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Plataformas: PS4 VR
Versão analisada: PS4 VR
Desenvolvedora: Winking Entertainment
Ano: 7 de março de 2017
Gênero: Exploração espacial / Minigames
Nota:



Unearthing Mars

Publicado em 10/3/2017 às 00:00


VR é uma mídia mágica e cheia de possibilidades. Pensar no PS VR (ou qualquer outro aparelho) apenas como uma plataforma para jogos é ignorar seu potencial. Unearthing Mars parecia ser um desses lançamentos arriscados, mais experiência do que jogo. E, de fato, durante quase toda sua duração, ele parece algo que você veria em um parque de diversões.

A experiência dura por volta de duas horas e é dividida em 10 capítulos bem diferentes. Eles podem ser jogados em qualquer ordem, mas há uma história, então obviamente é mais negócio começar do começo.

Basicamente, o mote do negócio é que você faz parte de uma equipe de astronautas designada para explorar Marte. Não demora para sua turminha encontrar resquícios de uma antiga civilização, o que deixa todo mundo empolgadão. Quem não gostaria de não apenas explorar o planeta vermelho, mas ainda encontrar algo tão interessante por lá?

ASTRONAUTAS EXPLORADORES

O delfonauta dedicado sabe que gostei muito de Prometheus justamente pelo seu lado de exploração. Se o filme de Ridley Scott é bem impressionante ao ser visto em Imax 3D, não é difícil pensar que uma versão em VR seria ainda mais interessante. É isso que Unearthing Mars promete. E, assim como Prometheus, entrega isso em parte, mas tem problemas bem perceptíveis que podem fazer muitos entusiastas desistirem no meio.

A interação é bem simples e é quase um filminho em VR. Basicamente, nos primeiros capítulos, você assiste aos personagens conversando e escolhe o que seu personagem vai dizer entre algumas opções. A coisa realmente fica interessante quando você ganha a chance de explorar o planeta. Como é tradicional em VR, você não se movimenta como um jogo em primeira pessoa, mas se teleporta de e para locais pré-definidos. Com isso, Unearthing Mars consegue evitar completamente qualquer problema de enjoo, o que é ótimo.

Você usa dois controles Move, sendo que cada um representa uma de suas mãos e pode girar a câmera apertando o botão move de qualquer um dos dois, determinando assim o lado para o qual vai girar. Para andar, ao segurar triângulo, você vê todas as opções de movimento, mais ou menos como em um jogo de xadrez, e daí é só apontar e soltar o botão para aparecer lá.

O controle tem alguns problemas que não incomodam muito em um primeiro momento, como a tendência a irritantes tremeliques. Como o negócio é bem sossegado, no entanto, dá para relevar e explorar a seu bel prazer.

O bicho pega mais para frente, quando Unearthing Mars resolve virar um jogo mais tradicional. Em um dos últimos capítulos, por exemplo, você deve montar quebra-cabeças manipulando com o movimento dos controles peças voadoras. O problema é que o tracking é muito inconstante, tornando coisas que deveriam ser simples, como posicionar a peça no lugar correto, uma atividade muito mais penosa do que deveria ser.

Para exemplificar o problema dos controles, permita-me contar uma historinha. Há um troféu para que você complete o capítulo três sem erros. O capítulo em questão consiste basicamente em clicar nos lugares certos. É muito fácil. No entanto, os tremeliques do controle tornam comum você escolher as respostas erradas ou, em casos ainda piores, a alavanca que você deve mexer está fora do alcance da câmera. Por causa disso, eu precisei reiniciar o capítulo mais de dez vezes até conseguir o troféu. E a questão não é que eu não sabia o que fazer, mas que o jogo achava que eu estava clicando no lugar errado, mesmo a tela mostrando que estava na opção correta.

Curiosamente, resolveram até colocar um capítulo de shooter, no qual um dos controles vira uma arma e o outro um escudo. Este capítulo é surpreendentemente divertido, mas também representa o momento em que a história se perde totalmente. E até aí estava indo tão bem.

PLANETA VERMELHO

Unearthing Mars é um daqueles casos em que temos a impressão que a necessidade mercadológica atrapalhou a criativa. Ele está em seu melhor quando é basicamente um filme interativo, mas não é polido o suficiente para ser um bom jogo quando tenta ser. Ele até se dá bem quando vira um shooter, mas daí manda às favas tudo que estava construindo na história até o momento.

No final das contas, eu gostei da experiência, mas esta crise de identidade, de “ser ou não ser (um jogo)”, realmente impede que ele seja tudo o que poderia. Ainda assim, se a ideia de explorar o planeta vermelho lhe apetece, você tem aqui um par de horas interessantes, que seriam banais em um jogo normal, mas se torna bacaninha em VR.

Leia mais sobre Unearthing Mars, PS VR, VR, PS4, Winking.






     
     
 

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