Black The Fall é imediatamente familiar. Você provavelmente vai se lembrar dos jogos da Playdead, especialmente Inside, nos primeiros minutos de jogatina. Depois de jogar por algum tempo, ele também demonstra altas influências de outros jogões do passado, em especial FlashbackOut of This World.

Apesar de suas influências serem claras, Black The Fall consegue ter um sabor próprio, um mundo interessante e, mais do que isso, ser um prazer de jogar durante toda sua curta duração.

JÁ FALEI QUE SOU FÃ DE 2.5D?

Apesar de ser um jogo em 2D, temos aqui uma das câmeras mais dinâmicas que já tive o prazer de ver. Ela não se limita a pegar a ação de lado, como é tradicional, mas é comum ela captar tudo de ângulos dramáticos ou seu personagem fazer curvas, apesar de você só poder se mover para a esquerda e direita. Isso dá ao jogo um visual bem marcante.

Black The Fall

A história segue bem a escola Playdead, ou seja, não é especialmente clara. Basicamente, você é um sujeito – talvez um robô? – que resolve desafiar o status quo da sociedade e escapar do seu trabalho escravo. O mundo é habitado por pessoas e máquinas que não hesitam em te matar à primeira vista. Chega a ser até engraçado como o negócio é rápido. Em menos de um segundo, você pode passar de estar são e salvo para desintegrado.

Sim, você morre bastante por aqui, mas uma característica impressionante é que o jogo é quase totalmente desprovido de loads. Morreu? Você pode voltar a jogar imediatamente, e os checkpoints frequentes fazem com que ele nunca fique frustrante. Basicamente, se você morreu, é porque fez algo errado, e da próxima vez deve tentar uma estratégia diferente.

STEALTH, PLATAFORMA E PUZZLES

Assim, o que temos aqui é uma mistura dos três gêneros destacados no intertítulo acima. Basicamente, você tem que evitar tudo que seja vermelho, sejam cones de visão dos inimigos ou câmeras de segurança. Para evitar a vermelhidão, você precisa fazer coisas bem específicas.

Por exemplo, logo no início do jogo, você pega um laser pointer, e com ele consegue interagir com outros escravos e, mais para frente, até com um simpático cachorrinho mecânico.

Black The Fall
Convenhamos, há trabalhos piores do que pedalar.

Com isso você pode dar ordens para estes NPCs, que podem distrair inimigos ou abrir caminhos para você. Os puzzles são bem variados, talvez até variados demais. É comum que um desafio exija que você faça algo que sequer sabia que podia fazer. Por exemplo, um dos primeiros onde eu travei exigia que eu ricocheteasse o laser no teto para chegar ao escravo.

Black The Fall
Tipo assim, manja?

Este é um ponto que o tornou menos interessante do que os jogos da Playdead que o influenciaram. Se em LimboInside, os puzzles eram mais intuitivos e dificilmente você ficava travado por muito tempo, aqui eu admito que tive que apelar para guias frequentemente. Mais especificamente, este guia.

Seria interessante se o jogo contasse com um sistema de dicas, possibilitando que você destravasse sem precisar recorrer à internet.

VÁ NA DIREÇÃO DA LUZ

https://www.youtube.com/watch?v=pU_x8oVqwaM
The fifth of november?

O início do jogo acontece dentro de uma fábrica, e lá é tudo bem escuro, com um visual não interessante. Felizmente, depois de algum tempo, você escapa dali e o cenário se torna aberto e muito mais bonito. É mais ou menos por aí que você faz amizade com o cachorrinho e a coisa fica mais interessante, ainda que os puzzles continuem difíceis.

Black The Fall
Levando o cachorrinho para passear.

Apesar disso, na fábrica tem um momento que copia aquele trecho secreto de Limbo no qual você fica totalmente cego e deve passar pelos desafios utilizando o som. Obviamente, o fator novidade não está do lado dele, uma vez que isso já foi feito, mas ainda acho interessante a habilidade de gamedesign e, sobretudo de design de som que este tipo de sequência demonstra.

CAÇADORES DE TROFÉUS

Apesar de ser um jogo difícil, especialmente se você for trüe e se recusar a usar guias, temos aqui uma das platinas mais fáceis e rápidas que já tive o prazer de adquirir. Não há colecionáveis propriamente ditos, mas os troféus são focados em encontrar áreas secretas que desenvolvem o mundo e sua história.

O único troféu mais pentelho é um que exige que, logo no início, você fique segurando quadrado por 15 minutos. Obviamente, eu fiz isso colocando meu Aim Controller no botão enquanto fazia outras coisas e logo a platina era minha.

Black The Fall
Vem ni mim, platina!

Claro, assim como o jogo, se você não usar guias, não é fácil conseguir platinar, mas o guia que coloquei nesta resenha mostra quão curto o jogo pode ser, uma vez que tem o jogo inteiro em pouco mais de uma hora.

Claro, na vida real, você vai levar mais tempo, afinal, vai parar para admirar os cenários e vai tentar resolver os puzzles por conta própria. Eu matei Black The Fall em uma tarde, cerca de quatro horas, tentando solucionar seus desafios sozinho, mas apelando para o guia quando a coisa ficasse chata.

No final das contas, gostei bastante do jogo, ainda que não tanto quanto daqueles que o influenciaram. Fosse mais intuitivo, ele ganharia muito no timing e no prazer de jogar, mas ainda assim tem um mundo bem desenvolvido, com um visual bacana e um gamedesign muito bom. Prepare-se para uma jornada inesperada e bastante marcante.

Black The Fall

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Carlos Eduardo Corrales
Editor-chefe e editor de games. Fundou o DELFOS em 2004 e habita mais frequentemente as seções de cinema, games e música. Trabalha com a palavra escrita e com fotografia. Já teve seus artigos publicados em veículos como o Kotaku Brasil e a Mundo Estranho Games. Formado em jornalismo (PUC-SP) e publicidade (ESPM).

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