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Plataformas: PS4, Xbox One e PC
Versão analisada: PS4
Desenvolvedora: The Deep End Games
Editora: Feardemic
Ano: 30 de maio de 2017 (PC), 6 de junho de 2017 (consoles)
Gênero: Terror em primeira pessoa
Nota:



Perception deixa você com os poderes do Demolidor

Publicado em 19/6/2017 às 00:00


Sabe o jogo Limbo? Claro que sabe. Ele é conhecido por muitas coisas, mas o que eu mais me lembro dele é a fase secreta, que é liberada apenas após você pegar todos os ovos. A fase em questão coloca você em um cenário totalmente escuro, fazendo você se locomover e evitar os perigos baseado apenas no som. Tinha tudo para dar errado, mas é uma maravilha do game design contemporâneo, aquele tipo de coisa que qualquer um que gosta de games precisa experimentar, e uma decisão estapafúrdia terem colocado algo tão genial com uma porta de entrada tão complicada.

O que Limbo tem a ver com Perception? Como jogo, nada. Mas aqui você controla Cassie, uma deficiente visual, e isso inspirou o time da The Deep End Games a criar suas próprias mecânicas para diferenciar seu jogo dos outros lançamentos semelhantes de terror. Para isso, foram buscar inspirações lá no herói da Marvel preferido do Cyrino, transformando Cassie em uma versão sem roupas colantes do Demolidor. Quer dizer, eu deduzo que ela não use roupas colantes, já que você não a vê, mas para maior aproveitamento, sugiro imaginar que ela usa uma roupinha vermelha com as letras CS escritas no peito. Pois é, ela realmente gosta de Counter-Strike.

Para ser mais claro, Cassie, e você, é claro, enxergam através de ecolocação, como um morcego. Cegos mais poderosos costumam fazer isso soltando cliques com a boca, mas Cassie é mais energética. Ela bate a bengala no chão, e o som decorrente disso revela uma parte do cenário.

Claro, como um jogo de terror, é claro que a visão não vem de graça. Faça muito barulho e você pode acabar atraindo a “presença”, uma espécie de assombração, que vai te fazer companhia durante toda a duração do jogo. Ela é bem assustadora, com uma voz assombrosa e tendência a repetir coisas que foram faladas há pouco tempo, mostrando a influência do Predador do cinema.

Particularmente, eu gosto mais desse tipo de mecânica. Em jogos como Outlast e White Night, você precisa usar consumíveis para enxergar. Isso é perigoso e, se não houver cuidado da desenvolvedora, pode acontecer de você ficar sem consumíveis, quebrando totalmente o jogo (o que inclusive rola com frequência em White Night)).

Aqui, você pode enxergar o quanto quiser, mas fazer isso é perigoso. Fez barulho demais, você pode morrer, mas daí é só reiniciar do checkpoint e fazer menos barulho da próxima vez. É uma forma mais inteligente de criar tensão, e funciona bem melhor.

Além disso, com um pouco de estratégia, é possível enxergar sem usar a bengala, causando sons no cenário. Rádios e caixas de som, por exemplo, podem ser ligados, iluminando parte do ambiente. Seus próprios passos iluminam rápida e sutilmente seus arredores sem causar o mesmo escândalo que a bengala. É uma mecânica interessante e bem implantada.

Por ser cega, ela também depende de alguns apps, que leem textos encontrados ou até um sujeito com quem ela fala no telefone que descreve cenários e imagens baseado em fotos enviadas por ela.

O lado ruim é que o visual de Perception simplesmente não é atraente. Ele é bicromático, sendo quase todo azul, com alguns detalhes em destaque em verde. Não vou mentir, é um jogo feio, ainda que sua aparência seja justificada pela história. Aliás, é mesmo, vamos falar da história.

A HISTÓRIA

Cassie vem tendo pesadelos com alguns itens específicos, e resolve ir até a mansão dos seus sonhos para investigar e tentar resolver o problema. Chegando lá, ela descobre que cada um dos itens está relacionado a um dos habitantes passados da mansão. Cada capítulo é tematizado em um desses itens e conta a história dos moradores em questão. Desta forma, Perception é quase como um jogo de contos, e aborda alguns temas bem pesados, boa parte deles relacionado a como as mulheres eram vistas e tratadas ao longo da história.

Embora você passe o jogo inteiro dentro da mansão, ela se modifica bastante em cada uma das histórias, até porque cada capítulo acontece em uma época totalmente diferente, voltando inclusive alguns séculos.

A atmosfera é muito bem criada, e se o visual não é chamativo, o som é fantástico, contribuindo muito para o medo. Aliás, fazia um bom tempo que eu não ficava com medo em um jogo, e Perception conseguiu esta proeza.

Apesar de ser bastante tenso, não é um jogo especialmente difícil. A “presença” não aparece com tanta frequência, desde que você não saia batendo a bengala como um doido. Isso dá ao jogo uma sensação de walking simulator, o tornando mais tranquilo do que um Outlast, por exemplo.

A exceção é em um dos capítulos em que a casa passa a ser habitada por bonecas que atiram em você. É, atiram, com armas de fogo mesmo. Isso muda totalmente o gênero, deixando de ser um terror psicológico e estratégia para se tornar um jogo de stealth. As bonecas ficam patrulhando todos os corredores da mansão e você deve evitar ser visto por elas. Esta é a parte mais chata do jogo, e foi tão pentelho que eu fiquei aliviado quando finalmente terminou. Simplesmente parece que não se encaixa no que vinha sido desenvolvido até então.

PERCEPÇÃO

Perception não é o melhor jogo de terror que você vai jogar, mas é um dos mais assustadores do ano, neste ponto rivalizando com Resident Evil 7, embora o jogo da Capcom seja indiscutivelmente melhor e mais interessante. Se você gosta de sentir medo com um controle na mão, portanto, esta é uma das melhores opções do momento.

Leia mais sobre Perception, The Deep End Games, Feardemic, Primeira Pessoa, Survival Horror, Walking Simulator, Terror, PS4, Xbox One, PC.






     
     
 

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