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Plataformas: PS4, Xbox One e PC
Versão analisada: PS4
Desenvolvedora: WeAppy Studio
Editora: THQ Nordic
Ano: 22 de março de 2017 (consoles) e 2 de agosto de 2016 (PC)
Nota:



This is the Police

Publicado em 31/3/2017 às 00:00


A abertura de This is the Police causa uma positiva primeira impressão que não condiz com o resto do jogo. Literalmente, a primeira coisa que eu pensei foi “que visual bacana”.

Com personagens altamente estilizados, a abertura do jogo lembra o grande clássico Flashback. No entanto, ali é o único momento em que você verá animações. Todo o resto da história é contado através de imagens estáticas, disponibilizadas na tela de forma a remeter ao visual de HQs. Só que, sem movimentos, o visual deixa de ser estiloso, e se torna apenas simplório.

É bastante curioso que um jogo com tanto foco na história não investiu mais na narrativa. Eu gosto de HQs, é claro, mas o que funciona bem na mídia impressa não vai necessariamente funcionar bem em uma mídia interativa que costuma ser absorvida através de telas enormes e equipamentos de som potentes.

Na história, você é o chefe da polícia e está sendo obrigado a se aposentar pelo prefeito corrupto. Com apenas mais 180 dias de trabalho pela frente, sua ideia é acumular meio milhão de dólares para ter uma aposentadoria confortável. Isso significa dobrar um pouco as regras, tipo não declarar a morte de um colega para ficar com o pagamento dele ou até mesmo fazer favores aos criminosos.

A princípio, você pode achar que o jogo será apenas uma história interativa, na qual você toma decisões que vão afetar o desenrolar da dita-cuja. Você sabe, esquema Telltale. This is the Police tem isso, mas não é apenas isso.

O grosso do jogo é um minigame de gerenciamento de recursos. Você tem lá sua meia dúzia de policiais e alguns detetives e, ao longo do dia, tem que atender aos chamados de crimes.

Para a maioria deles, você envia os policiais e, se eles tiverem um profissionalismo alto, vão cumprir a missão. Em alguns casos, eles pedirão sugestões. Tipo “uma sacola está se mexendo, o que fazemos?”. Obviamente “atire nela até que ela pare de se mexer” é o mais racional para você sugerir a seus subordinados.

Para outros crimes, você deverá enviar detetives, e nesses casos, conforme o tempo passa, novas imagens vão aparecendo no arquivo. Você deve montá-las para que elas formem a narrativa do crime. Quando conseguir, pode prender o meliante.

O gameplay lembra muito – muito mesmo – aquele minigame do Assassin’s Creed, no qual você deve enviar assassinos para cumprir missões ao redor do mundo, e o sucesso depende do nível dos seus recrutas. Assim como no jogo da Ubisoft, uma vez que você manda os carinhas, o negócio é esperar até a missão ser cumprida.

A rotina no início do jogo é intercalada entre este gerenciamento de recursos e narrativa. Todo dia começa com um avanço na história e depois você vai para o trabalho onde faz o minigame até encerrar o expediente.

No entanto, depois de alguns dias, a narrativa some quase completamente, e o que até o momento estava sendo um jogo interessante se torna deveras maçante. Todos os dias são iguais. No começo, eu até lia as descrições dos crimes, mas depois comecei a jogar no piloto automático, simplesmente mandando os policiais enquanto ocupava minha cabeça com coisas mais úteis, como planos de dominação global ou pastel de Nutella com bacon.

São 180 dias até a história terminar, e depois de 20 dias você já vai estar de saco absolutamente cheio. O problema de This is the Police é que ele é praticamente um jogo de celular/browser que tenta funcionar em um ambiente totalmente diferente, o dos consoles.

Quem joga em celular costuma gostar de ficar fazendo absolutamente a mesmíssima coisa por horas e horas a fio. Quem joga em console não, a gente gosta de experiências que estejam sempre caminhando para algo. This is the Police é um jogo com espírito free-to-play em uma plataforma hostil a isso (não por microtransações, mas por gamedesign mesmo). Temos um jogo que deveria durar duas ou três horas esticado para 20, e isso faz com que ele definitivamente gaste suas boas-vindas muito antes da história terminar.

Fosse muito mais curto e focado na narrativa, poderia até ser recomendado, mas é realmente cansativo ficar fazendo a mesma coisa por horas para avançar a história de pouquinho em pouquinho.

Se você acha aqueles minigames de Assassin’s Creed a melhor coisa da série ou é um grande fã de jogos de celular, pode tirar aqui algumas horas de diversão, mas This is the Police sem dúvida funciona melhor como um passatempo rápido, jogado em partidas de 10 minutos por vez, do que para você de fato se envolver em sua história.

Leia mais sobre This is the Police, WeAppy Studio, THQ Nordic.






     
  
 

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