The Inpatient: terror em VR da desenvolvedora de Until Dawn

Hum... baratas são crocantes...

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The Inpatient, Delfos

VR é uma plataforma habitada quase exclusivamente por indies. Eu me lembro de apenas dois jogos de alto orçamento feitos para a plataforma, em especial para o PS VR. São eles Farpoint e, claro, este The Inpatient, criado pela Supermassive Games, que você deve conhecer pelo adventure slasher exclusivo de PS4 Until Dawn.

Assim como Until DawnThe Inpatient também é uma história interativa na qual suas decisões afetam o desenvolvimento. No entanto, boa parte dele envolve andar por corredores que tentam assustar, na melhor tradição walking simulator de terror.

O PACIENTE IMPACIENTE

The Inpatient, Delfos
Chega mais pertinho.

The Inpatient começa com o seu personagem (que você pode escolher ser homem ou mulher) preso a uma cadeira sendo interrogado por alguém que parece ser um médico. Você não lembra da sua identidade ou como foi parar lá, e tudo indica que este será o mote da história.

The Inpatient, Delfos
Por que eu estou preso, bro?

Após a conversa, você é levado para um quarto, onde conhece seu roommate, Gordon. Boa parte do jogo acontece aí.

The Inpatient, Delfos
No que pode ser chamado de suíte presidencial.

Nesta parte, você fica confinado a seu quarto, conversando com Gordon e escolhendo o que dizer a ele, enquanto explora detalhes do local, como o calendário ou o sanduíche que a enfermeira traz a toda hora.

The Inpatient, Delfos
Gordon e a enfermeira não são exatamente amigos.

Uma coisa bacana é a forma como as decisões são feitas. Quando há alguma interatividade, duas frases aparecem na tela, para você escolher uma. Dá para simplesmente olhar para a escolhida e apertar o botão ou então é possível falar a resposta em voz alta. Eu joguei em inglês, como normalmente faço, mas The Inpatient chega ao Brasil com dublagem e legendas em português, então acredito que os comandos de voz funcionam bem também na nossa língua pátria.

ROTINA ROTINEIRA

Logo as coisas entram numa rotina. Você acorda, fala com a enfermeira, come seu sanduíche e conversa com Gordon. Porém, uma hora você ouve barulhos estranhos e a enfermeira para de vir. O que aconteceu? Você está trancado no quarto, sem comida e bebida e sem nenhuma informação. Pode-se dizer que é aí que o jogo realmente começa. É aí também que seus problemas aparecem.

Para começar, antes de sair da sua jaula, você deve pegar uma lanterna, essencial para enxergar os corredores escuros do manicômio. Coisa simples. Basta esticar o braço e pegar. Porém, a câmera não conseguia ver o PS Move se eu esticava o braço até onde a lanterna estava.

The Inpatient, Delfos
Eu esticava o braço e aparecia o aviso que a câmera não conseguia encontrar o Move.

É o tipo de problema técnico comum por causa das limitações do PS VR, mas me surpreende que um grande exclusivo da plataforma ainda caia nessa armadilha. Eu achei que ia ficar preso nessa parte. Consegui sair daí apenas pedindo para a minha esposa levantar a câmera e apontá-la para baixo, o que é uma solução ridícula para um problema que não deveria existir.

A mesma coisa pode ser dita de coisas simples, como abrir portas, que exigem que você pegue a maçaneta, gire o pulso e empurre. Porém, o tracking é tão ruim que é de se pensar porque não abriram mão do movimento e não programaram as portas para abrir ao toque de um botão.

The Inpatient, Delfos
É comum seus braços ficarem em posições nada naturais ao tentar interagir com o jogo.

Imagino que The Inpatient deve funcionar bem melhor com um Dualshock, e pretendo voltar a jogá-lo um dia sem os moves para testar a teoria.

Felizmente, a movimentação em si funciona bem. Apertando o botão da mão esquerda, você anda para frente e com o da mão direita, você gira na direção que estiver apontando o controle.

ESCAPANDO DO MANICÔMIO

A partir daí, The Inpatient vira um jogo de exploração, embora não demore para você encontrar outros sobreviventes. Não há combate, mas há muitos sustos e vários deles funcionam. O roteiro é bacana, mas me incomodou quão escuro é o jogo a partir daí. Não considero um bom uso de VR se você só enxerga o pontinho da luz da lanterna.

The Inpatient, Delfos
Olha o quanto da tela fica preta quase o tempo todo.

A história serve como uma prequência para Until Dawn, embora possa ser perfeitamente entendida mesmo que você não tenha jogado o dito cujo. Não há personagens que participam dos dois jogos, mas os eventos de um afetam o outro, de forma que eu obviamente não vou elaborar mais aqui.

The Inpatient, Delfos
Ao invés disso, que tal comer uma barata?

O jogo não tem a mesma duração de Until Dawn, mas é mais longo do que um jogo de VR costuma ser. Deve durar algo entre três e quatro horas, ideal para jogar em uma ou duas tardes.

Como é comum em histórias interativas, há mais de um final, então você pode jogá-lo várias vezes para tentar ver tudo e, de quebra, faturar seu troféu de platina.

THE INPATIENT

The Inpatient, Delfos
Esta moça parece bem mais bonita no jogo do que nesta screenshot.

Histórias interativas são perfeitas para o VR, mas neste caso, The Inpatient peca por não ser apenas uma história interativa. Eu gosto de walking simulators também, mas a interação com o ambiente aqui foi muito prejudicada pelas limitações do PS VR, maculando toda a experiência.

Até recomendo o jogo com algumas ressalvas, mas sugiro que você jogue com o controle padrão e deixe os PS Moves na gaveta.

REVER GERAL
Nota:
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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).