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Título original: T2 Trainspotting
País de origem: Reino Unido
Ano: 2017
Gênero: Drama
Duração: 117 minutos
Distribuidora: Sony
Direção: Danny Boyle
Roteiro: John Hodge
Elenco: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller e Robert Carlyle.
Nota:



T2 Trainspotting

Publicado em 24/3/2017 às 00:01

Texto por Carlos Cyrino

De todos os filmes com estreia programada para este primeiro trimestre, este aqui era o que eu estava mais ansioso para assistir. Sim, até mais do que Logan! Afinal, o primeiro Trainspotting foi uma daquelas obras que definiu e moldou o cinema dos anos 1990, ao lado de outros como Pulp Fiction e Clube da Luta.

Também abriu as portas de Hollywood para o diretor Danny Boyle e para Ewan McGregor (e, em menor escala, para os outros nomes do elenco), que continuam por lá até hoje, fazendo muitos trabalhos bons e interessantes.

Vinte e um anos depois chega a continuação e, para curtir totalmente T2 Trainspotting, é preciso despi-lo de toda a importância que seu antecessor possui. Fazendo isso, a nova película se torna uma sequência bastante digna, porém que não fará o mesmo pela sétima arte dos anos 2010 que o primeiro fez com a década de 90.

O anterior, você sabe, mostrava a vida de um grupo de amigos viciados em heroína em Edimburgo. Este aqui acontece 20 anos depois e mostra que rumo a vida de cada um deles tomou, pegando como base o romance Porno, de Irvine Welsh, que o próprio escreveu como sequência de seu Trainspotting literário. Só que se trata de uma adaptação bastante livre, mudando muitos elementos, como o próprio primeiro filme fazia com o livro que lhe serviu de base.

Renton (Ewan McGregor) retorna a Edimburgo para acertar contas com o passado, depois do que ele fez no final do filme anterior. Lá ele reencontrará Spud Ewen Bremner) ainda lutando contra o vício em heroína e Sick Boy (Jonny Lee Miller) ainda aplicando suas falcatruas, e com a ideia de transformar seu pub em um bordel.

E claro, completa o grupo o psicótico Begbie (Robert Carlyle), que sai da cadeia com o mesmo sangue nos olhos do passado e, se encontrar Renton pela frente, as coisas certamente ficarão feias para o lado do cara.

É bastante recomendável que você reassista a Trainspotting antes de pegar uma sessão de T2, porque a todo momento há referências e pequenas homenagens a ele, inclusive imagéticas. Isso funciona muito bem no contexto do novo filme, inclusive ajudando a traçar a situação dos personagens duas décadas depois.

O longa é todo permeado por um pouco de nostalgia, é bem verdade, mas também por um grande senso de arrependimento, com os personagens várias vezes culpando a si mesmos ou aos outros pelos rumos errados que suas vidas tomaram, olhando constantemente para trás, para uma época em que o caminho estava todo aberto à sua frente, mas onde acabaram por fazer as piores escolhas.

Se essa tônica pessimista e revisionista é um dos pontos fortes da película, vale destacar também seu apuro visual. Assim como o original, este aqui também tem várias tomadas arquitetadas "fora da caixinha" que deixam o longa bastante estiloso. Contudo, o ritmo não é o mesmo.

Até porque agora os personagens estão bem entrados nos 40 anos, não faz sentido ele ser tão acelerado e frenético quanto o anterior. Seu ritmo é muito mais compassado, mais devagar, condizente com a idade dos protagonistas. Embora, como já disse, a todo momento ele vá buscar referências visuais do passado.

Ele consegue fazer bem a mistura de relembrar o antigo e também focar na nova história criando algo só dele, tornando essa fusão bastante natural. Há até uma versão atualizada do clássico monólogo do choose life, além de outras cenas clássicas revisadas, homenageadas e atualizadas.

Talvez o grande problema seja justamente ser a continuação de um dos longas mais importantes de uma década. Logo, ele já vem com um peso do qual ele não precisa e nem quer. Aí entra a questão da expectativa. Sendo bastante frio, T2 não é um filme necessário. Ponto.

Contudo, já que foi feito, vale dizer que o foi com um carinho evidente e com qualidade. Como eu disse antes, ele não pretende ser igualmente importante para esta década cinematográfica e provavelmente não figurará em listas de melhores dela, mas visto sem a mística do original, funciona muito bem.

Leia mais sobre Trainspotting, Danny Boyle, Irvine Welsh, Ewan McGregor, Sony.




 

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