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Título original: The Scarlet Gospels
País de origem: EUA
Ano: 2015 (EUA) / 2016 (Brasil)
Autor: Clive Barker
Editora: Darkside
Número de Páginas: 320
Nota:



Evangelho de Sangue

Publicado em 6/2/2017 às 00:01

Texto por Carlos Cyrino

Clive Barker já foi considerado pelo próprio Stephen King como seu sucessor na literatura de terror. No entanto, ele não parece ter a mesma popularidade do Estevão Rei em terras brasilis. Afinal, se todo ano são publicados ou republicados de três a quatro livros de King por aqui, boa parte do catálogo de Barker permanece inédita em português, e a maioria do que foi publicado aqui encontra-se atualmente fora de catálogo.

Resta torcer para que a editora especializada em literatura de terror e fantástica Darkside mude este panorama. Eles já abriram os serviços lançando em 2015 The Hellbound Heart, a novela (formato literário intermediário, maior que um conto e menor que um romance) que apresentou a mais icônica criação de Barker ao mundo, o cenobita Pinhead.

Rebatizado como Hellraiser - Renascido do Inferno, o mesmo nome da adaptação cinematográfica (dirigida pelo próprio Clive Barker), este era um dos trabalhos do autor que nunca haviam saído por aqui. Eis que a editora o sucede justamente com o livro onde o escritor inglês traz seu mais conhecido personagem de volta.

Evangelho de Sangue marca o retorno de Pinhead a um livro do autor, porém não deve ser considerado uma continuação direta de Hellraiser, pois aquela história sequer girava em torno do demônio sadomasoquista, tendo-o muito mais como um coadjuvante que movia a trama principal. Assim, não é preciso ter lido a novela (ou mesmo visto o filme original) para poder apreciar o novo livro sem problemas.

Além de Pinhead, Barker traz de volta outro de seus personagens, o detetive do sobrenatural Harry D'Amour, que já apareceu em outros contos e livros do autor (como Everville, por exemplo) e até mesmo no cinema, tendo sido interpretado por Scott Bakula em O Mestre das Ilusões, o terceiro e último longa-metragem dirigido por Clive. O personagem tem uma pegada ao estilo John Constantine, sempre se metendo no submundo da magia, demonologia e paranormal.

Na trama, Pinhead está matando os magos mais poderosos do mundo e amealhando uma grande quantidade de energia mística para servir a propósitos particulares, o que vai contra as regras da Ordem dos Cenobitas a qual pertence. Seu objetivo, contudo, só será revelado mais à frente, mas ele deseja uma plateia.

Por isso propõe a D'Amour que este, dado seus muitos encontros com o sobrenatural, sirva de testemunha de seu grande plano em ação. Quando este nega a proposta do cabeça de alfinete, ele não fica nada satisfeito e rapta uma grande amiga de Harry, levando-a direto ao inferno. D'Amour e alguns amigos partem então numa jornada pelo próprio inferno para resgatar a mulher das garras de Pinhead.

A grande diferença entre Barker e Stephen King é que Clive sempre foi muito mais explícito que seu colega estadunidense. O escritor inglês nunca se furtou de usar em seus trabalhos muito mais gore, com mutilações descritas de forma bem gráfica, além de sexo e suas mais variadas perversões, deixando a obra do mestre do terror, por comparação, parecendo bastante pudica e recatada.

Aqui não é diferente e todas as suas marcas registradas estão presentes. Também fiquei positivamente surpreso com a opção por colocar Harry D'Amour como o protagonista. E os primeiros capítulos do livro são bem fortes, relembrando a verve sadomasoquista de Pinhead.

Contudo, esta ótima impressão inicial rapidamente se dissipa e o livro decai um bom bocado. Eu diria que muito disso é causado por dois fatores. O primeiro: nunca fica clara a motivação de Pinhead. Por que ele está fazendo o que está fazendo e por que só agora. Quando é revelado o que ele quer, é até legal, embora não pareça fazer muito sentido para o tipo de personagem que ele é.

O segundo fator é que grande parte da história se passa dentro do inferno. Na verdade, isso poderia ser bem legal, mas talvez daí venha o problema. As descrições de Barker, das construções, das cidades infernais, dos demônios que lá habitam, são todas demasiadamente humanas. Ele já foi mais criativo em outros trabalhos ao descrever criaturas e outros mundos. Aqui ficou aquém, e por conta disso não há aquela sensação de que eles estão no pior lugar da existência, o que acaba subtraindo muito do terror da leitura.

Mesmo assim, o saldo geral ainda é positivo. Fazia alguns anos que eu não lia nada dele e me diverti suficientemente com o livro, especialmente nos primeiros e melhores capítulos. Não é um de seus trabalhos mais marcantes, mas é bom o bastante para dar vontade de ler outras obras suas. Se você gosta do autor, ou mesmo se é apenas fã da cinessérie Hellraiser, vale a pena revisitar Pinhead nas páginas deste livro.

Leia mais sobre Clive Barker, Hellraiser, Cenobitas, Terror.




 

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