A festa de 15 anos é um rito de passagem feminino, que marca a transição das garotas de criança para mulher. E geralmente é comemorada com uma baita festança cheia de luxo e pompa, o tradicional baile de debutante. E como você já deve ter adivinhado pelo nome do filme, é disso que ele trata.

Bia é uma adolescente na dela e “invisível” em sua escola, tendo só um grande amigo. No entanto, quando ela vence uma promoção de shopping, ganhando uma festa de 15 anos completa, com direito até a show da Anitta, seu medo inicial de que o evento seja um fiasco pela falta de gente logo se prova o contrário.

A vindoura festa rapidamente se torna o grande evento social da temporada na escola e de repente todo mundo vira amigo de Bia desde criancinha, só para poder ser convidado. Isso inclui o moleque mais bonito do colégio, que antes nem sabia que ela existia (e é óbvio que ela é caidinha por ele) e que de repente vai lhe dar toda a atenção do mundo só para poder ganhar um convite.

Meus 15 Anos tem a maior cara de comédia teen de high school estadunidense e sua trama lembra em vários momentos um dos clássicos do gênero, A Garota de Rosa-Shocking (1986), escrita e produzida pelo mestre do gênero, o inesquecível John Hughes.

Claro, sem a mesma qualidade, mas ainda assim ele é bastante simpático. Não há nenhuma novidade e o roteiro é extremamente previsível, fazendo você adivinhar tudo que vai acontecer a quilômetros de distância. Mas ainda funciona, porque ele basicamente recicla situações-padrão de exemplares estadunidenses do tipo.

A diferença dele para um O Rastro, por exemplo, que tenta fazer a mesma coisa, só que no terror, é que neste os roteiristas foram espertos o bastante para copiar apenas o que funciona, sem tentar inovar, reinventar ou fazer qualquer outra coisa que saia dos chavões já consagrados do gênero. Por isso, mesmo não tendo qualquer novidade, ainda assim é familiar o suficiente para agradar.

Claro, o fato de se passar numa escola brasileira também aumenta o fator identificação, com várias situações que muita gente deve ter passado no colegial. Nesse sentido, o roteiro é bem redondinho, principalmente nos diálogos, que são bem construídos.

Também se sai bem quando parte para um humor popular mais tipicamente brasileiro. A dupla de organizadores da festa é um bom exemplo disso e são eles que mais arrancam risadas quando aparecem.

O roteiro só carecia de mais uma pequena lapidada, pois algumas vezes os personagens abusam de gírias e ações que parecem forçadas, como o uso de celulares, por exemplo. Mas ainda assim até que está bacana, eu me surpreendi positivamente.

Também é pena que a grande maioria dos atores adolescentes seja muito ruim. A turma de Malhação parece ter saído do Actors Studio comparada com esse pessoal, o que também acaba prejudicando o roteiro, já que às vezes as falas são boas, mas eles não conseguem entregá-las com o tom e a naturalidade corretas.

Mesmo com esses problemas, o filme ainda é muito mais positivo do que negativo e diverte durante toda sua duração. É bacana ver um filme nacional destinado ao público adolescente, uma parcela de espectadores meio esquecida pelo grosso da nossa produção.

Meus 15 Anos fez a lição de casa utilizando-se bem das situações padrão dos filmes teen gringos e transpondo-os bem para a realidade brasileira. Pode não ser a coisa mais criativa (e bem atuada) do mundo, mas resulta em algo bacana o bastante para valer uma assistida por parte da galera que se encontra nessa idade.

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Carlos Cyrino
Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.