A minha paixão por videogames começou com o NES. Pensei, pensei, e cheguei à conclusão de que afirmar isso é o único jeito de começar esta resenha.

Paixões da juventude

Os delfonautas com mais de trinta anos provavelmente têm alguma história parecida com a minha. Tudo começou quando meu pai comprou um Atari 2600 no dia 11 de julho de 1984. Eu sei disso porque a nota fiscal dele ainda existe, embora o console já tenha ido embora há muitos anos. Eu gostava de jogá-lo, mas a verdade é que poucos jogos eram envolventes o suficiente para que alguém quisesse jogar por mais de dez minutos.

No final de 1990 ou começo de 1991, eu estava na casa de uma tia quando vi uma caixa fechada escrita Phantom System. Era evidentemente um videogame, então perguntei para o meu primo o que era. Ele confirmou que era um videogame, mas que não estava ligado porque o jogo que vinha nele, Caça-Fantasmas, era muito chato. Acontece que o filme era meu favorito e eu também adorava o desenho. Ele topou ligar para eu ver.

Acho que meus pais tiveram alguma dificuldade em me levar embora algumas horas depois. Ao contrário dos jogos do Atari, Ghostbusters tinha várias telas e muitas coisas diferentes para fazer.

Enquanto voltávamos para casa, meus pais contaram que a minha tia cuidaria de alguém com hepatite e que, por isso, não poderíamos voltar lá por um tempo. Eu devo ter começado a pedir um Phantom System já no carro.

Alguns meses depois, em março, era véspera do meu aniversário de 11 anos. Ouvi, por acaso, minha mãe comentando com meu pai, na cozinha, que ele não devia ter comprado aquilo, que “a fita do coleguinha sempre será melhor”. Foi quando percebi que, no dia seguinte, ganharia o videogame que queria. E ganhei mesmo.

Sim, Ghostbusters era chato, mas eu joguei aquele jogo compulsivamente nas semanas seguintes. Eu me associei às locadoras do bairro, comecei a comprar revistas e, mais tarde, ganhei alguns jogos. O Atari 2600 foi vendido e não deixou saudade, pelo menos na época.

Joguei muitos, muitos jogos, fosse alugando, pegando emprestado, comprando ou trocando. Era questão de honra terminar tudo o que dava. Tinha um caderninho para anotar as dicas, passwords e quais jogos eu já tinha terminado. Os melhores eu fazia questão de comprar. Super Mario Bros. 3, por exemplo, foi provavelmente o jogo que mais joguei na vida.

Meu amor pelo Phantom System durou até eu conhecer o Super NES, que ganhei no Natal de 1993. Como não era viável ter dois consoles, vendi o Phantom para comprar algum jogo de SNES.

No começo da década de 90, a Nintendo não tinha representação oficial aqui. Isso deu margem para que as empresas brasileiras fizessem seus próprios videogames compatíveis. Sem pensar muito, lembro do Phantom Sytem (Gradiente), do Bit-System (Dismac), do Top Game (CCE) e de um monte de Dynavisions (Dynacom). Foi só em 1993 que a Nintendo se fez presente aqui e lançou o Super NES nacional, acabando com a farra.

Desde então, eu tive todos os videogames da Nintendo com exceção do GameCube. Qualquer Super Mario novo é motivo de compra de console. Até o Wii U, que quase ninguém que conheço tem, comprei sem nenhum arrependimento. A diferença é que agora eu não revendo nenhum deles, e até fiz questão de comprar de novo um NES.

Uma empresa muito da maluca

A Nintendo vive em um universo próprio. Pensei, pensei, e cheguei à conclusão de que só poderia começar a escrever esta parte do texto com esta frase.

A empresa sempre soube da nostalgia que os fãs têm para com os jogos antigos. Na época do SNES, tínhamos Super Mario All-Stars, com os quatro jogos originais do NES e Famicom refeitos com visual 16 bits. Na época do Cube, lançou algumas compilações de Zelda. No Game Boy Advance, rolou uma série de jogos de NES emulados. Finalmente, houve o lançamento do Virtual Console na era do Wii. Emulações muito boas e jogos vendidos individualmente a preços não tão justos. Afinal de contas, até minha avó sabe que Ice Climber não deveria ser vendido pelo mesmo preço de Super Mario Bros. 3. A prática continuou idêntica no Wii U.

O Switch já estava mais do que anunciado e com data marcada para lançamento no começo de 2017, quando, de surpresa, anunciaram um pequeno console chamado NES Classic Edition. Ele custaria apenas US$ 60, viria com um controle e trinta jogos na memória. Imediatamente ficou claro pela internet que todo mundo queria um. Quando ele saiu, de fato, no final de 2016, era impossível encontrá-lo em lojas. Os estoques eram muito pequenos e quase que imediatamente ele só era encontrado no eBay a US$ 200 ou mais. “Não se preocupem”, a Nintendo falou. “Logo produziremos mais e a demanda será atendida”. Isso nunca aconteceu, pois, surpreendentemente, em abril ela avisou que o NES Classic Edition não seria mais produzido. Os preços, é claro, subiram ainda mais.

Tudo bem, os jogos são dela e ela coloca os preços que quiser. Só que não faz sentido ela vender caro nos Virtual Consoles da vida e aí fazer um console quase que a preço de banana com trinta jogos que todo mundo quer para, quase que imediatamente, parar de produzi-lo.

Pouco tempo depois, a Nintendo avisou que fará o round 2 com o Super NES Classic Edition. Ninguém duvida de que a história será a mesma ou ainda pior.

Input lag e a frustração

Jogar jogos antigos hoje em dia de forma satisfatória é muito difícil. Pensei, pensei, e cheguei à conclusão de que esta é a melhor frase para começar a resmungar.

Os jogos do milênio passado foram feitos para serem jogados com input lag praticamente zerado. “O que é isso?”, o delfonauta pergunta. É quando você aperta o botão de pulo e o Super Mario pensa uns milissegundos antes de concordar com você.

Nos consoles originais ligados em uma TV CRT, vulga TV de tubo, esse lag ficava na casa dos microssegundos porque era o hardware original rodando nas condições que foi feito para rodar. O jogo foi programado sabendo dessas características.

Aí entraram os emuladores na história. São aparelhos fingindo serem outros. Naturalmente, há algum processamento para isso, portanto o tempo de resposta diminui. Logo depois, todo mundo ficou ansioso para trocar suas velhas TVs de tubo pelas de LCD e LED, não é? Eu sei que eu fiquei. Tão bonitas e fininhas! Acontece que elas não são “burras” como eram as antigas. Não, elas também têm processamento. Mais input lag. Você ligou tudo isso em um receiver? Mais input lag. Foi via HDMI, não foi? É um cabo digital, não analógico. Mais lag. Tudo isso se soma e o Super Mario não recebe a tempo o comando de pular. Vai direto pra dentro do buraco.

Input lag é o principal motivo de eu ainda ter uma linda TV CRT de 21″ tela plana no meu escritório. Afinal de contas, eu ainda tenho meus videogames originais e muitos jogos. Tentei com muito carinho e boa vontade usar um Raspberry Pi rodando emuladores porque, verdade seja dita, isso seria muito prático. Não deu. O resultado é horrível para quem está acostumado com o tempo de resposta original. Uma característica imutável dos emuladores é que há a necessidade de processamento, e o melhor que dá para fazer é minimizar o impacto.

Concluindo o assunto, sempre existiu e sempre existirá algum input lag. O importante, entretanto, é torná-lo imperceptível a ponto de não atrapalhar a jogabilidade dos jogos que exigem reflexos mais rápidos.

NES Classic Edition


Quando o NES Classic Edition foi anunciado, confesso que não me empolguei tanto para pegá-lo. Eu já tinha em cartuchos a maioria dos jogos anunciados para ele em um console ou em outro, e não sou tão fã assim dos que não tinha. Os preços aqui no Brasil estavam altos no lançamento e abaixaram muito pouco. Quando foi cancelado, a coisa beirou o ridículo. Raramente vi preços abaixo de mil reais.

Acontece que eu tenho um certo grau de nintenditis aguda, caso algum delfonauta não tenha percebido. Comecei a me coçar muito depois que soube do cancelamento da produção. O anúncio do Super NES Classic Edition fez aparecer manchas no meu corpo e foi o suficiente para eu decidir comprar os dois.

Numa bela e fria tarde de segunda feira, saindo da academia, passei em frente a uma lojinha de eletrônicos de Petrópolis, onde moro, quando vi algo de canto de olho. Era o último lugar onde eu esperava ver o NES Classic Edition à venda, mas era um. Era a versão européia a R$ 750. Fui para casa para pensar no assunto.

“Bem”, eu pensei, “se mesmo aqui já está a esse preço, provavelmente pela internet consigo
achar mais barato”. Entrei em um ilustre site de leilões brasileiros para olhar. Não apenas só achei coisa mais cara, como também descobri que começaram a fazer um clone chinês. Fim da picada!

Restava saber a diferença do europeu para o americano. Na época, os jogos europeus rodavam em uma frequência diferente, a 50 Hz, enquanto o resto do mundo rodava a 60. O console novo, entretanto, era igual ao americano, com a exceção de não acompanhar um adaptador USB para tomada, daqueles que a gente já tem uns cinco em casa por causa de celulares e tablets.

Voltei lá no dia seguinte para comprar. Cheguei em casa, ansioso, e abri a caixa. A primeira impressão já foi muito legal. Desde o começo, li na internet sobre como ele era pequeno e bonito, mas não estava preparado para vê-lo pessoalmente. De fato, é tudo o que disseram.

Outra coisa muitíssimo falada foi o tamanho do cabo do controle, extremamente curto. É, ele é mesmo extremamente curto. Foi feito para que o controle ficasse perto do console, já que é necessário usar um botão dele com uma certa frequência. Mais sobre isso mais para frente, mas de cara é bom saber que um cabo HDMI e um Micro USB relativamente compridos são necessários para compensar o controle.

Consegui ligá-lo numa boa usando a entrada HDMI e a USB da frente do meu receiver. Liguei o console.

De cara, aquela apresentação típica da Nintendo. Musiquinha fofa, menu colorido e sprites pulando. Difícil não se encantar. Eu sempre me sinto criança de novo quando vejo um novo console dela. É uma empresa que sempre usou seu lado, digamos, fofinho de um jeito extremamente positivo, e eu espero que isso nunca mude.

Resolvi escolher um jogo que gosto e que não tenho em cartucho para testar, Galaga. Não mexi em opção nenhuma. Estava imediatamente muito bonito na sua simplicidade. Joguei até tomar game over.

Fui então para algum jogo conhecido. Super Mario Bros., o original. Imediatamente notei duas coisas: o jogo estava com quadros de animação pulando (também conhecido como frame skip) e muito, muito input lag, coisa que é mais difícil de notar no Galaga. Veio aquela sensação ruim de ter comprado uma coisa cara e insatisfatória na mesma hora, mas aí me lembrei que não estava com um troço genérico na frente. Não, era um produto da Nintendo e ela não deixaria uma coisa mal feita levar o nome da empresa. Certamente o problema não era o console.

Lembrei de um artigo que tinha lido alguns dias antes sobre input lag. Existem tipos diferentes de painéis nas TV novas, e os piores costumam ter menos processamento, portanto menos lag. Tenho uma TV pequena vagabunda para alguma emergência, e resolvi usá-la para testar o console. Pronto, o jogo rodou direitinho. Realmente não era o console.

As TVs de LCD e LED normalmente têm o tal modo “game“, onde diminuem o processamento de imagem para um mínimo e, assim, melhoram o tempo de resposta. Investigando melhor a minha, vi que o modo “game“ não estava ligado. Testei e não resolveu. Fuçando melhor, vi que o meu receiver também tinha um modo “game”. Ora essa, eu nem sabia que meu receiver processava imagem. Coloquei nesse modo e voilá, o input lag ficou aceitável, a animação ficou perfeita e eu voltei a ficar feliz.

Esta talvez tenha sido a introdução mais longa do DELFOS. O Corrales pode me corrigir se eu estiver errado ou, preferivelmente, apagar o texto do recordista anterior. Sim, faça isso, Corrales. Apague o anterior.

Console pequeno, texto grande

Bem, a estas alturas, eu já falei sobre as principais características do NES Classic Edition, mas vamos recapitular.

A caixa vem com um console, um controle, um cabo HDMI e um cabo Micro USB para alimentação. A versão americana acompanha, além disso, um adaptador para tomada.

O controle é uma réplica perfeita do original em todos os sentidos. Não é arredondado como o do Super NES é, e muita gente com mãos frágeis reclama que, com o tempo, ele machuca. Nada que trabalhar com construção civil uns dois meses não resolva. O cabo do controle tem só 30 centímetros, então, se a sua TV ou receiver ficam longe do sofá, prepare-se para arrumar alguma solução envolvendo cabos mais compridos.

O console em si é uma miniatura do NES em aparência, mas a tampa do que seria a entrada para cartuchos não abre. Na parte da frente, temos o botão de ligar e desligar e o reset, que volta para o menu, além das duas portas de controle. Atrás, a saída HDMI e a entrada Micro USB para receber energia.

Ele é compatível com o Classic Controler do Wii, então, se você tem um em casa, deu sorte, pois já tem controle para o segundo jogador.

A saída HDMI tem resolução nativa de 720p. O motivo da resolução ser essa é porque  720p é múltiplo de 240p, a resolução original dos jogos. É o que faz o pixel quadrado continuar quadrado. Sua TV ou receiver terá que fazer algum upscaling se você gosta de tela cheia.

Vem com 30 jogos, sem possibilidade de comprar outros, e o console não tem acesso à internet nem porta externa, então o multiplayer é local e o firmware não é atualizável.

Além da seleção de jogos, há muito pouca coisa para se mexer. Existem três opções de gráfico: 4×3, que é o padrão e alonga um pouco os pixels horizontalmente; “pixel perfect”, onde os pixels são quadradinhos do jeito que Deus e a família tradicional brasileira querem que sejam; e, finalmente, uma simulação de CRT embaçada com scanlines. Dizem que tem quem goste disso. Mudei para “pixel perfect” e provavelmente nunca mais mexerei.

Nas opções, além de escolher os três tipos de vídeo, dá para habilitar ou desabilitar as formas de proteger a tela e fazer o console desligar sozinho por inatividade. Uma opção relativamente inútil é a dos manuais. É apenas um QR Code para que você veja os manuais no site da Nintendo. Como meu console é europeu, também dá para trocar o idioma.

Uma coisa muito noticiada, mas de forma exagerada, foi o som com algumas diferenças do original. São detalhes sutis que apenas alguém que conhece muito bem repara. A giratória do Double Dragon II, por exemplo. Não encontrei nada de diferente nas músicas, somente nos efeitos. Certamente mudanças nas músicas teriam me incomodado mais, muito mais.

Seu NES Classic vem com um cartucho de trinta jogos grudado nele

Chegamos à segunda parte mais importante da resenha. Por que a segunda? Ora, se o hardware não funcionasse direito, não adiantaria nada ter jogos legais.

Apertando select na interface principal, é possível reorganizar os jogos por nome, fabricante, último acesso e até mesmo pela minha forma favorita, que é por data de lançamento.

Cada um dos 30 jogos possui quatro posições para guardar saves, e dá até para protegê-los para que não sejam apagados sem querer. A função é acessada quando, durante o jogo, o delfonauta apertar o reset e escolher uma das posições para salvar. Não é daquele tipo que apaga sozinho caso você o retome, então lembre-se de não abusar disso caso não queira decepcionar a equipe do DELFOS, hein? Aqui todo mundo termina Contra sem código de trinta vidas.

A relação dos jogos é moleza de conseguir pela internet, mas aqui no DELFOS você recebe mais pelo seu clique. Sendo assim, vou falar um pouquinho de cada jogo. Ei, eu jogo essas coisas desde que comecei a ter duas casas decimais de idade. Algumas delas até desde o lançamento.

Baloon Fight (1986)


Um joguinho simples do começo do NES inspirado no clássico Joust da Atari, mas que já mostra o diferencial da Nintendo.

Um dos motivos para a inclusão dele provavelmente foi homenagear o falecido presidente da empresa, Satoru Iwata, que foi o criador de Baloon Fight.

Além do modo normal, onde o jogador tem que estourar os balões dos inimigos e depois pisar neles, há um modo de scroll bem difícil e divertido onde o jogador precisa pegar os balões e desviar dos raios. Um dos meus favoritos da safra inicial do NES.

Bubble Bobble (1988)


Também no estilo arcade, o objetivo é capturar os inimigos nas bolhas para limpar a tela. Com paciência, é até fácil chegar ao chefe final, que é ridiculamente difícil. Acho que gostaria mais do jogo sem esse chefe.

Castlevania (1987)


Este é um dos meus velhos favoritos e, curiosamente, a resenha dele foi o primeiro texto que escrevi para o DELFOS há mais de dez anos.

Melhor colocar o link aqui do que me repetir, né?

Castlevania II: Simon’s Quest (1988)


Um jogo complicado pelas razões erradas. Não envelheceu tão bem quanto o primeiro, que está aqui, ou o terceiro, que merecia muito mais estar aqui. Ao invés de ser um jogo de ação como eles, é um adventure com exploração. Até aí tudo bem. O problema é que, na maior parte do tempo, é quase que impossível avançar sem um passo a passo, já que os personagens só dão dicas falsas e não há mapa.

Bem, pelo menos a trilha sonora é excelente.

Donkey Kong (1986)


A origem do personagem Mario antes dele ganhar o adjetivo no nome, e um dos primeiros grandes sucessos da Nintendo desenvolvidos pelo Shigeru Miyamoto. É uma adaptação do arcade, mas infelizmente com uma fase a menos por questões de memória. Desvie dos obstáculos e suba as escadas até chegar ao topo da tela e salvar sua namorada Pauline.

Divertidinho, mas tem jogos melhores nesse estilo aqui mesmo.

Donkey Kong Jr. (1986)


Em seu primeiro e único papel de vilão, Mario prendeu Donkey Kong em uma jaula. Cabe ao filhote do macaco resgatá-lo em um jogo mais ou menos parecido com o original. Eu o acho melhor, mas não muito melhor. Entendo a motivação da Nintendo de incluir ambos aqui, já que são jogos históricos para a empresa.

Double Dragon II: The Revenge (1990)


O primeiro Double Dragon do NES ficou famoso por não permitir dois jogadores simultâneos, um problema que foi consertado aqui. É o melhor da trilogia do NES e, para mim, um dos melhores jogos da série. Gráficos muito legais, música excelente e jogabilidade variada, pois é da época que jogos no estilo “andar e bater” costumavam trazer elementos de plataforma também, o que o torna bem menos tedioso que a média. Certamente um dos melhores jogos do sistema.

Ah, é um dos jogos com efeitos sonoros levemente diferentes do original. Como disse um amigo meu, ao invés de TSHOC TSHOC TSHOC, a voadora giratória no cartucho original fazia TCHAC TCHAC TCHAC. Aqui a gente não só fala. A gente prova!

Dr. Mario (1990)


Um monte de gente provavelmente preferiria Tetris aqui, mas Dr. Mario é um puzzle com mais cara NES do jeito que Tetris combina mais com o Game Boy.

Junte os remédios aos vírus até que quatro da mesma cor estejam juntos e sumam. Contém duas das músicas mais grudentas da história dos chiptunes, algo que é bem desejável em um puzzle.

Excitebike (1985)


Outro jogo simples dos primórdios do NES. Motocross com scroll horizontal. Tem modo de corrida e de time attack, além de um editor de pistas. Limitado, mas divertido.

Final Fantasy (1990)


Primeira versão da série famosa da Square. Jogar esse jogo até o fim requer muita paciência e força de vontade, pois a interface é extremamente datada.

Não dá para saber se uma arma serve para um personagem até comprá-la e tentar equipar, por exemplo. Quer comprar 50 poções para levar para uma masmorra? Tem que comprar uma por uma. Mandou todos os personagens atacarem um inimigo e ele morreu depois do primeiro ataque? Os outros três acertarão o ar. É por aí. Em minha opinião, Dragon Warrior III teria sido uma adição mais legal.

Galaga (1988)


Um dos meus jogos favoritos do tipo arcade. Pode parecer engraçado para quem é mais novo, mas este jogo foi um grande avanço se comparado aos inúmeros clones de Space Invaders da época. Tem até uma mecânica legal de deixar o inimigo sequestrar a sua nave e depois salvá-la para dobrar seu poder de fogo.

Ghosts ‘n Goblins (1986)


Jogo legal em versão mal feita. A Capcom costumava terceirizar o desenvolvimento de alguns jogos para empresas de qualidade questionável, e este aqui é um deles. Todos os jogos desta série têm a fama (justificada) de serem difíceis pra Cthulhu, e este é um dos jogos mais cabeludos já feitos.

Apesar da programação ruim, é um jogo bem divertido, daqueles que você ri quando morreu pela centésima vez no mesmo lugar. Talvez jogar bêbado ajude.

Gradius (1986)


Pelo menos um shooter tinha que estar aqui, né? Afinal, o gênero “navinha” era muito famoso na época. Embora Gradius seja a série mais famosa, Life Force teria sido mais bem-vindo porque tem opção para dois jogadores simultâneos.

Ice Climber (1985)


Na minha opinião, o jogo mais chatinho da coleção. Jogabilidade travada e pulos muito esquisitos, o que não ajuda um jogo repetitivo. O objetivo é chegar no topo da tela desviando das várias coisas que querem te matar.

Kid Icarus (1987)


O primo diferentão de Metroid. Ambos foram criados mais ou menos na mesma época pelo Gunpei Yokoi, o criador do Game Boy. Têm algumas coisas em comum, mas Kid Icarus é o mais experimental dos dois. É tão experimental que, na verdade, não sei dizer se gosto dele ou não. Mistura plataforma com exploração.

Kirby’s Adventure (1993)


Um dos últimos jogos do NES e certamente um dos mais bonitos. Quando o comparamos com, sei lá, Ice Climber, sabendo que rodam no mesmo videogame, é que lembramos do quão inovador e revolucionário o NES foi.

Jogo muito divertido de plataforma com visual colorido e power ups diferentes que o personagem ganha quando engole um inimigo. Quebrando um pouco a regra, é um jogo bem fácil.

Mario Bros. (1985)


Mais um da série de jogos iniciais estilo arcade do NES. Esse foi um dos que saiu até para o Atari 2600.

É para dois jogadores simultâneos. Só resista ao impulso inicial de pular em cima das tartarugas! Isso ele só consegue no próximo jogo. Antes de ser Super, ele precisava bater por baixo da plataforma para virar a tartaruga.

Mega Man 2 (1989)


Metade das pessoas acha este o melhor jogo da série clássica. A outra metade acha que o 3 é. Eu pessoalmente nunca consegui escolher qual dos dois é meu favorito. Preciso explicar como a série Mega Man é? Vença os robôs e ganhe as armas deles para usar nos próximos, blá blá blá.

Curiosamente, este talvez seja o único da série sem uma ordem “certa” de robôs. Eu costumo começar pelo Metal Man porque a arma dele é a mais versátil.

Aumente o volume para jogar, sim? Chiptunes não ficam muito melhores do que isto.

Metroid (1987)


Super Metroid, para o Super NES, é o mais perto de um jogo perfeito que eu conheço. Já este aqui, primeiro da série, tem a mesma base, mas a falta de um mapa em cenários repetitivos e de um sistema de recarregar a energia um pouco mais rapidamente dificulta a coisa.

Vale a experiência, entretanto.

Ninja Gaiden (1989)


Qualquer dos Ninja Gaidens do NES seria muito bem vindo aqui. Um jogo muito caprichado em todos os sentidos.

Foi, que me lembre, um dos primeiros jogos com cutscenes. A Tecmo chamava isso de “Tecmo Theater“. O legal é que vê-las hoje é tão impressionante quanto deve ter sido na época porque os desenhos e o script são muito bons.

Curiosamente, a arte foi feita pelo Masato Kato, que mais tarde escreveu roteiros de alguns jogos como Chrono Trigger e Chrono Cross.

Pac-Man (1993)


Um port tardio para o NES do jogo que foi febre no mundo inteiro. É perfeitamente igual à versão de arcade, ao contrário da versão mais famosa do Atari 2600, e bem jogável até hoje.

Punch-Out! Featuring Mr. Dream (1990)


O clássico Mike Tyson’s Punch-Out! Este jogo foi relançado para o NES já mais para o final da vida dele, mas sem o boxeador famoso. Esse eu nunca consegui terminar, mas dizem os entendidos que o melhor jeito de saber se o input lag atrapalha é justamente na luta contra o Mike Tyson/Mr. Dream.

Achas que tens o que é necessário para esmagar o chefe final, delfonauta?

StarTropics (1990)


Um jogo curioso desenvolvido no Japão, mas só lançado no ocidente. Lembra um pouquinho Zelda, mas tem mais interação com personagens e capítulos, além de sistema de vidas.

Uma série da Nintendo que não foi para frente, já que a continuação não vendeu bem.

Super C (1990)


Às vezes acho que ninguém mais no mundo notou que o Contra original nunca foi relançado em lugar nenhum. Não apareceu no Virtual Console de nenhum sistema, embora Super C esteja em todos.

Tanto Contra quanto Super C são jogos sensacionais. Fico feliz que pelo menos o arroz de festa esteja aqui. Nunca entendi o porquê das pessoas os acharem tão difíceis.

Ah, sim, instruções: atire em tudo.

Super Mario Bros. (1985)


O maior dos clássicos dos videogames. Não foi o primeiro jogo de plataforma, mas com toda a certeza foi o primeiro jogo de plataforma bem programado e com bom level design. Legal de verdade até hoje, mesmo sem a nostalgia, um fato que eu acho extraordinário. Envelheceu muito melhor do que jogos como Adventure Island ou a série Alex Kidd.

Super Mario Bros. 2 (1988)


Hoje em dia já é fato sabido que o Super Mario Bros. 2 verdadeiro foi feito na mesma engine de Super Mario Bros. e lançado para o Famicom Disk System, um drive de disquete para o Famicom que não saiu do Japão. Foi considerado muito difícil para os ocidentais, então pegaram um joguinho da Nintendo chamado Doki Doki Panic, mudaram os sprites para os quatro personagens famosos e lançaram como Super Mario Bros. 2 no NES. Nós nos demos bem, pois é um jogo mais interessante que o original.

Cada personagem tem características diferentes e alguns são mais fáceis de usar que outros. A princesa é quase um modo fácil, já que pode levitar por alguns segundos e isso facilita muito atravessar os buracos.

Super Mario Bros. 3 (1990)


Meu jogo favorito de todos os tempos. Level design perfeito e jogabilidade impecável. Enquanto eu tiver reflexos para passar pela fase de scroll rápido do Mundo 8, continuarei jogando Super Mario Bros. 3.

Tecmo Bowl (1989)


Não sei o que dizer sobre este jogo além de ser um jogo de futebol americano. Sei que é um velho favorito lá nos Estados Unidos, mas jogos de esporte dessa época raramente envelheceram bem.

The Legend Of Zelda (1987)


O originalzão. Sem dar mais detalhes, este jogo me deixou de recuperação em matemática no longínquo ano de 1992.

Você joga com um boneco abandonado no mundo para se virar e achar as coisas que tem que achar e fazer as coisas que tem que fazer. Os poucos personagens que falam algo não falam nada de útil. É como a vida real.

Na minha opinião, ainda é um jogo muito legal, mas o fato do Link só se mover em quatro direções e não oito leva algum tempo para se acostumar.

Zelda II: The Adventure Of Link (1988)


Várias trilogias do NES têm a característica do segundo jogo não ter muito em comum com o primeiro, e do terceiro jogo usar versões melhoradas e turbinadas da mecânica do primeiro. Castlevania, Final Fantasy e Super Mario foram assim. Zelda também, embora tenha deixado o III para outro console.

Zelda II é uma mistura de adventure com plataforma muito bem feito e completamente diferente do primeiro jogo da série. Para algumas pessoas, a série nunca conseguiu superar este jogo.

A doce e esperada conclusão

Bem, acho que é isso. O NES Classic é um console muito simples e limitado, mas faz muitíssimo bem o que se propõe a fazer, e é isso que eu quero das coisas que compro.

O maior defeito dele, de longe, é a impossibilidade de encontrá-lo pelo preço original, e a grande culpada disso é a Nintendo. Podendo colocar a mão em um destes a um preço justo, entretanto, não pense duas vezes. É uma cápsula do tempo muito divertida com alguns dos melhores jogos da história.

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Guilherme Viana
Teve o diploma forjado nas bigornas negras da Ciência da Computação e, como bom true, odeia computadores, meras ferramentas desenvolvedoras de games. Aliás, foram, pois os jogos mais true têm pelo menos dez anos de idade. Pensando bem, agora os computadores só servem para acessar o DELFOS. Gosto musical? Música é só aquela parte da tabela periódica onde estão os metais pesados - Thrash, Death e Black. Se não causar hemorragias internas, não é música.