim Burton e Johnny Depp, parceria essa que perdura até hoje. Trata-se de Edward Mãos de Tesoura, talvez o filme que melhor funcione como cartão de visitas do diretor. Todas as suas peculiares características estão lá. A atmosfera sombria, de pinceladas góticas, o personagem principal desajustado e o tom de fábula que mistura elementos cômicos com terror.

Desta vez, Burton conta a história de Edward, um homem artificial criado por um cientista (ninguém menos que o próprio Vincent Price) que vivia numa isolada mansão. Infelizmente o cientista morre antes de terminar sua criação máxima e Edward fica com afiadas tesouras no lugar das mãos. Certo dia, uma vendedora de cosméticos (Diane Wiest) decide tentar a sorte batendo à porta da mansão e encontra o jovem Edward. Ela decide levá-lo para o subúrbio onde mora e logo o carinha vira a sensação do lugar. As coisas se complicam quando ele se apaixona pela filha da vendedora, interpretada por Winona Ryder.

Burton traça, nas entrelinhas da história, uma violenta crítica social (todas as casas do subúrbio são iguais e pintadas em tons pastéis) e sobre a intolerância com aqueles que são diferentes. Em suma, algo que Burton provavelmente sentia em sua infância.

Vale mencionar que este foi o último filme de Vincent Price. O ator e herói de Burton morreu em 1993. Tim deve ter se sentido honrado por ter sido o diretor da despedida de Price. Edward Mãos de Tesoura foi um sucesso e ganhou uma indicação ao Oscar de Melhor Maquiagem.

Em time que está ganhando não se mexe. Esta é uma das maiores máximas de Hollywood. Por isso, apesar de Tim Burton provavelmente nunca ter lido uma revista do Batman na vida, ele voltou para a cadeira de diretor em Batman – O Retorno, lançado em 1992.

Devido ao estrondoso sucesso do primeiro filme do morcegão e também de Edward Mãos de Tesoura, desta vez Burton teve controle maior sobre a produção. Como resultado, obteve alguns acertos maiores (elevou o clima sombrio de Gotham à nona potência, caracterizou muito bem a relação dúbia entre Batman e Mulher-Gato e tornou o Pingüim um vilão legal) mas também cometeu erros maiores (pingüins gigantes controlados por rádio. A origem ridícula da Mulher-Gato. Uma gangue formada por artistas circenses. Fala sério!)

O filme foi muito bem recebido pela crítica, que o considerou superior ao primeiro. Embora não tenha tido o mesmo retorno financeiro do filme de 1989, foi uma das grandes bilheterias de 1992 e rendeu duas indicações ao Oscar (Melhores Efeitos Visuais e Melhor Maquiagem), mas tudo isso não foi o bastante para conquistar a simpatia dos fãs de longa data do Cavaleiro das Trevas.

Durante a produção de Batman – O Retorno, Burton também produziu seu primeiro longa em animação. O Estranho Mundo de Jack, feito em stop motion, trazia uma história bem exótica para um filme que, supunha-se, era destinado ao público infantil.

Jack é um esqueleto, governante da Terra do Halloween. Cansado da data, acaba descobrindo o Natal. Fascinado por essa nova festividade, seqüestra o Papai Noel e toma seu lugar na tarefa da distribuição de presentes. Só que seus presentes são um tanto impróprios para comemorar o nascimento de Jesus (aquele cara cruelmente torturado por Mel Gibson em A Paixão de Cristo).

O filme, apesar de não ser dirigido por Burton (ele estava comprometido com Batman – O Retorno) tem toda a estética visual e temática típicas dele, com a vantagem de que uma animação permite se fazer coisas que um filme convencional não conseguiria. A direção ficou com Henry Selick. Burton assinou o argumento e a produção.

Lançado em 1993, ninguém entendeu qual era a deste filme. Na época, os filmes em animação ainda eram vistos como produtos apenas para crianças. Obviamente, sua trama macabra não tinha muito apelo para os baixinhos. Como resultado, foi muito pouco visto. Com o passar dos anos, a animação foi redescoberta pelo público, recebendo seu devido valor e alcançando a aura de filme cult.

Em 1994, Burton lançou um de seus filmes mais pessoais e outro exemplar da parceria com Johnny Depp, Ed Wood, a cinebiografia romanceada do sujeito que é apontado por muitos como o pior diretor de cinema de todos os tempos.

É mais um filme com todas as características “Tim Burton de se fazer cinema”, este com o agravante de ter sido rodado num belíssimo preto-e-branco. Recebido de braços abertos pela crítica e vencedor de dois Oscar (Melhor Ator Coadjuvante para Martin Landau e Melhor Maquiagem), tinha tudo para ser mais um sucesso. Infelizmente, devido a Ed Wood ser uma figura desconhecida do grande público e à sua fotografia p/b, que afasta ainda mais gente dos cinemas, o filme foi o primeiro fracasso financeiro de Tim.

Mas calma, delfonauta. Com o tempo, o filme foi redescoberto pelos fiéis fãs de Burton, admiradores do cinema trash do verdadeiro Ed Wood e por cinéfilos em geral, ganhando a aura de cult, o que remediou um pouco a situação. Talvez o filme menos conhecido da carreira do diretor, é uma obra que merece ser descoberta.

A principal fonte de material do cinema vem das adaptações. Livros, peças de teatro, musicais da Broadway, HQs, e até mesmo outros filmes. Agora, fazer um filme que era uma adaptação de uma série de cards (as figurinhas dos estadunidenses, muito populares entre os nerds) era algo, no mínimo, inédito.

Marte Ataca! chegou aos cinemas em 1996, provando que era possível. E o filme tinha pretensões bem altas. Com um elenco estelar, com nomes como Jack Nicholson (em dois papéis), Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Martin Short, Sarah Jessica Parker, Michael J. Fox e Natalie Portman – esta última, também conhecida como a Princesa Amidala. Achou que a gente não ia colocar um link para Star Wars – Episódio III? – (muitos deles já haviam trabalhado com Burton antes), o filme pretendia ser uma grande homenagem à ficção científica dos anos 50 e 60.

O filme basicamente conta a história da chegada dos marcianos à Terra. A princípio, eles parecem ter vindo em paz, mas logo usam suas armas avançadas para vaporizar quem estiver no caminho. Pior para o governo dos EUA, que se recusa a acreditar que se trata de uma invasão e prefere pensar em tudo como um mal-entendido (seria essa a única vez na história dos EUA que eles não partem pra porrada logo de cara?).

O filme é bem divertido e se utiliza da estética mais colorida de Tim Burton. Novamente apresenta críticas, dessa vez à imbecilidade humana, disfarçadas numa sátira.
Destaque para os alienígenas cabeçudos (o idioma deles é hilário) e para a musa do rapaz, Lisa Marie, que aqui interpreta uma marciana gostosérrima.

Mesmo com efeitos especiais de primeira e um elenco cheio de nomes famosos, o filme foi mais um fracasso de bilheteria. Não tão retumbante quanto Ed Wood, mas ficou longe de se pagar. O público não pegou bem com o estilo anárquico do filme e a crítica também se dividiu. Mesmo não sendo das melhores obras de Burton, com certeza merece uma conferida.

Após dois fiascos seguidos, Burton se ligou a um projeto que seria certeza de retorno financeiro. Novamente ele não deu a mínima por não entender chongas de quadrinhos e assumiu a direção de Superman Lives, o projeto que traria o bom e velho Super-Homem de volta aos cinemas. E novamente meteu os pés pelas mãos. Primeiro, rejeitou o roteiro que fora escrito por ninguém menos que Kevin Smith, o nerd supremo e pessoa muito mais gabaritada que ele para cuidar de tal projeto. Depois, dizem os boatos, queria Nicolas Cage, outro careca, para o papel principal. O fato é que o projeto não deu em nada. A Warner engavetou a produção, decidiu fazer Batman Begins primeiro e o projeto do filme do azulão acabou virando o aguardado, e temido (ao menos por mim), Superman Returns, sob o comando de Bryan Singer, de X-Men (para quem estiver a fim de ler um pouco sobre os mutantes, fique com a resenha do game X2 – Wolverine’s Revenge). Burton teve que se contentar a voltar a fazer o que ele faz melhor, o que, definitivamente, não é adaptação de personagens de quadrinhos.

Ele só voltaria aos cinemas em 1999, com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, filme baseado numa tradicional história do folclore dos EUA. Este filme marcou: a volta de Burton à sua estética mais gótica, nova parceria entre Burton e Johnny Depp, e o reencontro do diretor com o sucesso comercial. Foi indicado aos Oscar de Melhor Fotografia, Melhor Design de Figurinos e levou o de Melhor Direção de Arte e Cenários, o que não é nenhuma surpresa já que é um filme do nosso amigo “Timóteo”. Ainda assim este não é dos seus filmes mais inspirados, mas isso talvez seja culpa da história, pouco conhecida do público brasileiro.

2001 foi a vez de Planeta dos Macacos. Na época, o diretor dizia que não se tratava de uma mera refilmagem do filme de 1968, e sim de uma reimaginação. Mark Wahlberg (que já foi conhecido como Marky Mark) tomou o lugar de Charlton Heston como o astronauta que acidentalmente cai num planeta onde os macacos se tornaram os animais mais evoluídos. Os humanos são meros escravos dos símios, mas o personagem de Wahlberg cai do céu como o salvador da raça humana.

Em comparação com a produção dos anos 60, o filme de Burton tem mais ação e as maquiagens de macaco são bem melhores. Porém, o filme não tem aquele subtexto político que a produção original tinha e Mark Wahlberg não tem nem de longe o mesmo carisma de Heston. Isto é, antes dele virar um maluco amante das armas, como visto em Tiros em Columbine. Falando em Michael Moore, não deixe de ler a resenha para Fahrenheit 11 de Setembro. Quem rouba a cena no filme de Burton é Tim Roth, como o cruel General Thade.

Foi neste filme que Tim Burton conheceu sua atual musa. A atriz Helena Bonham Carter, que interpretava a macaca de ideais libertários Ari. Detalhe, Lisa Marie também está no filme, como a personagem Nova. Deve ter sido uma tremenda saia justa, Burton com Lisa Marie e de olhos arregalados para Helena. O fato é que ele chutou a modelo e, ainda em outubro de 2001, já estava noivo de Bonham Carter. Os dois estão juntos até hoje e em 2003 a atriz pariu o primeiro rebento de Tim, Billy Ray.

Mas, voltando à macacada, o filme original tinha aquele final bacana que eu iria contar aqui, mas o Corrales censurou. A produção de Burton, no esquema da reimaginação, quis dar um final tão forte quanto o original. Causa um choque, só que ninguém entendeu. Esse é daqueles que geram inúmeras discussões e teorias a respeito.

Os críticos novamente dividiram suas opiniões. O único consenso foi que o Planeta dos Macacos de Burton não chega aos pés do original. O público não se importou com isso e lotou os cinemas. Novo sucesso.

2003 marcaria outro dos filmes mais pessoais de Burton. Isso porque a história de Peixe Grande tem muitos paralelos com a história do próprio diretor. Trata-se de um filho que não fala com o pai há anos, devido à sua mania do progenitor de contar as mentiras mais cabeludas. Mas, por conta da doença fatal do velho, o filhote precisa retomar o laço de afetividade. Pouco antes do início da produção do filme, o próprio pai de Tim, com o qual ele não falava desde os doze anos, faleceu. Pesado, não?

A história é emocionante sem cair no sentimentalismo barato. E, como trata-se de Tim Burton, este filme apresenta uma grande contagem de personagens esquisitos. Aqui, novamente o visual do filme é mais colorido, quase lisérgico, do que gótico.

Helena Bonham Carter, sua nova musa, ganhou do amado um papel duplo e o filme recebeu uma indicação para o Oscar de Melhor Trilha Sonora para Danny Elfman, que fez a trilha para todos os longas de Burton, com exceção de Ed Wood. Novo sucesso de bilheteria, Peixe Grande é Tim Burton em sua melhor forma.

Tim retornou aos cinemas agora em 2005, com nada menos que dois filmes. O primeiro foi A Fantástica Fábrica de Chocolate, novamente uma refilmagem. Porém, dessa vez a idéia foi deixar a nova versão da história de Charlie e Willy Wonka mais próxima do livro. Johhny Depp retorna ao universo de Tim Burton, no papel de Willy e Helena Bonham Carter interpreta a mãe do pequeno e pobretão Charlie.

Novamente, o diretor se utiliza de uma viajante direção de arte que abusa dos coloridos para criar a fábrica de doces dos sonhos de qualquer um. O filme peca por ser muito infantil. Não tem muito apelo para os adultos. E, embora muita gente ainda prefira a primeira versão, este já é um dos sucessos de bilheteria de 2005.

E é com o lançamento de A Noiva-Cadáver, com as vozes de Johnny Depp e Helena Bonham Carter, uma animação ao melhor estilo de O Estranho Mundo de Jack, que chegamos ao fim de mais um “Tremendões”.

Tim Burton é um sujeito estranho, meio deslocado, mas com a incrível capacidade de nos tocar através de seus filmes. Esquisitos, pouco convencionais, mas extremamente belos e inventivos. Sua obra merece ser vista e revista, pois é o exemplo perfeito de que cinema pode ser um belo passatempo sem precisar cair no lugar comum. Por isso, nós do DELFOS, o saudamos como mais um a receber nossa honra suprema: figurar na seleta lista de tremendões.

Para quem não conhece os trabalhos do diretor (o que eu acho meio impossível), todos eles (à exceção de As Grandes Aventuras de Pee-Wee), estão disponíveis no Brasil em DVD, e muitos são exibidos com freqüência na TV, tanto nos canais abertos, quanto nos pagos. É só ficar de olho.

Momento mais tremendão: Edward Mãos-de-Tesoura é o filme que melhor representa tudo o que há de melhor em sua obra.

Momento menos tremendão: Tim Burton seria um dos maiores ídolos nerds se não tivesse mostrado que não sabe nada de quadrinhos com Batman e Batman – O Retorno. Mas a gente aqui no DELFOS manja de quadrinhos e de Batman, então aproveita para ler a resenha de Batman : Asilo Arkham.

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