Praticamente todos os filmes sobre assaltos ou roubos contam com a figura do motorista de fuga, parte essencial de qualquer bando criminoso, embora poucos coloquem este personagem em primeiro plano. Em Ritmo de Fuga o coloca sob os holofotes como o protagonista.

O novo filme de Edgar Wright apresenta Baby (Ansel Elgort), um jovem e habilidoso motorista com carinha de bebê (dã!) e um problema de audição que ele atenua ao ouvir música constantemente em seu iPod, inclusive quando está no meio de um trabalho.

Ele trabalha para uma quadrilha de assaltantes de banco, liderada pelo Kevin Spacey, pois deve uma grana para o chefão em questão. Contudo, quando quitar sua dívida, pretende sair dessa vida, pois não suporta a violência envolvida e os tipos brutos e psicóticos com os quais tem de conviver.

Contudo, como sempre nesse tipo de história, as coisas não são tão simples e sua saída da vida de crimes pode ser mais complicada do que ele pensa. Isso certamente irá gerar vários momentos em alta velocidade pelas ruas da cidade e muita gente descontente com ele.

Em Ritmo de Fuga

MUSICAL?

Edgar Wright é um dos diretores mais nerds dos últimos anos e aqui alia o elemento musical aos tradicionais filmes de assalto. Aliás, andei lendo por aí algumas críticas que andaram considerando Em Ritmo de Fuga como uma mistura entre ação e musical.

Na verdade a coisa não é bem assim. Sim, a música é muito importante, central até para o filme, dada a condição de Baby e também a ligação de seu passado com a música. Só que em nenhum momento os personagens começam a cantar e dançar do nada, como no gênero que me dá calafrios. Ele tem muita música, mas ela está inserida diretamente na trama, nunca tomando o centro da ação.

E a mistura casou muito bem, com as espetaculares cenas de fuga e eventuais perseguições, todas muito bem orquestradas, rolando ao som do que Baby estiver ouvindo no momento. Isso dá mais emoção a tais cenas, onde o personagem tem de usar de sua habilidade e também esperteza para evadir a polícia e levar a quadrilha para casa a salvo.

Aliás, como o som aqui é figura de suma importância, preste atenção não apenas na trilha sonora supercool, mas também no excelente trabalho de design de som, a todo momento complementando a narrativa e algumas vezes até passando de um detalhe caprichado para mais um elemento importante.

O filme todo é muito bem dirigido, com o estilo caprichado típico de Edgar Wright, com planos muito bem executados, aqui contando também com alguns planos-sequência e outras tomadas mais longas. O roteiro é muito bom, sobretudo os diálogos, cheios de falas e conversas bem engraçadas.

As atuações também estão ótimas. Todos estão muito bem, mas eu destaco Jon Hamm e Jamie Foxx como dois dos membros da quadrilha e de personalidades opostas. O primeiro faz o tipo ladrão gente boa, simpático e profissional, enquanto o segundo é o tipo marrento e desnecessariamente violento, sempre deixando o protagonista na berlinda.

MENOS NERD

Contudo, quem espera algo do nível das películas da chamada trilogia Cornetto ou de Scott Pilgrim Contra o Mundo, pode acabar se decepcionando. Este aqui é um trabalho muito mais descompromissado, sem a tonelada de referências nerds ou as sacanagens/homenagens ao gênero trabalhado como em suas obras anteriores.

Em Ritmo de Fuga, nesse sentido, é um trabalho menor, até mais “descartável”, focado puramente na diversão e mirando abranger um público maior do que apenas os nerds caçadores de easter eggs e cinéfilos interessados em brincadeiras de linguagem. Isso não é algo ruim, de forma alguma, apenas faz deste filme algo diferente do que o diretor havia feito até então.

O longa é excelente no que se propõe a fazer e seu ritmo acelerado o deixará muito bem entretido durante toda sua duração. É um senhor filme-pipoca para curtir na tela escura do cinema com uma galera. Por outro lado, também não é o tipo de filme que me dá vontade de reassistir várias vezes, como todos os seus trabalhos anteriores, e imagino que isso possa acontecer com mais gente também. Contudo, como um trabalho de diversão ligeira, ele é muito bem executado e faz valer o ingresso.

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Carlos Cyrino
Formado em cinema (FAAP) e jornalismo (PUC-SP), também é escritor com um romance publicado (Espaços Desabitados, 2010) e muitos outros na gaveta esperando pela luz do dia. Além disso, trabalha com audiovisual. Adora filmes, HQs, livros e rock da vertente mais alternativa. Está no DELFOS desde 2005.
  • Patesi

    Boa crítica! Estou curioso pra ver esse!